Setembro 2008

Arquivo Mensal

O País dos Petralhas- Por Diogo Mainardi

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Set 2008 | sob: Política

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Um petralha indignado pergunta a Reinaldo Azevedo como ele consegue dormir em paz. Resposta:

– Com Stilnox.

E conclui:

– Por isso defendo os laboratórios, as patentes e a propriedade intelectual.

Esse é o resumo perfeito de O País dos Petralhas (Record; 337 páginas; 38 reais). O livro reúne os melhores textos de Reinaldo Azevedo sobre o petralhismo, publicados em seu blog em VEJA.com desde junho de 2006 e, antes disso, em sua coluna em O Globo. O que significa “petralha”? Um glossário, no fim do livro, esclarece:
Neologismo criado da fusão das palavras ‘petista’ e ‘metralha’ – dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa-forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o roubo social”.

O roubo social é uma disciplina que, praticada pelos operadores do petralhismo entranhados no partido e no setor público, se baseia no – como dizer? – roubo. Pode ser o roubo para eleger um candidato, ou o roubo para enlamear um opositor, ou o roubo para encher as burras de dinheiro. Em geral, tudo isso junto. Para que um petralha possa roubar sem constrangimentos, ele precisa contar com a cumplicidade de outros petralhas, enfronhados na imprensa, na internet, nas salas de aula, nos gabinetes, nos tribunais, nas delegacias, nas rodas de samba. O papel deles é fazer a defesa teó-rica do banditismo, acobertando todos os crimes cometidos em nome do partido. Esta é a gangue que Reinaldo Azevedo combate: a gangue que violenta as idéias, que corrompe os conceitos, que brutaliza a verdade. Se o Brasil do PT é Patópolis, Reinaldo Azevedo só pode ser o nosso Mickey.

Ele, o camundongo sabido de Dois Córregos, é o melhor blogueiro do país. O termo blogueiro, para quem está acostumado só com a imprensa escrita, pode soar ligeiramente depreciativo. Corrigindo: Reinaldo Azevedo é o melhor articulista do país. É o único capaz de passar com desenvoltura de Robert Musil à egüinha Pocotó, de G.K. Chesterton a Marilena Chaui, de Ortega y Gasset a Marco Aurélio Garcia. Com 900 000 páginas lidas todos os meses, seu blog é também um dos mais populares da internet. O resultado é espantoso: se, num dia, ele indica um filme no Youtube, como aquele sobre a pancadaria da PF em Raposa Serra do Sol, no dia seguinte o filme já contabiliza 18 000 espectadores.

Para nossa sorte (eu, Diogo, sou uma das centenas de milhares de macacas-de-auditório de Reinaldo Azevedo, e entro no blog umas cinco vezes por dia, como a média de seus leitores), o melhor articulista do país é igualmente o mais compulsivo. Reinaldo Azevedo trabalha sem parar. Até a última quarta-feira, seu blog já publicara 14 943 artigos. Dois anos atrás, os médicos abriram uma tampa em seu cocuruto e arrancaram lá de dentro dois hemangiomas ósseos do tamanho de bolas de gude. Três dias depois, no quarto do hospital, ele já estava na frente do computador, fazendo chacota de seu aspecto de golfinho Flipper e de seus tumores benignos – o único produto benigno saído de sua cachola.

Reinaldo Azevedo costuma escrever seu primeiro artigo às 3 da tarde, quando acorda, e o último às 5 e meia da madrugada, quando toma seu comprimido de Stilnox e vai dormir. Ao petralha indignado: Reinaldo Azevedo nunca dorme em paz, ele dorme em guerra. Em guerra contra os petralhas indignados, contra os esquerdopatas, contra os tocadores de tuba, contra o Apedeuta (consulte o glossário de O País dos Petralhas). Isso lhe rende, todos os dias, centenas de mensagens ofensivas. Chamam-no de canceroso, de nazista, de Opus Dei. A primeira triagem dos comentários dos leitores, em que se eliminam todos os insultos, é feita por sua mulher. Ela se chama Lilian, mas os leitores do blog a conhecem como Dona Reinalda. Há também as Reinaldinhas, suas duas filhas, Maria Clara, de 13 anos, e Maria Luíza, de 11.

Apesar de estar sempre em guerra, Reinaldo Azevedo se considera “bastante convencional”. O que isso quer dizer? Quer dizer que ele chama “crime de crime, ladrão de ladrão, bandido de bandido”. E acrescenta: “No auge de minha esquisitice, defendo o cumprimento da lei”. Essa é uma idéia repetida incessantemente ao longo do livro. Para ele, “a impunidade destrói qualquer chance de futuro. Se a lei é cumprida, entra-se numa espiral positiva de direitos e deveres”. Por isso ele se bate pelas leis e pelas regras da democracia, da gramática, da lógica, dos bons costumes e da patente dos remédios. No país dos petralhas, o assombroso é ficar do lado da lei.

Sabedoria popular

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 25 Set 2008 | sob: Política

De vez em quando, como vocês já sabem, abro a porteira da lixeira do blog para os “anônimos”, a nata intelectual da cidade. Depois que Dito Carrié ganhou um cargo público, foi o que sobrou de opinião com rima de bordel. São tão “articulados” que mal sabem escrever o nome. Mas tudo bem. Faz de conta que são interlocutores de verdade.

Sabem o que dizem? Vejam os dois comentários do post abaixo. Em síntese, sou tão ruim para a cidade que mereço candidatar-me a um cargo “político”. É a sabedoria popular. Se você não presta para nada, vai ser político. Tem gente que segue à risca…

Bem, claro que não penso assim. Consigo ver bons nomes da política e até alguns que poderiam ajudar a melhorar plantel, mas isso é uma outra história.

O missivista de cueca me pede que escreva sobre os “pontos positivos da cidade”. Mais um a escrever besteiras? Deixo isso aos caudatários honoris causa. Tô fora! Se achasse mesmo que houvesse coisas relevantes nesse sentido, escreveria, sem cobrar nada. Mas não vejo. É minha opinião, oras. Se isso incomoda tanto, vai ler outro blog. Monte o seu… Ou vai para o infintum…

Prefeitura (de SP) está impedida de repassar recursos do SUS a “terceirizados”

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 25 Set 2008 | sob: Política

A reportagem abaixo está publicada no site da Justiça Federal de São Paulo e aborda a essência da polêmica instalada na Câmara Municipal sobre o repasse de verbas do governo local para a Oscip Isama, do petista Francisco Carlos Bernal. Se você não sabe, Organizações Socias (OS) são uma variação de Oscip e ONGs. Veja, então, o que diz a sentença, com negritos meus:

A Prefeitura do Município de São Paulo está impedida de firmar contratos com entidades privadas, nomeadas “organizações sociais”, para prestar serviço público de saúde utilizando os recursos do Sistema Único de Saúde – SUS. A decisão (26/8), em sentença, é da juíza federal Maria Lúcia Lencastre Ursaia, da 3ª Vara Cível Federal de São Paulo.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), autor da ação, com a edição da Lei n.º 14.132/06, do Município de São Paulo, a prefeitura passou a transferir bens e recursos públicos do SUS para entidades privadas mediante contratos de gestão, “terceirizando” dessa forma a prestação dos serviços públicos de saúde, à semelhança do que foi feito no passado com o PAS (1995 – 2000).

Tais “organizações sociais” seriam selecionadas sem licitação e receberiam do Poder Público bens e recursos financeiros, além de servidores que seriam objeto de cessão administrativa sem controle da atividade e da aplicação dos recursos públicos geridos pelas organizações. “Esta previsão legal não atende ao interesse coletivo e colide frontalmente com os princípios e regras da Constituição Federal e da Lei Orgânica da Saúde que regem o direito à saúde através do SUS”, argumenta o MPF.

Para Maria Lúcia Ursaia, não há razão que justifique a celebração de contrato de gestão com as “organizações sociais”, com destinação de recursos orçamentários e de bens públicos móveis e imóveis, sem que haja licitação. “A não observância ao regime de Direito Público, que deve reger as relações contratuais para a prestação do serviço público por parte do Estado, é rejeitada por nosso ordenamento jurídico porque ofende o princípio da igualdade”, diz.

A juíza considerou inválidas as qualificações das entidades privadas tidas como organizações sociais, “pelo vício de inconstitucionalidade de que padece a Lei n.º 14.132/06, bem como as alterações dadas pela Lei n.º 14.482/07”, e julgou procedentes os pedidos formulados pelo MPF, condenando o Município de São Paulo às seguintes obrigações:

a) se abster de qualificar entidades privadas como organizações sociais para fins de atuação no Sistema Único de Saúde, bem como de firmar contratos de gestão com essas entidades que tenham por objeto a prestação de serviços públicos de saúde atualmente desenvolvidos diretamente pelo Município;

b) reassumir a prestação do serviço público de saúde à população em todos os estabelecimentos próprios que tenham sido objeto de repasse a organizações sociais, em prazo de noventa dias, a fim de assegurar a continuidade dos serviços, cessando, ao final desse prazo, os repasses de recursos financeiros às entidades;

c) se abster de ceder servidores públicos, com ou sem ônus para o erário, e bens públicos, para organizações sociais.

Por fim, a União Federal foi condenada a fiscalizar o cumprimento da decisão por parte do Município de São Paulo, aplicando as sanções cabíveis em caso de descumprimento (§ 4º do art. 33 da Lei n.º 8.080/90).

O prazo, de noventa dias corridos, para a Prefeitura de São Paulo cumprir a determinação da sentença começou a contar em 2/9/2008;

A liminar que foi proferida em 9/6/2006 estava suspensa por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. (RAN)p>

E.T.: Pela decisão acima, os vereadores da oposição deveriam receber uma “monção de aplauso”, né não?!? Além de cumprirem o seu papel de fiscalizar o Executivo, fazem cumprir a Constituição e antecipam o que determina a Justiça.

Português vai mal; matemática idem…

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 24 Set 2008 | sob: Política

Que o PT é ruim de português, nóis já sabe. Vejamos, então, como a tchurma da toca vermelha faz conta:

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Viram só? Meu amigo José Netto já falou sobre isso na sua coluna. Os números publicados pelo Estadão são apressados e refletem estatísticas da Polícia Civil sem nenhum efeito prático. Mas quem se importa com a VERDADE?

Se isso fosse real, poderíamos imaginar que faltam apenas 9% para chegarmos ao estado de VIOLÊNCIA ZERO, certo? Meu filho de oito anos sabe fazer esta conta. Você acredita nisso? Fique à vontade! Não sou pregador da fé divina. Tenho a minha e garanto que não tem nada a ver com política.

O que há de real nas ruas da cidade é algo bem diferente disso. É só ler a seção policial dos jornais.

E.T.:Nóis vai, mais nóis vorta, tão certo quanto doi mai doi é cinco

“Referência em educação” II - Concordância zero

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Set 2008 | sob: Política

Há quem diga que maltratar a língua portuguesa não é o pior dos males de nossos representantes políticos. Talvez não seja mesmo. Afinal, temos até um presidente que se orgulha em ser apedeuta. Diferente da grande maioria da população, teve todas as oportunidades de estudar, mas prefere fazer apologia da ignorância, como se fosse uma grande virtude. Assim dissemina o seu populismo.

Para um político, pior do que a concordância verbal é a falta de concordância com a VERDADE. Afirmar que Porto Feliz é “referência nacional em educação” como faz o PT é, sem sombra de dúvidas, uma delas. Veja como a MENTIRA se contradiz na prática:

educa    o - educa    o

Reparem no começo do primeiro parágrafo: “Há quatro anos, o POVO votava na esperança de um novo tempo para Porto Feliz, e ELEGEM Maffei prefeito. (…)”

No segundo parágrafo, a frase: “A EDUCAÇÂO É REFERÊNCIA NACIONAL”, que se repete no quadro da página seguinte:

educa    o 1  1 - educa    o 1  1

Pois é, pior do que a falta de concordância verbal e a falta com a verdade. Porto Feliz nunca foi referência em Educação, lamentavelmente. Vejam abaixo o ranking de onde confundiram Porto Ferreira com Porto Feliz. E o PT fica repetindo a mentira à exustâo para tentar transformá-la em verdade.

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A “referência em educação” e o atentado à gramática

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 21 Set 2008 | sob: Política

Lembrei no post abaixo as peripécias políticas do vereador Nando Cesar, hoje coligado com o prefeito petista que ele mesmo criticava por “cobrar para atender a população”. Foi Nando que disse, veja AQUI. Agora, chega às minhas mãos um pafleto de campanha, anexado com uma “indicação legislativa”, na qual ele pede ao parceiro do Executivo que construa, depois das eleições, um “fraldário com banheiros masculinos e femininos” (sic). Bem, não vamos levar ao pé da letra, porque presume-se que o nobre vereador quis dizer fraldário “e” banheiros.

O que não dá para ignorar é um ex-presidente da Câmara lançar às ruas uma panfletagem que é um verdadeiro atentado à língua portuguesa. Leiam a “justificativa”:

campanha fernando cesar 1 2 3 - campanha fernando cesar 1 2 3

Viram só? Em cinco linhas e meia, ele assassina a concordância (…aposentados, moradores da zona rural e as futuras mamães, SENTIU e SENTE muito a falta de um banheiro…) e ainda coloca uma vírgula separando o sujeito do verbo. Pobre coitada da bela e culta. Mas não se preocupem, porque o vereador diz em seu panfleto que “Educação é a base do desenvolvimento para a nossa cidade. E o vereador Nando Cesar desde o início do mandato vem dedicando atenção especial a essa área”. Imaginem se não estivesse… No mesmo panfleto, as palavras do prefeito de apoio do Cláudio Maffei: “Quando Nando foi Presidente da Câmara Municipal a cidade progrediu mais”. Baseando-se na gramática e concordância verbal da panfletagem de Nando, não tenho dúvidas disso.

Como diz o PT, Porto Feliz é “referência nacional” em educação. Nando Cesar assina embaixo, literalmente. E que se dane a gramática da Língua Portuguesa.

Recordar é viver II - Nando Cesar diz que Maffei cobra R$ 3 para receber a população

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 18 Set 2008 | sob: Política

Bateu a nostalgia. Fui na TV VIU! regastar a história da PortoPrev e, vejam só, lá estava o vereador Nando Cesar reclamando de… Maffei. Minha nossa, como as coisas mudam, né não? Revejam o filme AQUI.

Viram só? Nando falou isso na Câmara. Na época, fiz uma notinha na minha coluna da VIU! e, depois de dois anos, os petrorianos de Maffei estão me acusando de “ofender a municipalidade” só porque relatei o caso. Ouça novamente AQUI e digam se é possível investir DINHEIRO PÚBLICO em uma ação judicial baseada em mentiras.

Nando Cesar, hoje coligado com o partido de Maffei, não ofendeu a municipalidade. Muito menos eu que apenas reproduzi a informação proferida em Câmara e que corria aos quatro cantos da cidade. Continuo defendendo o que é FATO. Nando, sei lá, segue suas conveniências. Cada um tem a sua envergadura moral.

Caso PortoPrev: Recordar é viver

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 18 Set 2008 | sob: Política

O candidato do PT à reeleição, Claudio Maffei, requisitou na Justiça “direito de resposta” no programa de seu concorrente, Erval Steiner (PV), porque o ex-prefeito se referiu ao caso da PortoPrev em seu programa de campanha. Steiner tem até amanhã às 18h para apresentar uma justificativa à Justiça Eleitoral, que avaliará se cabe ou não o pedido do PT.

Vou ajudar você, caro leitor, a refrescar a memória sobre o assunto, com a reportagem de mais de 10 minutos da TV TEM. Bem, naquela época a TV TINHA uma postura, como vou dizer?, bem mais jornalística sobre os aconteceimentos aqui em Porto Feliz. Depois que o dono da emissora, J.Hawilla, conseguiu o apoio da Prefeitura para patrocinar as obras de terraplanagem no terreno do Desportivo Brasil, assoreando o Ribeirão Avecuia (veja aqui) , as coisas mudaram. E como mudaram…

De qualquer forma, a reportagem está nos arquivos da TV Viu!, que continua do lado do bom jornalismo. Veja AQUI e tire suas próprias conclusões:

EM TEMPO: Se quiser saber mais sobre o caso, digite a palavra PortoPrev no ícone de busca do blog. Verá coisas fantásticas, como, por exemplo, a confissão pública do pefeito que “assina sem ler”. Veja AQUI

Para aonde vai o dinheiro da Saúde?

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 17 Set 2008 | sob: Política

Depois da polêmica montada em torno da intervenção da Santa Casa, parece que veio à tona a tal da Isama, uma Oscip (variação de ONGs) que já recebeu mais de seis milhões do governo petista de Cláudio Maffei. Fiquei intrigado com a história e fui tentar saber quem estava por trás dessa Organização. Comecei pelo presidente: Francsico Carlos Bernal da Costa Seguro.

Confesso que não foi muito fácil, mas acabei descobrindo que, vejam só, o peixe mais graúdo da tal instituição é de São Bernardo do Campo, berço dos petralhas. Como não faço o tipo de “jornalista” que dá palpite sem tirar o traseiro da cadeira, fui até lá consultar os arquivos do Diário do Grande ABC. Se tivesse algo de interessante, ali era o local onde poderia encontrar as respostas. Bingo!

Como mostra a reportagem da Revista Viu! que está nas bancas, Francisco Carlos Bernal é um ex-fundador do PT da região do ABC. Foi secretário de Saúde da gestão do então petista Maurício Soares e depois saiu candidato a vice-prefeito pelo PT, em 1992, na chapa encabeçada por Djalma Bom.

Está tudo lá nos arquivos do jornal. Tem até umas fotos do Bernal barbudo, no melhor estilo…PT. Depois mostro para vocês. Por hora, vejam a foto abaixo, na qual já aparece sem barba, com cara de bom moço. Dificilmente você o verá pelas ruas da cidade. Mas é bom que fique conhecendo a pessoa que recebe milhões do governo local para “gerenciar” o Programa Saúde da Família (PSF), que a diretora de Saúde de Maffei, Claudia Meirelles, defende com tanto empenho na Câmara municipal. Agora faz sentido!

A reportagem completa vc lê na Revista Viu!, nas bancas!

BERNAL2 - BERNAL2

Nas bancas, velhinhos e velhacos

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 08 Set 2008 | sob: Política

VIU74 - VIU74

Extra: Justiça suspende “taxa dos bombeiros”

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 04 Set 2008 | sob: Política

O site da Revista Viu! dá, em primeira-mão, que uma liminar obtida pelo Procurador geral de Justiça do Estado, Fernando Grella Vieira, suspende a cobrança da famigerada “taxa dos bombeiros”. Segundo ele, o município não tem competência para administrar tal serviço, muito menos para cobrar por ele.

Leia a reportagem AQUI

Bem, muito se especulou sobre a cobrança da taxa e, vejam só, acabamos no que sempre defendi aqui. É INCONSTITUCIONAL. Digitem a palavra “bombeiro” no canal de busca do blog e verão. Não, não sou um expert em Direito. Apenas tenho boas leituras e boas fontes, o que me dá amparo para formular opinião com argumentos. É muito diferente do que dar palpite sobre tudo e inverter a ordem dos valores.

Ah, para quem “déilão” ou “quinzão” não faz diferença, pode continuar pagando. O PT agradece!

O melhores momentos do discurso de Civita

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 04 Set 2008 | sob: Política

Imagino que o texto abaixo ficou um tanto extenso para quem não está acostumado a ler. Não é o caso dos fequentadores assíduos aqui do blog, claro. Em todo caso, segue abaixo os “melhores momentos” do discurso de Roberto Civita, em razão das comemorações dos 40 anos de VEJA. Obversem com alguns pontos são perfeitamente aplicáveis à Maniçoba. Coloquei alguns negritos, só para destacar alguns pontos que achp esenciais.

“Todos os que me conhecem sabem da minha pregação permanente sobre o que chamo da indissolúvel interdependência entre a democracia, a imprensa livre a livre-iniciativa.” Entretanto, parece evidente que a simples existência de uma multiplicidade de vozes não garante a sua qualidade nem o seu comportamento ético. A velha Lei de Gresham - que postula que a má qualidade expulsa a boa - freqüentemente é aplicável também aos meios de comunicação.

“(…)nunca é demais repetir - o leitor / telespectador / internauta não é bobo. “

“(…) As empresas de comunicação devem continuar resistindo à tentação de colocar o bom jornalismo em segundo lugar na “busca do lucro a qualquer preço”.

“(…) o editorial nunca seja subordinado ou confundido com os interesses comerciais de curto prazo, seu fortalecimento inevitavelmente acabará atraindo mais leitores e anunciantes e produzindo melhores resultados ao longo dos anos.

” E(…) é fundamental não aceitar em hipótese nenhuma que a regulamentação ou tutela governamental substitua o
próprio autocontrole da imprensa, auto-regulamentação e compromisso com a sociedade.”

É claro que ainda há muitíssimo por fazer. Especialmente na frente da melhoria da educação, sem a qual não adianta falar da melhoria da mídia. E no fortalecimento da imprensa local e regional, hoje ainda dependente demais das verbas dos governos locais para poder se dedicar à essencial tarefa de fiscalizá-los..

Lembro também de ele e eu termos, em conjunto, agüentado tantas broncas, ameaças, pressões e sanções que caíam sobre a Abril enquanto VEJA insistia em dizer - ou insinuar - o que não se podia. Isso incluiu a apreensão de duas edições da revista, a censura durante quase uma década, o corte de toda e qualquer verba de publicidade do governo e suas empresas estatais em retaliação de qualquer crítica .

Mas a angústia e aflição da primeira década da revista também serviram para reforçar as nossas convicções democráticas e aumentar a capacidade de enfrentar a raiva de governantes contrariados.

Quando VEJA resolveu publicar - em maio de 1992 - as primeiras denúncias de Pedro Collor contra seu irmão Fernando, e continuou martelando o tema de corrupção nos mais altos escalões do governo com mais uma dúzia de capas nos meses seguintes, muitos dos meus supostos “amigos” deixaram de me reconhecer ou cumprimentar. Mas, quando Collor finalmente caiu, em fins de setembro, todo mundo veio dizer que eu tínhamos “salvado” o Brasil. Assim, a revista contribuiu para o triunfo da lei e para a percepção fundamental de que esta deve sempre estar acima - e não a serviço - dos governantes. O episódio também me deu a oportunidade de reconfirmar quão poucos amigos verdadeiros pode ter um editor que leva sua missão a sério.

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“(…) Contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do exercício da liberdade e do compromisso com a verdade que orienta a imprensa responsável. Como declarou Hubert Beuve-Méry, fundador do jornal francês Le Monde, o dever da imprensa é “Dizer a verdade, custe o que custar. Sobretudo se custar…”

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A liberdade só pode ser garantida pela responsabilidade. Se opusermos o poder à liberdade, a liberdade sai perdendo. Se acrescentarmos responsabilidade à liberdade, ambas saem ganhando.

“(…) honrar o compromisso que assumimos com os leitores desde o início: informá-los corretamente, contar-lhes a verdade, e opinar - sempre - com coragem e independência.”

Os 40 Anos de VEJA e o Brasil que Queremos Ser

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 03 Set 2008 | sob: Política

Reproduzi abaixo o discurso de Roberto Civita sobre as comemorações dos 40 anos da revista Veja. Comento depois, em momento oportuno. Se você quer saber algo mais sobre estado Democrático de Direito e liberdade de imprensa, não deixe de ler. Creio que compartilhamos pensamentos em dimensões diferentes, óbvio:

“É para mim - e para todos os meus colegas da Abril - uma enorme alegria e uma grande honra poder receber tantos amigos e presenças ilustres neste dia em que comemoramos os 40 anos de VEJA.

Para nossa satisfação e orgulho, VEJA continua sendo a maior, mais influente e mais prestigiada revista brasileira. Acima de tudo, atribuímos isso ao compromisso permanente da revista com seus mais de 5 milhões de leitores com a defesa intransigente dos interesses do Brasil.

Estamos aqui hoje, à luz do dia, principalmente porque nos ocorreu que, em vez de promovermos mais uma festa com discursos relembrando o passado, seria muito mais útil e estimulante passar um dia em companhia das pessoas mais influentes do Brasil debatendo as alternativas para o país que queremos ser.

E é exatamente isso que estamos fazendo aqui, por meio de seis importantes debates sobre os grandes temas da democracia, economia, educação, meio ambiente, imprensa e megacidades, e também de breves discursos de quatro grandes lideranças políticas expondo a sua visão do que significa governar para a próxima geração.

Para mim e para meus colegas da Abril, a discussão permanente desses temas que afetam a todos nós faz parte não apenas da nossa missão e vocação editorial mas também da própria essência da imprensa livre, que - por sua vez - é ao mesmo tempo fruto e esteio da democracia.

Todos os que me conhecem sabem da minha pregação permanente sobre o que chamo da indissolúvel interdependência entre a democracia, a imprensa livre a livre-iniciativa. Isso pode parecer óbvio (como acontece com todas as grandes verdades após a sua formulação), mas é absolutamente essencial para entender que a multiplicidade de vozes necessárias para garantir e fortalecer a democracia só pode existir numa sociedade em que a liberdade de imprensa é assegurada e na qual a entrada é franqueada a quem quiser e puder se habilitar; em uma sociedade em que existe a liberdade de empreender e em que a concorrência em todas as frentes gera a publicidade, que - por sua vez - fecha o círculo virtuoso ao viabilizar a existência de múltiplos meios de comunicação.

“Todos os que me conhecem sabem da minha pregação permanente sobre o que chamo da indissolúvel interdependência entre a democracia, a imprensa livre a livre-iniciativa.”

Entretanto, parece evidente que a simples existência de uma multiplicidade de vozes não garante a sua qualidade nem o seu comportamento ético. A velha Lei de Gresham - que postula que a má qualidade expulsa a boa - freqüentemente é aplicável também aos meios de comunicação.

Felizmente, porém, acho que isso não é o que estamos vendo no Brasil. Embora existam (e sempre existirão) jornais, revistas, televisões e rádios sem qualquer preocupação com padrões de ética ou qualidade - e apesar do ainda péssimo nível geral da educação em nosso país -, tudo indica que o público acaba preferindo o conteúdo de melhor qualidade - tanto eletrônico quanto impresso.

Imagino que isso só é assim porque - como nunca é demais repetir - o leitor / telespectador / internauta não é bobo. E também porque acredito que haja outro círculo virtuoso em ação: à medida que o nível da mídia se eleva, à medida que são produzidas reportagens e matérias mais inteligentes, mais bem pesquisadas, mais claras e mais bem apresentadas, o público passa a ser mais exigente e a valorizar os veículos que atendem suas expectativas.

Isso significa que as empresas de comunicação devem continuar resistindo à tentação de colocar o bom jornalismo em segundo lugar na “busca do lucro a qualquer preço”. Evidentemente, não significa que essas empresas não precisem ser rentáveis - o que é essencial para poder investir, se desenvolver, criar empregos, pagar impostos e remunerar os seus acionistas.

Portanto, uma das principais atribuições de um bom editor é buscar o equilíbrio permanente entre a excelência e a integridade de suas publicações e a saúde econômica e financeira de sua empresa: para mim, as duas coisas não são antagônicas, mas complementares. Desde que o editorial nunca seja subordinado ou confundido com os interesses comerciais de curto prazo, seu fortalecimento inevitavelmente acabará atraindo mais leitores e anunciantes e produzindo melhores resultados ao longo dos anos.

É também preciso impedir que a tendência inevitável à consolidação não acabe reduzindo excessivamente o leque de fontes de informação e opinião diferentes à disposição do público. E é fundamental não aceitar em hipótese nenhuma que a regulamentação ou tutela governamental substitua o próprio autocontrole da imprensa, auto-regulamentação e compromisso com a sociedade.

É claro que ainda há muitíssimo por fazer. Especialmente na frente da melhoria da educação, sem a qual não adianta falar da melhoria da mídia. E no fortalecimento da imprensa local e regional, hoje ainda dependente demais das verbas dos governos locais para poder se dedicar à essencial tarefa de fiscalizá-los. Mas, acredito, é só pensar nas conquistas e avanços dos últimos tempos - especialmente nas frentes das denúncias do mensalão e a corrupção endêmica, da discussão cada vez mais racional da gestão da inflação e da economia; da transparência crescente das contas públicas e da conscientização cada vez maior do eleitorado - para constatar que a imprensa brasileira está progredindo aceleradamente.

“É claro que ainda há muitíssimo por fazer. Especialmente na frente da melhoria da educação, sem a qual não adianta falar da melhoria da mídia.”

Precisamos continuar por esse caminho auspicioso - sempre dentro de uma moldura ética, mantendo a primazia do princípio sobre a conveniência, e não esquecendo a nossa responsabilidade permanente com os indivíduos, o público, a nação e até com o futuro do planeta.

Antes de prosseguir com o almoço, o dia e os debates, permitam-me fazer algumas considerações e reflexões sobre como chegamos aqui e no que acreditamos.

VEJA nasceu em setembro de 1968 porque meu pai e nosso saudoso fundador, Victor Civita, resolveu permitir que eu, seu filho mais velho, lançasse a revista semanal de informação que vinha imaginando desde minha chegada na empresa dez anos antes.

Lembro-me do orgulho dele na noite em que VEJA nasceu, da sua aflição quando - apenas três meses depois - chegou o AI-5 e a censura, dos longos anos em que a revista perdia todo o dinheiro que a Editora ganhava e das múltiplas vezes em que ele concordou em me dar “mais três meses” para chegar ao equilíbrio.

“Lembro-me do orgulho dele (Victor Civita) na noite em que VEJA nasceu, da sua aflição quando - apenas três meses depois - chegou o AI-5 e a censura.”

Lembro também de ele e eu termos, em conjunto, agüentado tantas broncas, ameaças, pressões e sanções que caíam sobre a Abril enquanto VEJA insistia em dizer - ou insinuar - o que não se podia.

Isso incluiu a apreensão de duas edições da revista, a censura durante quase uma década, o corte de toda e qualquer verba de publicidade do governo e suas empresas estatais em retaliação de qualquer crítica e - não menos importante - o veto permanente à entrada da Abril em rádio ou televisão.

Mas a angústia e aflição da primeira década da revista também serviram para reforçar as nossas convicções democráticas e aumentar a capacidade de enfrentar a raiva de governantes contrariados.

Também contribuiu para isso outra grande turbulência, dessa vez que VEJA ajudou a criar: a ascensão e queda de um jovem presidente que parecia estar inaugurando uma nova era e que acabou - sem querer - acelerando o processo de maturação política do país.

Quando VEJA resolveu publicar - em maio de 1992 - as primeiras denúncias de Pedro Collor contra seu irmão Fernando, e continuou martelando o tema de corrupção nos mais altos escalões do governo com mais uma dúzia de capas nos meses seguintes, muitos dos meus supostos “amigos” deixaram de me reconhecer ou cumprimentar. Mas, quando Collor finalmente caiu, em fins de setembro, todo mundo veio dizer que eu tínhamos “salvado” o Brasil. Assim, a revista contribuiu para o triunfo da lei e para a percepção fundamental de que esta deve sempre estar acima - e não a serviço - dos governantes. O episódio também me deu a oportunidade de reconfirmar quão poucos amigos verdadeiros pode ter um editor que leva sua missão a sério.

Pensando bem, me ocorre que contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do exercício da liberdade e do compromisso com a verdade que orienta a imprensa responsável. Como declarou Hubert Beuve-Méry, fundador do jornal francês Le Monde, o dever da imprensa é “Dizer a verdade, custe o que custar. Sobretudo se custar…”

“Contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do exercício da liberdade e do compromisso com a verdade que orienta a imprensa responsável.”

A liberdade só pode ser garantida pela responsabilidade. Se opusermos o poder à liberdade, a liberdade sai perdendo. Se acrescentarmos responsabilidade à liberdade, ambas saem ganhando.

Evidentemente, também há enormes satisfações embutidas na gigantesca tarefa de editar VEJA, hoje tão competentemente dirigida por Eurípedes Alcântara. A principal delas é poder honrar o compromisso que assumimos com os leitores desde o início: informá-los corretamente, contar-lhes a verdade, e opinar - sempre - com coragem e independência. Há a sensação do dever cumprido no combate à tortura, à violência, ao arbítrio, à legislação anacrônica, às mentiras, ao racismo e à corrupção. Há o privilégio de trabalhar com tantos jornalistas, gestores e publicitários de talento e imaginação. E o desafio permanente de tentar explicar semanalmente os porquês e implicações dos eventos e mudanças que sacodem o Brasil e o planeta.

Há, adicionalmente, o prazer de ver a revista utilizada como ponte entre a teoria e a realidade em milhares de salas de aula de todo o país. E, acima de tudo, o orgulho de ter desenvolvido um papel fundamental na conscientização política de milhões de brasileiros, na insistência em integridade, eficácia e transparência de parte dos governos, na difícil arte de escrever claramente e bem, na preocupação com a isenção e a responsabilidade jornalística, e no fortalecimento da livre-iniciativa e das nossas instituições democráticas - como acabamos de demonstrar no episódio da escuta ilícita dos telefones do Supremo.

Pois é exatamente essa preocupação permanente de VEJA - e de um punhado de outros veículos responsáveis - que tanto tem contribuído para o aperfeiçoamento da nossa democracia num momento em que o auspicioso avanço da nossa economia às vezes mascara ou até esquece a fundamental necessidade de também reforçarmos o arcabouço institucional do Brasil. Um país que está finalmente assumindo a posição no mundo que seus extraordinários recursos naturais, a manutenção da estabilidade econômica e política e o vigor e competência de seu setor privado lhe proporcionam, não pode deixar de insistir nas múltiplas reformas básicas que ainda faltam. E no contínuo progresso na eliminação das iniqüidades sociais com as quais convivemos há séculos.

Faço votos, do fundo do meu coração, que VEJA possa continuar informando, fiscalizando, questionando e debatendo tudo isso cada vez melhor ao longo dos próximos 40 anos!

Muito obrigado!

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