Dezembro 2008
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Dez 2008 | sob: Política
Falei abaixo do Blog do Noblat, mas não disse tudo. O blog é repleto de coisas boas, entre elas um link musical, o Estação Jazz e Tal, no qual pode-se ouvir seleções incríveis do que há de melhor na música internacional, sem distinção de estilo. É tudo de muito bom gosto. Eu, pessoalmente, não tenho o costume de ler e nem de escrever ouvindo música. Prefiro concentrar-me no silêncio, de preferência, absoluto. A exceção fica por conta de quando estou zapeando sites de curiosidades ou jogandoFreeCell ou Paciência, uma das poucas coisas que sei fazer com o baralho eletrônico para relaxar. Confiram a elegância musical de Noblat AQUI
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Dez 2008 | sob: Política
Mantenho, na coluna direita do blog, uma lista de sites e blogs com os quais este se identifica, na linha editorial de informação e, por que não?, de pensamento. Entre eles, um que considero um dos maiores jornalistas deste País: Ricardo Noblat, que nesta época está fazendo uma espécie de retrospctiva de 2008. Vejam este artigo de março de 2008, chamado A banalziação dos maus costumes. Como já disse no post anterior, pouco coisa mudou de 20 anos para cá e, menos ainda, nestes últimos 12 meses. No próximo post, mais uma do Noblat:
Lula ultrapassou, ontem, no Recife, todos os limites da irresponsabilidade durante cerimônia de assinatura de ordem de serviço para a construção de obras financiadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento. Ao elogiar o ex-presidente da Câmara dos Deputados Severino Cavalcanti (PP), sugeriu que ele perdeu o cargo e foi obrigado a renunciar ao mandato por pressão das “elites paulistas e paranaenses”. De fato, Severino renunciou ao cargo e ao mandato porque se provou que fora subornado por Sebastião Buani, concessionário de um dos restaurantes da Câmara. De Buani, Severino recebeu cheques mensais para permitir que o restaurante dele seguisse funcionando. Rastreou-se um cheque de R$ 10 mil que foi parar na conta de Severino. - Eu continuo tendo o mesmo respeito, hoje, que eu tinha por você há muito tempo porque a relação humana não é feita apenas do momento - disse Lula. “A relação humana é feita de forma mais sadia.” Antes, havia dito, apontando na direção do seu correligionário: - Estou vendo ali um homem que foi presidente da Câmara. Ele foi eleito porque nossa oposição queria derrotar o governo, achando que o Severino ia ser contra o governo. Elegeram o Severino, mas não levou muito tempo para eles perceberam que o Severino não era oposição. Não, não era mesmo. Era um dos mais fisiológicos deputados. Era conhecido como o Rei do Baixo Clero. Cobrou caro pelo apoio que deu ao governo. Indicou o ministro das Cidades. Recebeu outras benesses. Severino renunciou ao mandato para não ser cassado. Tentou se reeleger deputado federal. Faltaram-lhe votos para isso. Quis emplacar um dos seus afilhados como secretário do governador Eduardo Campos (PSB). Não conseguiu. Tornou-se uma figura desprezível da qual costuma fugir a maioria dos políticos. Até que… Até que Lula lhe deu a mão. Que exemplo o presidente da República imagina que oferece ao distinto público ao se referir da maneira como o fez a um político acusado de corrupção? Como pode dizer que continua respeitando Severino depois de saber que ele recebia propina? Como pode cobrar respeito a quem quer que seja se desrespeita a todos dessa forma? O PT fez Caixa 2 porque todo partido faz, admitiu Lula em 2005 no auge do escândalo do mensalão. Os R$ 20 mil do publicitário Marcos Valério, embolsados pelo deputado Professor Luizinho (PT-SP), não passaram de “uma merreca”, observou Lula ao sair em defesa do seu companheiro. Vai ver que para Lula o comportamento de Severino não foi de todo reprovável. Vai ver que é por isso que o compreende, o estima e o exalta.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Dez 2008 | sob: Política
Após 20 anos, vítimas do Bateau Mouche esperam indenização. Este é o título estampado na capa da Folha de S. Paulo deste domingo. Como se vê, o Brasil mudou muito pouco de 20 anos pra cá. Mas ainda temos esperança. Não aquela assaltada pelos petralhas que enchem as cuecas de dinheiro público. Abaixo, a reportagem da Folha:
Na quarta-feira, às 23h50, a tragédia de repercussão mundial completa 20 anos -sem que ninguém tenha pagado por ela. Apenas um parente de um garçom recebeu o equivalente a R$ 20 mil -isso porque percorreu um caminho mais curto. O seu advogado entrou com a ação contra o restaurante Sol e Mar, dos donos do barco, e não contra o Bateau Mouche, como todos os outros.
Depois de adernar, o barco emborcou e afundou 20 metros, no trecho entre a ilha de Cotunduba e o Morro da Urca, em frente à praia Vermelha.
O processo criminal contra o grupo de espanhóis que empresariavam o Bateau Mouche prescreveu antes de a tragédia completar dez anos, deixando os sete sócios do barco e os dois da agência de turismo Itatiaia (que vendeu os ingressos) livres. Todos foram absolvidos em primeira instância, pelo juiz Jasmin Simões Costa.
Quatro saíram do Brasil pela porta da frente, apresentando os passaportes em dia. Os dois menos ricos -que trabalhavam como gerentes no restaurante, mas tinham participação na sociedade- foram condenados em segunda instância. Cumpriram quatro meses da pena, em regime semi-aberto, e fugiram com um terceiro, condenado por sonegação fiscal, para a Europa.
“Não me pergunte como isso acontece, como criminosos saem do país assim. Eu fico apavorado com esses mecanismos”, diz o advogado de defesa de 26 parentes de vítimas, em 32 ações, João Tancredo. Assinante do jornal podem ler a íntegra AQUI
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Dez 2008 | sob: Política
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Dez 2008 | sob: Política
Vamos ter de passar este final de ano sozinhos. Tio Rei está em férias. Deixou-nos, entretanto, um bom artigo de despedida (Duas ou três coisas que eu sei sobre Ele) sobre o nascimento de Jesus e a importância de se ter…esperança. Confiram:

As cenas das mulheres de Darfur fugindo com suas crianças, empurradas pela barbárie, remetem, é inevitável, à fuga de Maria e do Menino Jesus para o Egito, retratada por Caravaggio (1571-1610)
Boa parte das nações e dos homens celebra, nesta semana, o nascimento do Cristo, e uma vez mais nos perguntamos, e o faremos eternidade afora: qual é o lugar de Deus num mundo de iniqüidades? Até quando há de permitir tamanha luta entre o Bem e o Mal? Até Ele fechou os olhos diante das vítimas do nazismo em Auschwitz, dos soviéticos que pereceram no Gulag, da fome dizimando milhões depois da revolução chinesa? E hoje, “Senhor Deus dos Desgraçados” (como O chamou o poeta Castro Alves)? Darfur, a África Subsaariana, o Oriente Médio… Então não vê o triunfo do horror, da morte e da fúria? Por que um Deus inerme, se é mesmo Deus, diante das “espectrais procissões de braços estendidos”, como escreveu Carlos Drummond de Andrade? Que Deus é este, olímpico também diante dos indivíduos? Olhemos a tristeza dos becos escuros e sujos do mundo, onde um homem acaba de fechar os olhos pela última vez, levando estampada na retina a imagem de seu sonho – pequenino e, ainda assim, frustrado…
Até quando haveremos de honrá-Lo com nossa dor, com nossas chagas, com nosso sofrimento? Até quando pessoas miseráveis, anônimas, rejeitadas até pela morte, murcharão aos poucos na sua insignificância, fazendo o inventário de suas pequenas solidões, colecionando tudo o que não têm – e o que é pior: nem se revoltam? Se Ele realmente nos criou, por que nos fez essa coisa tão lastimável como espécie e como espécimes? Se ao menos tirasse de nosso coração os anseios, os desejos, para que aprendêssemos a ser pedra, a ser árvore, a ser bicho entre bichos… Mas nem isso. Somos uns macacos pelados, plenos de fúrias e delicadezas (e estas nos doem mais do que aquelas), a vagar com a cruz nos ombros e a memória em carne viva. Se a nossa alma é mesmo imortal, por que lamentamos tanto a morte, como observou o latino Lucrécio (séc. I a.C.)? Se há um Deus, por que Ele não nos dá tudo aquilo que um mundo sem Deus nos sonega?
Evito, leitor, tratar aqui do mistério da fé, que poderia, sim, responder a algumas perplexidades. O que me interessa neste texto é a mensagem do Cristo como uma ética entre pessoas, povos e até religiões. Não pretendo, com isso, solapar a dimensão mística do Salvador, mas dar relevo a sua dimensão humana. O cristianismo é o inequívoco fundador do humanismo moderno porque é o criador do homem universal, de quem nada se exigia de prévio para reivindicar a condição de filho de Deus e irmão dos demais homens. É o fundamento religioso do que, no mundo laico, é o princípio da democracia contemporânea. Não por acaso, a chamada “civilização ocidental” é entendida, nos seus valores essenciais, como “democrática” e “cristã”. Isso tudo é história, não gosto ou crença.
Falo das iniqüidades porque é com elas que se costuma contrastar a eventual existência de uma ordem divina. Segundo essa perspectiva, se o Mal subsiste, então não pode haver um Deus, que só seria compatível com o Bem perpétuo. Ocorre que isso tiraria dos nossos ombros o peso das escolhas, a responsabilidade do discernimento, a necessidade de uma ética. Nesse caso, o homem só seria viável se isolado no Paraíso, imerso numa natureza necessariamente benfazeja e generosa. O cristianismo – assim como as demais religiões (e também a ciência) – existe é no mundo das imperfeições, no mundo dos homens. Contestar a existência de Deus segundo esses termos corresponde a acenar para uma felicidade perpétua só possível num tempo mítico. E as religiões são histórias encarnadas, humanas.
Em Auschwitz, no Gulag ou em Darfur, vê-se, sem dúvida, a dimensão trágica da liberdade: a escolha do Mal. E isso quer dizer, sim, a renúncia a Deus. Mas também se assiste à dramática renúncia ao homem. Esperavam talvez que se dissesse aqui que o Mal Absoluto decorre da deposição da Cruz em favor de alguma outra crença ou convicção. A piedade cristã certamente se ausentou de todos esses palcos da barbárie. Mas, com ela, entrou em falência a Razão, humana e salvadora.
Fé e Razão são categorias opostas, mas nasceram ao mesmo tempo e de um mesmo esforço: entender o mundo, estabelecendo uma hierarquia de valores que possa ser por todos interiorizada. As cenas das mulheres de Darfur fugindo com suas crianças, empurradas pela barbárie, remetem, é inevitável, à fuga de Maria e do Menino Jesus para o Egito, retratada por Caravaggio (1571-1610) na imagem que ilustra este texto – o carpinteiro José segura a partitura para o anjo. As representações dessa passagem, pouco importam pintor ou escola, nunca são tristes (esta vem até com música), ainda que se conheça o desfecho da história. É o cuidado materno, símbolo praticamente universal do amor de salvação, sobrepondo-se à violência irracional que o persegue.
Nazismo, comunismo, tribalismos contemporâneos tornados ideologias… São movimentos, cada um praticando o horror a seu próprio modo, que destruíram e que destroem, sem dúvida, a autoridade divina. Mas nenhum deles triunfou sem a destruição, também, da autoridade humana, subvertendo os valores da Razão (afinal, acreditamos que ela busca o Bem) e, para os cristãos, a santidade da vida. Todas as irrupções revolucionárias destruíram os valores que as animaram, como Saturno engolindo os próprios filhos. O progresso está com os que conservam o mundo, reformando-o.
Pedem-me que prove que um mundo com Deus é melhor do que um mundo sem Deus? Se nos pedissem, observou Chesterton (1874-1936), pensador católico inglês, para provar que a civilização é melhor do que a selvageria, olharíamos ao redor um tanto desesperados e conseguiríamos, no máximo, ser estupidamente parciais e reducionistas: “Ah, na civilização, há livros, estantes, computador…” Querem ver? “Prove, articulista, que o estado de direito, que segue os ritos processuais, é mais justo do que os tribunais populares.” E haveria uma grande chance de a civilização do estado de direito parecer mais ineficiente, mais fraca, do que a barbárie do tribunal popular. Há casos em que é mais fácil exibir cabeças do que provas. A convicção plena, às vezes, é um tanto desamparada.
Este artigo não trata do mistério da fé, mas da força da esperança, que é o cerne da mensagem cristã, como queria o apóstolo Paulo: “É na esperança que somos salvos”. O que ganha quem se esforça para roubá-la do homem, fale em nome da Razão, da Natureza ou de algum outro Ente maiúsculo qualquer? E trato da esperança nos dois sentidos possíveis da palavra: o que tenta despertar os homens para a fraternidade universal, com todas as suas implicações morais, e o que acena para a vida eterna. O ladrão de esperanças não leva nada que lhe seja útil e ainda nos torna mais pobres de anseios.
O cristianismo já foi acusado de morbidamente triste, avesso à felicidade e ao prazer de viver, e também de ópio das massas, cobrindo a realidade com o véu de uma fantasia conformista, que as impedia de ver a verdade. Ao pregar o perdão, dizem, é filosofia da tibieza; ao reafirmar a autoridade divina, acusam, é autoritário. Pouco afeito à subversão da autoridade humana, apontam seu servilismo; ao acenar com o reino de Deus, sua ambição desmedida. Em meio a tantos opostos, subsiste como uma promessa, mas também como disciplina vivida, que não foge à luta.
Precisamos do Cristo não porque os homens se esquecem de ter fé, mas porque, com freqüência, eles abandonam a Razão e cedem ao horror. Sem essa certeza, Darfur – a guerra do forte contra o indefeso, da criança contra o fuzil, do bruto contra a mulher –, uma tragédia que o mundo ignora, seria ainda mais insuportável.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Dez 2008 | sob: Política
Devo estar mais presente neste final de ano do que de costume. Vai lá então mais uma boa dose de realidade, com a reportagem de Luís Fernando Bovo, na Folha deste 26 de dezembro:
Imposto sindical financia viagens, prédio e sardinhada contra os juros
Governo repassa R$ 61 mi às seis centrais, dinheiro equivalente a 10% do que é arrecadado com a contribuição
Compra de um prédio, aluguel de salas, pagamento de dívidas, reembolso de viagens, custeio de congressos, remuneração de companheiros e uma sardinhada contra o aumento dos juros em frente ao Banco Central. Essas foram algumas das finalidades encontradas pelas centrais sindicais para aplicar os R$ 61 milhões recebidos do governo federal neste ano.
Reconhecidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 31 de março, as seis centrais ganharam, além do status legal, uma parcela no bolo do que é arrecadado anualmente com o imposto sindical - valor equivalente a um dia de trabalho por ano, descontado do empregado. Esse dinheiro é hoje a principal fonte de recursos das centrais, que recebem ainda mensalidade dos sindicatos filiados.
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) ficam com 10% do total, mesmo valor que recebe o Ministério do Trabalho e Emprego.
A legalização das entidades e a transferência dos recursos sempre provocaram polêmica. Uma ação direta de inconstitucionalidade, impetrada pelo DEM, questiona a lei que garantiu o reconhecimento e a divisão do bolo do imposto. Além disso, quando sancionou a lei, o presidente vetou o artigo que obrigava as centrais a prestarem contas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Mesmo assim, o tribunal afirma que a decisão de Lula não tem valor legal e que vai acompanhar a aplicação dos recursos, mas só quando provocado (leia íntegra AQUI).
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Dez 2008 | sob: Política
Quando a imprensa noticiou que o Senado havia aprovado o aumento de 7.343 vereadores (em Porto Feliz de 10 para 13), o vereador Nando Cesar ficou eufórico. No dia seguinte, já estava na Câmara dando como certo que sairia do posto de suplente para ocupar efetivamente uma cadeira na próxima gestão. “O Senado aprovou e agora não tem volta”, entusiasmava-se. Menos de 10 horas depois, porém, veio a notícia de que a Câmara havia barrado a decisão do Senado e tudo continuaria como está.
Bob Nando é mesmo um político com elasticidade de princípios inimaginável. Vejam vocês que, quando está no exercício da vereança e com plena convicção de que seria reeleito, pensava diferente. Bem diferente mesmo. Chegou a defender a proposta de diminuir o número de 10 para nove vereadores na cidade e fez até contas de quanto o município iria economizar com um parlamentar a menos.
Vejam, no texto abaixo, divulgado pela própria assessoria da Câmara à época, como a questão foi discutida em Porto Feliz e como se portou o surfista ideológico. Os negritos são meus:
“Polêmica sobre número de vereadores para a próxima gestão”
Na 15ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal, realizada na quarta-feira, 25/06, os vereadores concentraram-se principalmente na discussão sobre o número de vereadores que Porto Feliz deverá ter para a próxima gestão. O assunto foi levantado pelo vereador Nando César argumentando que com 10 vereadores as votações de projetos ficam prejudicadas. “Acho que com 9 vereadores o voto de Minerva, dado pela presidência, passa a ter muito valor. Além disso, com um Vereador a menos vamos economizar R$ 50 mil por ano. Em quatro anos serão R$ 200 mil. Segundo nosso Jurídico, temos prazo até dia 30/06 para resolver essa questão. Peço à Presidente que convoque duas sessões extraordinárias para resolvermos isso antes do dia 30″.
A Presidente Maria Tereza de Moraes não consultou o Plenário sobre convocação para extraordinárias e disse que iria conversar com o assessor jurídico da Casa. Nei do Mercadinho salientou que essa matéria está nas mãos do Senado e que deve-se aguardar uma decisão federal para que se possa tomar qualquer atitude quanto ao número de vereadores: “Porto Feliz, pelo número de habitantes, já era para ter 9 vereadores, mas não sei por falha de quem ficamos com 10″. Nando retrucou que a Câmara pode decidir sobre a matéria independente do Senado. Em aparte, vereador Mumu disse que a população de Porto Feliz, segundo dados do IBGE, diminuiu e portanto o número de vereadores também será reduzido pelo Tribunal Eleitoral. “É desnecessária a questão posta por Nando César. Parece pedido de urgência especial que não temos tempo de analisar. Está claro que dependemos da justiça eleitoral. Por que Nando não apresentou antes essa matéria?” Gerão informou que o PSDB encaminhou ofício à juíza eleitoral sobre o assunto e aguarda uma definição. Levi reforçou as palavras de Gerão, dizendo que esteve no Fórum e também viu o ofício do PSDB para redução do número de vereadores para 9. Todos aguardam uma definição da juíza. Nando César insistiu na sua posição argumentando que, como legisladores, os vereadores podem decidir e não precisam esperar a justiça eleitoral e que os partidos não podem mudar a Lei Orgânica. Finalizando, Gerão falou sobre a representatividade do povo de Porto Feliz que será comprometida com a redução do número de vereadores: “Por que só agora levanta-se esse assunto? A função do Vereador é fiscalizar o Executivo e aqui poucos fazem isso. Será que estão querendo calar a Oposição?”
Voltei - Como bem sabem, agora Bob nando mudou de opinião, da mesma forma como saiu da oposição ferrenha ao governo petista, no início da gestão, para ser uma de seus maiores patrocinadores no legislativo. Tudo isso porque acredita que, apoiando Maffei, teria mais chances de ser reeleito. Não foi. Agora quer entrar na Câmara pelas portas do fundo.
A decisão final sobre o aumento no número de vereadores ficou para o ano que vem. Isso porque o impasse entre Câmara de Deputados e Senado foi parar no Suprempo Tribunal Federal. Na imprensa, o assunto é chamado de “A farra dos veradores”, dada a imoralidade que o aumenta representa. Mas não podemos esquecer que na República da Bananeira tudo é possível. Tudo mesmo. Moldam-se a LEI de acordo com os interesses. Bob Nando está na torcida.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 21 Dez 2008 | sob: Política
Queria comentar a polêmica em torno da proposta de aumento das cadeiras dos vereadores, aprovada pelo Senado e barrada pela Câmara. Vou lhes contar como a envergadura moral de Bob Nando vai de leste a oeste. Mas fica pra depois. Por hora, não podemos deixar passar as declarações do presidente do PT e vice-prefeito eleito, Julio Cesar Bronze, sobre a polêmica ponte em construção na Avenida Dr. Antoninho. Admite, publicamente, que os gastos com a obra viraram motivo de, vejam só, “piadinha” nos corredores da prefeitura. Gastar o dinheiro público é uma grande “diversão” para o caras vermelhas, segundo palavras do presidente e, como é mesmo?, “cidadão”:
Jornal — Acho que a maior obra do governo Maffei será a avenida dr. Antoninho. Júlio Bronze cidadão: como ele vê o problema da ponte que tanta polêmica trouxe a esta obra?
Bronze — Não vejo a hora de ver essa ponte pronta, para saber até que ponto essa polêmica tem algum fundamento ou é exagerada. Porto Feliz inteirinho acha a avenida dr. Antoninho a principal obra e eu não vejo a hora de ver essa obra pronta. O pessoal da engenharia tem argumentos [em defesa da ponte], o cidadão leigo acha esquisito, acha estranho. Inclusive a gente, no íntimo, faz algumas piadinhas com o Maffei por causa dessa ponte. Ele não gosta, ele fica bravo…
Comento – Viram só, quanto absurdo em apenas algumas linhas? Como esse Bronze fala besteira. A questão não é se a obra ficará pronta, mas sim a sua funcionabilidade. A polêmica não é se a ponte será finalizada ou não, mas sim da forma como foi feita, fora de todos os padrões da arquitetura convencional. Nem os próprios membros da administração pública parecem convencidos de que a obra está correta. E o que fazem? “Piadinha”, oras. É mesmo muito engraçado gastar DINHEIRO PÚBILCO, né não?
E de onde ele tirou que “Porto Feliz inteirinho acha a Dr.Antoninho a principal obra…”? Eu não acho. Do ponto de vista de investimentos, por exemplo, o que se gastou com a contratação da ISAMA, do petista Francisco Carlos Bernal, saiu muito mais dos cofres públicos municipal. Algo em torno de R$ 8 MILHÕES.
Do ponto de vista do desenvolvimento da cidade, a Dr. Antoninho também deixa muito a desejar. Trata-se de uma obra feita sem o planejamento adequado, tanto com relação à infra-estrutura necessária, quanto ao impacto que a nova avenida causará no comércio da Avenida Getúlio Vargas, hoje a principal entrada da cidade. São questões óbvias de planejamento urbano, mas essa administração parece mais preocupada com as aparências.
Fiquemos, por hora, focados na questão da infra-estrutura. Não foram feitas obras de contenção das laterais do leito do córrego. Hoje, ainda sem a obra estar totalmente concluída, há vários pontos onde há deslizamentos de terra nas margens.. É visível até para quem não entende nada de engenharia, como eu. É possível imaginar que logo aparecerão rachaduras no asfalto Até o “pneus de Erval”, colocados na primeira parte da avenida, aprecem ter resultado mais eficaz. Pelo menos até o momento.
Isso, meus caros, sem contar a especulação imobiliária de bastidores. Querem um exemplo? Perguntem à turma da administração petista por que eles mudaram a lei que determinava a distância mínima de estabelecimentos de ensino para a construção de postos de gasolina. Isso mesmo. Na gestão do Seu Gerúndio, mudaram a lei, e, por “coincidência”, um grupo de empresários adquiriu um terreno onde está sendo construído um dos novos postos da avenida.
Não, não me espanto com isso. No País dos Petralhas, como diz o tudo Rei, para tudo tudo se dá um “jeitinho”. Até as leis se adaptam aos interesses dos amigos.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 20 Dez 2008 | sob: Política
Semana passada a Tribuna publicou uma entrevista com o presidente do diretório municipal do PT e vice-prefeito eleito, Julio Cesar Bronze. Na mesma semana, ele havia sido intimado a depor na Delegacia de Polícia sobre o suposto caso de “corrupção de menor”, que teria ocorrido na sede do diretório, na madrugada de 29 de novembro, envolvendo o tesoureiro do PT, João Gonçalves da Costa Silva, de 58 anos. Estranhamente, o jornal não fez nenhuma pergunta sobre o assunto. Falaram apenas sobre coisas mais superficiais, como, por exemplo, o desejo do vice-prefeito eleito em investir mais na estética da cidade.
Se espremer a entrevista não sai muita coisa além das obviedades luliantes. Bem que José Neto, o entrevistador, tentou uma imersão às questões de princípios. Em vão. Bronze, o homem que defende a estética, fica sempre nas superficialidades. Vejam esta pergunta e resposta:
Pergunta — O presidente diz que não apóia as FARC [guerrilha colombiana], mas não condena abertamente o terrorismo. Ele apóia o governo de Cuba, que é uma das mais horríveis ditaduras do mundo. Não é um contra-senso você pactuar com esse tipo de gente e criticar, no seu País, a ditadura militar de 64?
Bronze — A gente não pode esquecer da diplomacia. Não é porque o meu vizinho não tem a mesma concepção política, ética, religiosa, que eu vou bater de frente. Ele está na casa dele. É lógico que você tem que tomar partido dependendo das situações, mas acho que o Lula faz isso muito bem e o País é bem-relacionado em qualquer parte do mundo. Muita gente apostava que o mundo iria virar as costas para o Brasil com o Lula no governo, e aconteceu o contrário.
Depois dessa resposta, o entrevistador percebeu que não se tira leite de pedra – só para usar a terminologia que o PT entende – e mudou de assunto. “A polêmica vai longe… Voltemos a Porto Feliz”, entendeu o jornalista.
Bronze poderia se passar muito bem por tucano. Tem todas as características. Quer dizer, então, que um governo pode ver as maiores aberrações acontecendo à sua frente e tem de manter a “diplomacia” do “não tenho nada ver com isso”? Ou “faz-de-conta- que-não-vi-nada”? E qual seria a diplomacia que Lula faz muito bem? A do ‘sífu” ou a do ‘chulé”?
Esta última, só para quem não sabe, foi o mote da piada dita pelo presidente Lula, na semana passada, durante encontro de 33 países da América Latina e Caribe, na Costa do Sauípe, em referência ao episódio ocorrido com o presidente George W. Bush, em Bagdá. “Gente, por favor. Ninguém tire o sapato porque, aqui, como é muito calor, a gente vai perceber antes de alguém decidir jogá-lo, por causa do chulé”. Convenhamos, não é qualquer país que tem um presidente com tamanha picardia.
Por outro lado, começo a entender porque Bronze tem tanta idolatria por Lula: ambos são afeitos às piadas. Não perdem uma oportunidade de transformar assunto sério em chiste. No início da gestão petista em Porto Feliz, quando Bronze era chefe de gabinete, se notabilizou entre os colegas por só abrir o bico para contar piada. “A gente queria discutir alguns assuntos importantes, mas tudo virava brincadeira”, disse-me um despatriado, cujo nome irei preservar. Tudo se explica: na falta de conteúdo mais substancial, faz todo mundo rir. Acabou virando vice-prefeito, em uma condição que até o Loro José conseguiria. Agora, na condição de vice eleito, confessa que a “ponte camelo”, que vai custar caro aos cofres públicos, virou motivo “piadinha” dentro da própria administração. Percebem como estão levando a sério a administração dos recursos públicos? Isso é simplesmente ridículo.
Voltemos, porém, à profundidade superficial da entrevista. Coisas do tipo: “o problema não é o PT, são algumas pessoas”. Percebem a profundidade do pensamento doutrinário? É como se o PT fosse um ser celestial, divino, magistral; o problema são os aloprados do momento. O PT é uma coisa e os militantes são outra. Na qual das duas será que ele se encaixa? Prefiro o conceito do Reinaldo Azevedo: “Nem todo petista é petralha, mas todo petralha é petista”. Fica muito mais fácil de entender.
O melhor da entrevista de Bronze foi quando ele revelou o que todo mundo sabia desde o início e o PT não admitia: Vejam o que disse, quando o jornal lhe perguntou quais os erros da gestão anterior que ele não repetiria: “Eu não sei se não cometeria, porque as coisas são levadas pelo calor do momento, pelo impacto do momento e por inexperiência. Quer você queira ou não, nenhum de nós tinha experiência de assumir o comando de uma cidade. Mas teve algumas atitudes, com pessoas, que precisaria ouvir os dois lados. Eu me lembro de um funcionário que uma diretoria vivia reclamando: ‘Olha, ele está boicotando’. Chegou um momento que ele foi chamado ao gabinete com o Maffei e foi falado: ‘Olha, de hoje em diante vai ser assim, assim assim! Você está fora deste setor’. Aí, no saguão da Prefeitura, ele virou e falou pra mim: ‘Eu não fui ouvido’. Podia estar acontecendo tudo o que se falou, mas ele não foi ouvido e a gente tomou a decisão.Eu não cometeria mais esse erro, de tomar uma decisão assim, no calor do momento. O erro que eu não cometeria é esse, de querer resolver as coisas no dia, na hora. As coisas têm de ser pensadas.
Viram só? Está dito em todas as letras pelo presidente do PT e vice-prefeito eleito: temos no comando da cidade um partido cuja suscetibilidade não é compatível a quem exerce cargo público. Imaginem quantas situações e quantas pessoas passaram por isso? O PT, por dentro, tem medo dele mesmo. Não sabe do que é capaz. Boicote e perseguições são palavras recorrentes.
Acreditam que isso foi superado na primeira gestão? Eu não. Continua sendo uma governo sem norte, inexperiente e brincalhão. Podem até estar mais botinhos e perfumados por fora, mas a essência continua a mesma. É um partido para se servir do poder.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Dez 2008 | sob: Política
Fico cada vez mais impressionado com a envergadura moral dos militantes petistas. São capazes de reduzir um assunto sério de polícia para uma questão de “ética” em política. Sim, foi a isso que resumiu o presidente do PT municipal e vice-prefeito eleito da cidade, Julio César Bronze, ao falar sobre o caso do tesoureiro do partido, João Gonçalves da Costa Silva, acusado de “corrupção de menor”, dentro da própria sede do partido. Há um inquérito aberto na delegacia de POLÍCIA e o ilustríssimo senhor Bronze diz ao jornal que “vai levar o caso à comissão de ética’ do partido. Isso não é assunto de política, meu caro; é de POLÍCIA mesmo. Se liga!
É impressionante como a militância petista trata as questões de ordem legal. Eles são uma espécie de seres autônomos, com suas próprias regras, suas próprias “éticas”. São portadores de uma moral elástica. Com isso, acham que podem resolver uma questão dessa gravidade entre eles mesmos, afinal, são os soberanos da MORALIDADE. Quem somos nós, pobres mortais, para questionar os seus atos?
Imaginem vocês que, depois do ocorrido, a direção do partido recomendou que o tesoureiro deixasse a cidade, sabem por quê? Para evitar um escândalo, oras. Dizem que o tesoureiro viajou para ver o filho sabe-se lá onde. Talvez no Paraná. Ninguém do PARTIDO sabe o endereço do TESOUREIRO. Só o e-mail. Pode uma coisa dessa? Sim, claro que pode. No PT pode tudo.
Acha mesmo que isso vai virar escândalo? Não, senhor Bronze, isso não vai se transformar em escândalo. Já virou. O escândalo já aconteceu naquela madrugada do dia 29 de novembro, quando a gritaria na sede do partido acordou a vizinhança da Rua Padre Ilidro. Cabe à POLÍCIA, agora, investigar o que realmente aconteceu e o que fez uma menor de idade, de 17 anos, a acusar um senhor de 58 da forma como consta no BO da delegacia.
Mas sabem o que os petistas estão dizendo por aí? Que a garota era prostituta, já tinha dois filhos e era viciada em crack. Sim, ela própria admite seu vício, mas o que muda na história? Justifica o suposto crime que está sob investigação. Claro que não. E o senhor Bronze ainda vem falar em ética? Só se for a ética do PT, que nós muito bem conhecemos. A ética dos aloprados, dos mensaleiros, que, aliás, também teve como pivô o tesoureiro nacional do partido. Como disse, o partido de Lula é de uma idiossincrasia absolutamente incomparável, especialmente quando o assunto é corrupção, seja dos cofres públicos ou de menores de idade.
O acusado, João Gonçalves, nega tudo. Por que, então, sumiu da cidade? Por que não ficar e se defender das acusações? Por que não apresentar sua versão à Polícia? Digo-lhes por que: foi orientado pela tropa de elite do próprio partido. Isso mesmo, que quer evitar o…escândalo, como já não estivesse acontecido.
Pobre João por acreditar em seus cuuumpanheiros vermelhos e deixar a cidade. Acha que, assim, vão ajudá-lo a livrar a pele? Ledo engano. Vão é fritá-lo. Sabem o que disse um petista graduado que acompanhou o assunto bem de perto: “Já tenho os meus problemas, ele que resolva os dele’. Só faltou chamá-lo de, como é mesmo? …”aloprado”!
Para o PT, pouco importa o crime em si. O que interessa, agora, é livrar a cara do partido. Mas me digam uma coisa: quem autorizou o João a “residir” no diretório? Pelo que soube, está lá desde a eleição. Ou seja, morava no local, como uma espécie de caseiro. Desfrutava da confiança de todos, já que era o tesoureiro. A mesma confiança da população que reelegeu o partido para comandar a cidade. E olhem no que deu.
Faltam, de fato, muitas explicações. Do PT não esperem nada. Nem o paradeiro de seu tesoureiro eles sabem. Vamos aguardar o que diz a POLÍCIA.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Dez 2008 | sob: Política
Como prometi, mais um capítulo das minhas andanças por esses dias. Só para justificar o sumiço. Depois voltamos à realidade do dia a dia. Dura realidade, diga-se. O PT é mesmo caso de polícia, não de política. Mas fica pra depois…
Na seqüência de fotos abaixo, uma parte da viagem de trabalho que fiz a Salvador (BA), na semana passada, para acompanhar um leilão de cavalos Puro Sangue Lusitanos. Trata-se de uma iniciativa inédita da Coudelaria Torres, já que a Bahia não tem tradicão na criação desse tipo de raça. O tema do meu trabalho será “A redescobeta do Brasil a cavalo”.
Aproveitamos, claro, para uma breve visita ao Mercado Modelo, Elevador Lacerda e, ufa, Pelourinho. A arquitetura é simplesmente fantástica. Em alguns momentos lembra os antigos casarões da Maniçoca, que o poder público nunca fez questão de preservar. Pelo contrário. Nossos professores de história usam calças curtas. Agora com a “promessa” de acabar com os paralelepípedos. É, sabem mesmo fazer história, mesmo se for para soterrar as já existentes. Imaginem só se os prefeitos soteropolitanos pensassem assim, o que seria do Pelourinho?
Falando em “promessas”, uma breve parada nas escadarias da Igreja de Santa Bárbara. Parece mesmo que estamos dentro da obra de Dias Gomes, muito bem retratada no filme “O Pagador de Promessas”, de Anselmo Duarte. O Pelourinho todo é um grande cenário. E o que não faltam são igrejas. Chega a ter uma do lado da outra, como mostra a última foto.




Publicado por Marcelo Mastrobuono em 09 Dez 2008 | sob: Política
Antes de mexer na sujeira, um breve retrospecto dos momentos de ausência. Em prestações. Primeiro, a Grande Volta. Sim, estive lá, eu e o meu filho. Sim, comemoramos, embaixo de chuva, o que foi muito mais gostoso. Vejam a foto. Volto em seguida…

Viram só. Foi um sábado especial. A lembrança é oportuna, em razão do anúncio da chegada de Ronaldo Fenômneno para vestir a camisado do Glorioso. Já disse até veio se juntar ao bando de loucos. Seja bem-vindo. A expectativa é grande. Nem poderia ser diferente.
Volto logo mais…O tempo está exíguo.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 08 Dez 2008 | sob: Política
Saudades do blogueiro, amigos? Amanhã faço um resumo das minhas andanças e comentamos as últimas. Explico também a diferença entre militante e meliantes. Tô na área. Inté!
E.T.: Abraços e parabéns aos amigos são-paulinos (como é difícil dizer isso…rs). Mas foi merecido!