O melhores momentos do discurso de Civita
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 04 Set 2008 | sob: Política
Imagino que o texto abaixo ficou um tanto extenso para quem não está acostumado a ler. Não é o caso dos fequentadores assíduos aqui do blog, claro. Em todo caso, segue abaixo os “melhores momentos” do discurso de Roberto Civita, em razão das comemorações dos 40 anos de VEJA. Obversem com alguns pontos são perfeitamente aplicáveis à Maniçoba. Coloquei alguns negritos, só para destacar alguns pontos que achp esenciais.
“Todos os que me conhecem sabem da minha pregação permanente sobre o que chamo da indissolúvel interdependência entre a democracia, a imprensa livre a livre-iniciativa.” Entretanto, parece evidente que a simples existência de uma multiplicidade de vozes não garante a sua qualidade nem o seu comportamento ético. A velha Lei de Gresham - que postula que a má qualidade expulsa a boa - freqüentemente é aplicável também aos meios de comunicação.
“(…)nunca é demais repetir - o leitor / telespectador / internauta não é bobo. “
“(…) As empresas de comunicação devem continuar resistindo à tentação de colocar o bom jornalismo em segundo lugar na “busca do lucro a qualquer preço”.
“(…) o editorial nunca seja subordinado ou confundido com os interesses comerciais de curto prazo, seu fortalecimento inevitavelmente acabará atraindo mais leitores e anunciantes e produzindo melhores resultados ao longo dos anos.
” E(…) é fundamental não aceitar em hipótese nenhuma que a regulamentação ou tutela governamental substitua o
próprio autocontrole da imprensa, auto-regulamentação e compromisso com a sociedade.”
É claro que ainda há muitíssimo por fazer. Especialmente na frente da melhoria da educação, sem a qual não adianta falar da melhoria da mídia. E no fortalecimento da imprensa local e regional, hoje ainda dependente demais das verbas dos governos locais para poder se dedicar à essencial tarefa de fiscalizá-los..
Lembro também de ele e eu termos, em conjunto, agüentado tantas broncas, ameaças, pressões e sanções que caíam sobre a Abril enquanto VEJA insistia em dizer - ou insinuar - o que não se podia. Isso incluiu a apreensão de duas edições da revista, a censura durante quase uma década, o corte de toda e qualquer verba de publicidade do governo e suas empresas estatais em retaliação de qualquer crítica .
Mas a angústia e aflição da primeira década da revista também serviram para reforçar as nossas convicções democráticas e aumentar a capacidade de enfrentar a raiva de governantes contrariados.
Quando VEJA resolveu publicar - em maio de 1992 - as primeiras denúncias de Pedro Collor contra seu irmão Fernando, e continuou martelando o tema de corrupção nos mais altos escalões do governo com mais uma dúzia de capas nos meses seguintes, muitos dos meus supostos “amigos” deixaram de me reconhecer ou cumprimentar. Mas, quando Collor finalmente caiu, em fins de setembro, todo mundo veio dizer que eu tínhamos “salvado” o Brasil. Assim, a revista contribuiu para o triunfo da lei e para a percepção fundamental de que esta deve sempre estar acima - e não a serviço - dos governantes. O episódio também me deu a oportunidade de reconfirmar quão poucos amigos verdadeiros pode ter um editor que leva sua missão a sério.
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“(…) Contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do exercício da liberdade e do compromisso com a verdade que orienta a imprensa responsável. Como declarou Hubert Beuve-Méry, fundador do jornal francês Le Monde, o dever da imprensa é “Dizer a verdade, custe o que custar. Sobretudo se custar…”
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A liberdade só pode ser garantida pela responsabilidade. Se opusermos o poder à liberdade, a liberdade sai perdendo. Se acrescentarmos responsabilidade à liberdade, ambas saem ganhando.
“(…) honrar o compromisso que assumimos com os leitores desde o início: informá-los corretamente, contar-lhes a verdade, e opinar - sempre - com coragem e independência.”
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