Janeiro 2009
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 16 Jan 2009 | sob: Política
Editorial do Estadão desta sexta-feira, 16:
Decisão desastrada
Não se pode exigir de um ministro de Estado uma qualidade de atuação que esteja acima de suas próprias limitações. Mas é de se exigir, seguramente, que não atrapalhe - sem razão alguma para fazê-lo, fora o velho ranço ideológico - o governo a que serve e o Estado no qual comanda importante Pasta. Ao dar refúgio a um cidadão italiano, condenado à prisão perpétua por ter assassinado quatro pessoas em sua atividade terrorista, o ministro da Justiça, Tarso Genro, tomou uma decisão desastrada sob vários aspectos e provocou, desnecessariamente, uma crise diplomática entre o Brasil e a Itália.
Tarso Genro contrariou recomendação expressa do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que defendera a extradição do criminoso condenado Cesare Battisti. Desprezou o parecer do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) - órgão consultivo do Ministério da Justiça - que negara o pedido de refúgio de Battisti. Opôs-se ao Itamaraty, que tivera a acuidade de detectar o quanto era importante essa extradição para a diplomacia italiana. O ministro da Justiça fez prevalecer sua opinião pessoal, como se sua expertise (jurídico-internacional? diplomática?) fosse suficiente para solucionar quaisquer problemas “externos” nossos.
O mais grave, porém, é que, ao tentar justificar sua decisão, Tarso Genro arvorou-se em juiz da Justiça italiana, criticando a forma como Cesare Battisti fora julgado e condenado em seu país. Disse ele que o italiano “pode não ter tido direito à própria defesa, já que foi condenado à revelia”. Disse também que “há indícios de que o advogado, que defendeu Battisti na Itália, tenha se utilizado de uma procuração falsificada”. Como não poderia deixar de ser, o Ministério de Assuntos Estrangeiros da Itália demonstrou profunda contrariedade em relação à atitude do ministro brasileiro. Em nota oficial, além de revelar “surpresa” e “pesar” pela situação, informou que apelará diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deixou insinuada uma ameaça à presença do Brasil na próxima reunião de cúpula do G-8, em julho, na Sardenha - já que atualmente pertence à Itália o comando do Grupo.
Além de manifestar-se através da nota, na qual também revela a “unânime indignação” de todas as forças políticas parlamentares do país, assim como da opinião pública italiana e dos familiares das vítimas dos crimes praticados por Cesare Battisti, o governo italiano convocou o embaixador brasileiro em Roma, o que é a tradução diplomática da crise entre os dois países. Anuncia-se, porém, que o Palácio do Planalto não vai desautorizar o ministro da Justiça, já que Tarso Genro revelara sua posição ao presidente Lula na segunda-feira e dele recebera sinal verde.
Indague-se agora: quem é o homicida ao qual o ministro da Justiça deu refúgio, contra a opinião geral? Nos anos 70 Battisti atuou no grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Se fosse o caso de um “guerrilheiro” que lutava contra uma ditadura, seria compreensível falar-se em refugiado político. Mas a Itália então vivia - como vive desde o fim da 2ª Guerra Mundial - uma plena democracia, com liberdade de atuação e manifestação política até exagerada para os padrões europeus.
Na Itália, o subsecretário de Estado do Interior, Alfredo Mantovano, declarou que a decisão brasileira é “grave e ofensiva”, aduzindo: “O governo italiano não pode aceitá-la. Em particular, por respeito às vítimas e a seus familiares.” O Itamaraty, por sua vez, reconheceu que a concessão do refúgio gerou sério e indesejável mal-estar nas relações Brasil-Itália, além de ter contrariado compromissos internacionais de cooperação no combate ao terror. Recorde-se, a propósito, que em novembro, durante a visita do presidente Lula a Roma, o governo italiano havia insistido para que o Brasil concedesse a extradição do foragido. Por aí já se percebe o tamanho do estrago causado pelo ministro Genro aos interesses do governo brasileiro: o presidente Lula tinha a pretensão de aprofundar sua presença nos debates dos principais foros de governança mundial. Mas a Itália, que este ano preside o G-8, já avisou que os países desse grupo e seus colaboradores - caso do Brasil - “serão chamados a confirmar seu compromisso formal e a promover ações cada vez mais eficazes no combate ao terrorismo internacional”. Como o Brasil, agora, se sairá dessa?
P.S. (meu):Se você é do tipo que se arrepia só de ver a quantidade de caracteres de um editorial do Estadão, creio que está perdendo seu tempo aqui. Não dá para sustentar princípios e condutas, como se propõe, só lendo as piadinhas do colunista de botequim, que (sobre)vive de verbas de governos.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 16 Jan 2009 | sob: Política
A Ponte Camelo, que virou motivo de piada até nos corredores da Prefeitura, continua a gerar polêmica. O veredeador José Geraldo “Gerão” (DEM) havia entrado com representação no Ministério Público, alertando sobre supostas irregularidadades nas obras, mas teve o pedido rejeitado. Agora, recebeu resposta do Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) do Estado de São Paulo, no qual afirma que o município da NÃO pediu “autorização”, como determina a Lei, para a realização das obras (veja o documento abaixo). Gerão diz que pretende encaminhar o documento ao Ministério Público para que reavalie sua posição.
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DAEE/BMES - 15/12/2008
À
Câmara Municipal de Porto Feliz
Sr. Vereador José Geraldo Pacheco da Cunha Filho
Conforme solicitação de Vossa Senhoria, encaminhada por e-mail e fax, em 13/11/2008, acerca da existência de outorga de travessia, em nome da Prefeitura Municipal de Porto Feliz, referente a uma ponte que está sendo construída sobre o Ribeirão Pinheirinho, entre as ruas Santa Cruz e Lício Marcondes do Amaral, nesse município, com uma série de indagações técnicas a respeito da obra, temos a informa-lo que:
O local foi vistoriado pelo DAEE, em 19/11/2008, em companhia do Eng° Paulo Ricardo Bassul, Diretor Agrícola e de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura, quando se constatou o avançado estado de execução da obra, sem nenhuma outorga requerida, dando origem aos Autos de Inspeção BMT/BMES/21/08 e de Infração BMT/BMES/34/08, com penalidade de “Advertência” e prazo de 30 dias para regularizar a situação.
Diante da ausência de requerimento de outorga e do projeto da travessia, não existem elementos técnicos suficientes para avaliação dos questionamentos efetuados.
Por oportuno, solicitamos que futuros questionamentos sejam realizados mediante ofício da Câmara Municipal, endereçado à Superintendência do DAEE, ou à Ouvidoria, ou à Diretoria da Bacia do Médio Tietê.
Atenciosamente
Eng° Arlei Ribeiro de Barros
Pront° 9716
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 15 Jan 2009 | sob: Política
Estou ainda brigando com o relógio para ver se consigo colocar o ponteiros dentro do fuso que me permita manter a rotina de publicações no blog. Assuntos não faltam. Até quando tento me desvencilhar, eles me caem sobre o colo. Ontem de manhã, por exemplo, enquanto caminhava na Doutor Antoninho, vi Vartão de Lara “inspecionando” as obras da ‘Ponte Camelo”. Pelo que tudo indica, o ex-vereador virou funcionário público - sem concurso, claro - depois que tomou uma piaba nas urnas. O PT sempre ajeita a vidinha da patota que tem dificuldade em sobreviver só da iniciativa privada. Precisam de uma “maezona” chamada GOVERNO.
Mas isso não é o mais importante. Preocupante, mesmo, é o rumo deste governo, cada vez mais alinhado com o terrorismo, com o totalitarismo e com as ditaduras. Viram a última? O ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio político a Cesare Battisti, condenado por terrorismo - ele é acusado de assassinar quatro pessoas - na Itália. O mesmo governo que havia extraditado dois atletas cubanos do totalitarismo de Fidel Castro, agora dá abrigo a um terrorista assassino condenado por um regime democrático e de direito. É para se preocupar ou não? Aonde essa gente vai parar?
Bem, vou caminhar. Vou ver se Vartão está tabalhando direitinho.
E. T. : O chanceler brasileiro, Celso Amorim, voltou da viagem ao Oriente Médio sem conseguir atingir seu objetivo principal, que era incluir o Brasil no seleto grupo de países que vêm trabalhando no processo de paz entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas. Olhem só a fantástica constatação de um especialista: “Considerar a viagem uma derrota é um exagero. Desde o início era sabido que as chances de o Brasil influenciar o processo eram definitivamente muito pequenas”. Pergunta óbvia: então, por que foi?
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 13 Jan 2009 | sob: Política
Pedi uma foto exclusiva ao amigo Daniel Augusto Jr., o fotógrafo oficial do Corinthians, que acompanha diariamente os treinos do Timão na vizinha Itu. Mandou-me uma seqüência de quatro, que segue abaixo. Com toda essa força de vontade, o Fenômeno não deixa dúvida que vai voltar. Como? Vamos aguardar para ver. Torcida não vai faltar. Inclusive a minha, claro.

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 13 Jan 2009 | sob: Política
O governo brasileiro não se cansa de fazer o papel rídículo de pseudo-intermediador no conflito do Oriente Médio. O pior de tudo é a exposição a que nos coloca, alinhando-se ao terrorismo, da mesma forma a que se alinha com ditaduras. Está no pedigree. Não do nosso, claro, mas dos cuecas vermelhas. O Tio Rei, sempre ele, resumiu perfeitamente o que se passa com cabecinha de nossa diplomacia, comandada por Celso Amorim: “Amorim faz Lula acreditar que o conflito entre o terror palestino e o estado democrático de Israel poderia ter uma solução parecida, sei lá, com a rua 25 de Março, no centro de São Paulo, onde árabes e judeus promovem, em paz, a maior área de comércio popular no país.
Quem estiver interessado em se aprofundar devidamente no assunto pode buscar informação no blog do Reinaldo Azevedo(clique no nome). Há vários artigos e comentários sobre o tema, desnudando as mentiras que dizem por aí, inclusive de parte da imprensa, que prefere solapar a lógica em nome da pseudo “imparcialidade”. Quer tratar terrorista fundamentalistas, que atiram bombas e matam gente inocente, como “coitadinhos”.
Não, ninguém precisa concordar que Israel está apenas se defendendo da covardia terrorista do Hamas, que usa mesquistas e escolas como escudo para lançar mísseis contra os judeus. Mas, lembre-se, você é responsável pelas suas escolhas. Vejam, abaixo, mais um bom texto sobre o assunto, desta vez de Ali Kamel, editor executivo de Jornalismo da Globo e colunista de O Globo. Volto mais tarde com assuntos domésticos. Agora, vou caminhar, refletir… Fiquem com a sapiência de Ali kamel:
Eu acredito em eleições. E acredito que o povo sempre tem a capacidade de julgar o que considera bom para si. Isso não quer dizer que o povo acerte sempre: não são poucas as vezes em que a decisão mostra-se errada no futuro. Não importa, no momento em que comparece às urnas, certo ou errado, o povo é responsável por suas escolhas.
Por que essa conversa? Porque isso não me sai da mente quando vejo, chocado, os bombardeios em Gaza. Em 2006, houve eleições para escolha do primeiro-ministro palestino. Era um contexto em que os EUA clamavam pela democratização do mundo árabe. Quando o Hamas saiu-se vitorioso, muita gente, diante dos lamentos dos americanos, riu, dizendo algo assim: “Ora, não queriam democracia? Agora o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA lamentam? Então democracia só vale quando ganham os aliados?” Na época, escrevi que a simples presença do Hamas nas eleições mostrava que aquilo não era uma democracia: porque democracia não é o regime em que todas as tendências disputam o voto; democracia é o regime em que todas as tendências que aceitam a democracia disputam o voto. Como o Hamas prega uma teocracia, um sistema político que o aceita como legítimo aspirante ao poder não pode ser chamado de democracia. Seja como for, tendo sido democráticas ou não, aquelas eleições expressaram a vontade do povo: observadores internacionais atestaram que o pleito transcorreu sem fraudes.
E o que pregava o Hamas na campanha de 2006? Antes, para entender o linguajar, é importante lembrar que o Hamas não aceita a existência do Estado de Israel, chamado de “Entidade Sionista”. Assim, quando se refere à “Palestina”, o Hamas engloba tudo, inclusive Israel. Destaco aqui três pontos do programa eleitoral (na disputa, o grupo deu-se o nome de “Mudança e Reforma”): “A Palestina é uma terra árabe e muçulmana”; “O povo palestino ainda está em processo de libertação nacional e tem o direito de usar todos os meios para alcançar esse objetivo, inclusive a luta armada”; “Entre outras coisas, nosso programa defende a “Resistência” e o reforço de seu papel para resistir à Ocupação e alcançar a liberação. A ‘Mudança e Reforma’ vai também construir um cidadão palestino orgulhoso de sua religião, terra, liberdade e dignidade; e que, por elas, esteja pronto para o sacrifício.”.
Deu para entender? O Hamas propôs um programa segundo o qual não há lugar para judeus na “Palestina”, o uso da luta armada deve ser reforçado para se livrar deles e os cidadãos comuns devem estar preparados para se sacrificar (morrer) pela religião, pela terra, pela liberdade e pela dignidade.
Havia alternativa? Sim, apesar da ambigüidade eterna, o Fatah do presidente Mahmoud Abbas (e, antes, de Yasser Arafat), na mesma eleição pregava a saída de Israel dos territórios ocupados em 1967, a criação de um Estado Palestino com sua capital em Jerusalém e uma solução para os refugiados de 1948 com base em resoluções da ONU, uma agenda que só parece moderada porque é comparada à do Hamas. Embora estimulasse e declarasse legítima a resistência à ocupação, a novos assentamentos judaicos e à construção do muro de proteção que Israel ergue entre a Cisjordânia e seu território, o Fatah declarava expressamente: “Quando o imortal presidente Arafat anunciou em 1988 a decisão do Conselho Nacional Palestino, reunido naquele ano, de adotar a ‘solução histórica’, que se baseia no estabelecimento de um Estado independente Palestino lado a lado com Israel, ele estava de fato declarando que o povo palestino e suas lideranças tinham adotado a paz como um opção estratégica.”
E qual foi a decisão dos palestinos? Num sistema eleitoral que adota o voto distrital misto, o Hamas ganhou tanto no voto proporcional quando nos distritos, abocanhando 74 dos 132 assentos do parlamento. Ou seja, diante do desgaste de 40 anos do Fatah, e das denúncias de corrupção que pairavam sobre o movimento, os palestinos deixaram a paz de lado e optaram pela promessa de pureza divina e dos foguetes do Hamas. Meses depois, uma luta interna feroz entre os dois grupos teve lugar e resultou numa divisão territorial: o Fatah ficou com a Cisjordânia, onde a situação é de calma, e o Hamas ficou com Gaza, de onde continuou pregando o programa aprovado pelos eleitores: enfrentamento armado, mesmo tendo consciência do que isso acarretaria.
Diante disso, dá para dizer que os palestinos de Gaza são inocentes vítimas do jugo do Hamas e de uma reação desproporcional dos israelenses?
Olha, eu deploro a guerra, lamento profundamente a morte de tanta gente, especialmente de crianças, vítimas de uma guerra de adultos. Vejo as bombas, e fico prostrado, temendo que o bom senso nunca chegue. Mas isso não me impede de ver que a guerra, com suas consequências, foi uma escolha consciente também dos palestinos de Gaza. Retratá-los como despossuídos de todo poder de influir em seus destinos não é mais uma verdade desde 2006.
Parecerá sempre simplificação qualquer coisa que se diga num espaço tão curto, em que é preciso deixar de lado as raízes desse conflito e a trama tão complicada que distribuiu culpa e vítimas por todos os lados. Mas não consigo terminar este artigo sem dizer: para que haja paz, os dois lados têm de ceder em questões tidas como inegociáveis, o apelo às armas têm de ser abandonado, o Estado Palestino deve ser criado ao lado de Israel, cujo direito a existir não deve ser questionado. Se isso acontecer, muitos árabes e israelenses daquela região não se amarão, terão antipatias mútuas, mas viverão lado a lado.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Jan 2009 | sob: Política
Reproduzi, no post anterior, um breve resumo didático do que está acontecendo no Oriente Médio, de autoria do colunista da Folha, João Pereira Coutinho. Falei, também, sobre o ridículo de se fazer citações em discursos de autores sem o devido conhecimento. Vejam, agora, o editorial da Folha de ontem, domingo, sobre a postura do governo federal brasileiro no conflto no Oriente Médio. A mesma Folha traz um artigo de Marco Antonio Toc Toc Garcia (*), o assessor especial de Política Externa do presidente. Quem quiser ler, que o faça no jornal ou procure na Internet. No meu blog, não reproduzo apologias, mesmo que indiretas, ao terrorismo. Aliás, não reproduzo nada que sai do miolo mole do Top Top.
Uma voz apenas
Há certo exagero e pendor exibicionista no ativismo da diplomacia brasileira a propósito da crise no Oriente Médio. O périplo do chanceler Celso Amorim na região não modificará o peso diplomático do Brasil, irrisório para a obtenção do cessar-fogo entre Israel e os extremistas do Hamas.
Por mais que o Itamaraty e o Mercosul, durante o governo Lula, tenham feito gestos de aproximação, seja com nações árabes, seja com Israel, o Brasil está longe de ser interlocutor relevante no tema.
Associar-se a Egito e França, os mais ativos na costura do armistício, é o caminho óbvio. Mesmo assim, não se deveria perder o senso de proporção: as tratativas ocorreriam do mesmo modo e teriam o mesmo desfecho com ou sem participação brasileira.
Alguns defensores do ativismo diplomático ponderam, por outro lado, que o principal trunfo da iniciativa não é imediatista. Seu valor estaria no aprendizado para a diplomacia de um país que, por conta do peso e do dinamismo de sua economia, aos poucos aumenta sua influência regional e ganha relevo global.
Vista nessa perspectiva de longo prazo, sob a premissa de acúmulo paulatino de experiências, a movimentação do Itamaraty pode se justificar. Nesse prisma, a primeira lição a tirar do ensaio sobre o Oriente Médio é que o corpo de diplomatas não pode caminhar num sentido, enquanto autoridades e o principal partido do governo vão pelo outro.
No contexto do conflito em curso, a neutralidade -tradição que o Brasil deveria cultivar- não combina com o emprego de termos como “terrorismo de Estado” e o uso de comparações com o nazismo para qualificar a ofensiva de Israel.
O Itamaraty sabe disso, como atestam as notas oficiais que expressaram a posição brasileira sobre a escalada. Mas o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia e o PT ignoram o protocolo. Ainda vivem na era dos palpites inspirados em mera simpatia ideológica.
(*) Marco Antonio Gracia, para quem não se lembra, ganhou o aditivo de Top Top depois que foi flagrado “comemorando”, com gestos grotescos de um fanático (batendo com a palma da mão aberta na outra fechada), a divulgação da informação de que o acidente da TAM, que matou 199 pessoas, teria sido hipoteticamente causado por “falha dos pilotos”, em vez de defeitos na pista de Congonhas. Depois ficou comprovado que a pista não tinha a fresagem necessária para escoamento das águas de chuva na pista.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Jan 2009 | sob: Política
Deixarei os assuntos nativos para dias úteis. Não que considere o domingo inútel. Muito pelo contrário. É apropriado para navegar em temas de além-mar (com hífen, como antigamente). É possível, sim, aproveitar os momentos de folga e descanso com leituras que possam abastecer nosso campo de conhecimento. Qualquer dia desses ainda debruço-me sobre as obras de Skakespeare para poder fazer citações “intelectualizadas”. Enquanto não as faço, restrinjo-me aos temas sobre os quais exerço um certo domínio. Só assim sinto-me apto a lançar-me em discussões e debates sem a necessidade de recorrer a um discurso escrito e ensaiado, tão falso em identificação quanto uma nota de três reais. Convenhamos que interpretar papéis de ridículo não é para qualqur um.
Durante meu breve período de férias, por exemplo, tentei inteirar-me sobre os conflitos no Oriente Médio, em especial sobre as ofensivas de Israel contra o Hamas. Li muito, ouvi várias entrevistas de especialistas e pesquisei a história. Não foi difícil me identificar com um certo lado. Concomitantemente, veio à luz quem está do outro. Batata! Tudo faz sentido. Os princípios são, de fato, a base dos discernimentos. Vocês entenderão onde quero chegar nos post futuros, se é que ainda não entenderam. Por hora, voltemos ao início. Segue, abaixo, um texto de João Pereira Coutinho, colunista da Folha de S. Paulo, publicado na semana passada. Ele explica, de forma bastante didática, porque a Estado Democrático de Israel resolveu contra-atacar o grupo terrorista do Hamas no Oriente Médio. Volto mais tarde. Domingo também é dia de levar meu filho ao cinema. Vamos ver a refilmagem do clássico O Dia em Que a Terra Parou. Inté.
Mudar as palavras
Israel está novamente em guerra com os terroristas do Hamas, e não existe comediante na face da Terra que não tenha opinião a respeito. Engraçado. Faz lembrar a última vez que estive em Israel e ouvi, quase sem acreditar, um colega meu, acadêmico, que em pleno Ministério da Defesa, em Jerusalém, começou a “ensinar” os analistas do sítio sobre a melhor forma de acabarem com o conflito. Israel luta há 60 anos por reconhecimento e paz.
Mas ele, professor em Coimbra, acreditava que tinha a chave do problema. Recordo a cara dos israelenses quando ele começou o seu delírio. Uma mistura de incredulidade e compaixão.
Não vou gastar o meu latim a tentar convencer os leitores desta Folha sobre quem tem, ou não tem, razão na guerra em curso. Prefiro contar uma história.
Imaginem os leitores que, em 1967, o Brasil era atacado por três potências da América Latina. As potências desejavam destruir o país e aniquilar cada um dos brasileiros. O Brasil venceria essa guerra e, por motivos de segurança, ocupava, digamos, o Uruguai, um dos agressores derrotados.
Os anos passavam. A situação no ocupado Uruguai era intolerável: a presença brasileira no país recebia a condenação da esmagadora maioria do mundo e, além disso, a ocupação brasileira fizera despertar um grupo terrorista uruguaio que atacava indiscriminadamente civis brasileiros no Rio de Janeiro ou em São Paulo.
Perante esse cenário, o Brasil chegaria à conclusão de que só existiria verdadeira paz quando os uruguaios tivessem o seu Estado, o que implicava a retirada das tropas e dos colonos brasileiros da região. Dito e feito: em 2005, o Brasil se retira do Uruguai convencido de que essa concessão é o primeiro passo para a existência de dois Estados soberanos: o Brasil e o Uruguai.
Acontece que os uruguaios não pensam da mesma forma e, chamados às urnas, eles resolvem eleger um grupo terrorista ainda mais radical do que o anterior. Um grupo terrorista que não tem como objetivo a existência de dois Estados, mas a existência de um único Estado pela eliminação total do Brasil e do seu povo.p>
É assim que, nos três anos seguintes à retirada, os terroristas uruguaios lançam mais de 6.000 foguetes contra o Sul do Brasil, atingindo as povoações fronteiriças e matando indiscriminadamente civis brasileiros. A morte dos brasileiros não provoca nenhuma comoção internacional.
Subitamente, surge um período de trégua, mediado por um país da América Latina interessado em promover a paz e regressar ao paradigma dos “dois Estados”. O Brasil respeita a trégua de seis meses; mas o grupo terrorista uruguaio decide quebrá-la, lançando 300 mísseis, matando civis brasileiros e aterrorizando as populações do Sul.
Pergunta: o que faz o presidente do Brasil?
Esqueçam o presidente real, que pelos vistos jamais defenderia o seu povo da agressão.
Na minha história imaginária, o presidente brasileiro entenderia que era seu dever proteger os brasileiros e começaria a bombardear as posições dos terroristas uruguaios. Os bombardeios, ao contrário dos foguetes lançados pelos terroristas, não se fazem contra alvos civis -mas contra alvos terroristas. Infelizmente, os terroristas têm por hábito usar as populações civis do Uruguai como escudos humanos, o que provoca baixas civis.
Perante a resposta do Brasil, o mundo inteiro, com a exceção dos Estados Unidos, condena veementemente o Brasil e exige o fim dos ataques ao Uruguai.
Sem sucesso. O Brasil, apostado em neutralizar a estrutura terrorista uruguaia, não atende aos apelos da comunidade internacional por entender que é a sua sobrevivência que está em causa. E invade o Uruguai de forma a terminar, de um vez por todas, com a agressão de que é vítima desde que retirou voluntariamente da região em 2005.
Além disso, o Brasil também sabe que os terroristas uruguaios não estão sós; eles são treinados e financiados por uma grande potência da América Latina (a Argentina, por exemplo). A Argentina, liderada por um genocida, deseja ter capacidade nuclear para “riscar o Brasil do mapa”.
Fim da história? Quase, leitores, quase. Agora, por favor, mudem os nomes. Onde está “Brasil”, leiam “Israel”. Onde está “Uruguai”, leiam “Gaza”. Onde está “Argentina”, leiam “Irã”. Onde está “América Latina”, leiam “Oriente Médio”. E tirem as suas conclusões. A ignorância tem cura. A estupidez é que não.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 10 Jan 2009 | sob: Política
No primeiro dia deste novo ano, a Câmara se reuniu em sessão solene para dar posse aos eleitos no executivo e legislativo. Passadas as formalidades, realizou-se outra sessão, especial, agora para definir a composição da mesa diretora. Os vereadores entraram em acordo e elegeram a chapa única denominada “União”, com os seguintes nomes: Odélio Leite dos Santos (PP) - presidente; Miraci Lazara Tuani Flosi (PMDB) - vice-presidente; Ednilson de Jesus Macedo (PSB) - 1º Secretário; Daniel Fernandes (PSC) - 2º Secretário.
Todos, com exceção de Odélio Leite, são estreantes no legislativo. De cara, vão comandar os trabalhos de gente experiente, como José Geraldo “Gerão (DEM), reeleito pelo terceiro ano concecutivo, e José Queiroz “Coquinho”(PSDB), que volta à Casa depois de passagens anteriores.
Estava tudo caminhando bem, mas o clima esquentou na hora de definir as Comissões Permanentes. O PT quis ficar com as principais - e acabou levando - de forma impositiva e gerou a primeira discussão do ano. Comento no outro post.
O que chamou a atenção na solenidade foi o discurso de pose do prefeito reeleito Cládio Maffei (PT). Foram mais de 30 minutos (chegaram a falar em 45), com citações da Bíblia e, acreditem, de William Skakespeare. É, pelo jeito ele leva a pantomima muito a sério.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 08 Jan 2009 | sob: Política

Há quatro anos, quando assumiu pela primeira vez o comando da cidade, o prefeito Maffei foi ao jornal local para justificar a demissão de mais de 10 funcionários alegando que iria “humanizar’ a Saúde. Um belo discurso que todos sabemos como terminou. Transformaram a saúde da cidade no maior palco de disputa política já visto na história do município. A evidência maior foi o processo que culminou com a intervenção da Santa Casa, principal centro de atendimento da população.
Passados mais de seis meses, a situação continua caótica. A espera de atendimento neste início de ano passa de uma hora e meia. Isso, vejam só, para quem tem “convênio”. Imaginem para quem não tem.
Dois fatos, entretanto, revelam a essência do que o governo petista chama de “humanização da saúde”.
Fato 1- Na quarta-feira, 7, uma pessoa próxima de minha convivência foi levar a mãe, que passava mal, para atendimento. Tinha convêncio com a Unimed e, mesmo assim, teve de esperar por mais de uma hora. A surpresa maior, porém, foi na sala de consulta. Para medir a pressão da paciente, o médico nem sequer levantou-se da cadeira. Ficou ali, atrás da escrivaninha, bem acomodado. Incrível, né não?
Fato 2 - Na semana passada, uma mãe, ainda no período de amamentação e receosa em arriscar-se com a auto-medicação, procurou atendimento na Santa Casa porque estava com febre. Chegou ao hospital à noite, por volta das 22h, e, ao ser atendida, foi questionada pelo médico: por que a senhora não veio de dia? Resposta: “desculpe, doutor, mais é agora que estou passando mal”. O médico disse que não poderia medicá-la porque o laboratório estava fechado e não tinha como diagnosticar o seu problema. Pediu que voltasse no outro dia, durante o…dia.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 08 Jan 2009 | sob: Política
Acabei demorando além da conta o meu retorno, perdoem-me. Precisava colocar algumas coisas em ordem antes de voltar à rotina. Sim, rotina mesmo. Pretendo, a partir de agora, postar pelo menos um artigo diário, sempre pelas manhãs, mesmo que seja breve, sobre temas de relevância.
O prato predileto continuará sendo, como sempre, a política local. Não vou deixar meus fiéis leitores desguarnecidos de informação e à mercê da imprensa corcunda, que vive de reverência ao poder constituído, transitando por todas as cores do arco-íris. Aqui, como todos sabem, manteremos a coluna ereta e a conta bancária vazia. É uma questão de escolha e, conseqüentemente, renúncias. Sabemos muito bem quais são as nossas. Como ensina mio maestro italiano: Piano piano se va lontano.
Pena que os assuntos continuem os mesmos. O ano-novo começa com as mesmas promessas de quatro anos atrás, como tratarei mais adiante, em outro post. Antes de mexer na lama, entretanto, algo de cristalino de verdade. Seguem abaixo algumas imagens da Cachoeira de Boiçucanga, que registrei durante o período de folga. Foram mais de 30 minutos de caminhada por trilhas da Mata Atlântica, até chegar a este pedacinho do paraíso. São cerca de 20 metros de altura. Magnífico. Para terem uma idéia, tomem como base as pessoas lá embaixo. Todos ficamos diminutos diante de tamanha beleza natural. Feliz mergulho em 2009! Voltamos!


Publicado por Marcelo Mastrobuono em 01 Jan 2009 | sob: Política
Prezados leitores, tirei uns dias de folga com a família. Folga mesmo, no meio de um recanto verde. Volto dia 6, pra valer, com a verve de sempre. Obrigado pelo prestígio. Manter audiência como a nossa, para um blog com foco local, é um privilégio imenso. A cada dia descubro que nosso alcance ultrapassa muitas fronteiras. Tem mais gente desse lado do que imaginamos. Conseguimos, de fato, estabelecer um canal de relação com interesses em comum, embora nem sempre evidentes. Fica aqui os meus votos de um 2009 repleto de saúde e realizações. Mas não espere que as coisas caiam do céu. Vá atrás do que acredita!
