Junho 2008
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Jun 2008 | sob: Política
Cada vez mais fica claro que os acontecimentos da Maniçoba são nada mais do que reflexos do que ocorre no Planalto. Isso explica, entre muitas coisas, o inexplicável, como a constrangedora situação de uma pessoa que ficou quatro anos (para dizer pouco) no governo recebendo pensão ilegal e, em vez de ser punida, ganhou o posto de “procurador-por-nomeação” do município no governo petista. Uma aberração de imoralidade. O apetite deles para se manterem no poder realmente não tem limites.
Se precisar, descem todos os degraus da imoralidade. Vejam texto publicado no blog do Reinaldo Azevedo, sobre matéria veiculada na Veja desta semana. Simplesmente, impressionante:
Leitor amigo,
Ao longo da semana, você deve ter ficado meio desarvorado, não é?, com a quantidade de coisas que viu, ouviu e leu. Sei… Soldados do Exército, a serviço de um bispo pentescostal, candidato a prefeito, cometem um crime bárbaro no Rio. A Força passa a ser quase unanimemente condenada não pelo crime que eles cometeram, mas pelo crime que ela não cometeu. A Anac, a agência reguladora da aviação, diz que a venda da VarigLog foi ilegal, sim. Mas, sustenta ela, agora já foi… Juízes eleitorais se reúnem e, num ambiente em que veículos estão sendo punidos por publicar entrevistas, os valentes têm a idéia de proibir torpedos telefônicos. Tudo em nome da democracia. Então tá bom. Você está preparado para emoções fortes? Vamos lá.
VEJA resolveu trazer à luz a notável biografia de um certo Sérgio Moraes (PTB-RS), deputado federal em primeiro mandato, eleito, imaginem vocês, presidente do Conselho de Ética. O homem é mesmo um portento. A revista também publica uma entrevista com este notável homem público, que conclui o papo com uma ameaça explícita ao repórter. Repito porque vocês podem imaginar que leram errado: o presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ameaçou, sem chance para interpretações alternativas, um repórter que cometia o pecado de entrevistá-lo.
Abaixo, publico um trecho da reportagem de Alexandre Oltramari, o repórter que revelou a existência do dossiê contra FHC, com o valente Sérgio Moraes. Também reproduzo trechos da entrevista. Num país decente, deputados recorreriam ao Conselho de Ética contra o presidente do… Conselho de Ética. E no Brasil?
RECEPTAÇÃO DE JÓIAS ROUBADAS E ENVOLVIMENTO COM PROSTITUIÇÃO
O deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS) é um estreante no Parlamento, mas já angariou um imenso prestígio entre seus pares. Em apenas dezessete meses de mandato, ele foi escolhido para um dos postos mais importantes do organograma da Câmara dos Deputados: a presidência do Conselho de Ética. O cargo, que garante visibilidade e poder, principalmente em decorrência dos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo políticos, exige isenção para expurgar amigos e correligionários quando necessário. Seu ocupante deveria apresentar, além disso, uma biografia acima de qualquer suspeita. O deputado Moraes não tem esses requisitos. O corregedor da Câmara, Inocêncio Oliveira, acusou-o de atrasar propositalmente a abertura do processo de cassação do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, envolvido em um esquema de desvio de dinheiro do BNDES. Moraes também já foi questionado por responder a ações no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas é bisonha: manter um telefone público na casa do próprio pai. A parte mais constrangedora do currículo do parlamentar gaúcho, porém, data do início de sua carreira política, quando ele foi acusado de receptação de jóias roubadas e de envolvimento com uma rede de prostituição – crime pelo qual chegou a ser condenado em primeira instância.
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A ENTREVISTA
“QUANDO A GENTE MENOS ESPERA A NOSSA HORA CHEGA…COMO É O TEU NOME MESMO?”
Seguem abaixo trechos de duas entrevistas concedidas por Sérgio Moraes à VEJA: uma por telefone e outra pessoalmente. Ele parece integrar o time reduzido das pessoas que não gostam da revista. E eu posso entender por quê.
Deputado, estamos fazendo um perfil do senhor e…
Eu já sei. Já fui informado de tudo. Vocês querem me f… Foram vasculhar a minha vida na minha cidade. Eu sei tudo o que acontece lá. Vocês querem me destruir, eu sei. A Fiesp deve estar com muita raiva do Paulinho (deputado Paulo Pereira da Silva, que responde a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética presidido por Moraes).
Estou fazendo uma reportagem…
Reportagem de m… Reportagem coisa nenhuma. Vocês gostam de sangue. A VEJA está a serviço da Fiesp, que é contra o Paulinho. Querem acabar comigo para atingir o Paulinho. Foram remexer em coisas que aconteceram vinte anos atrás…
(…)
O senhor era dono de uma casa de prostituição?
Era um bar. Tinha comida à venda. Toda a cidade ia lá. Prefeito, vereador, empresários.
Mas a sua boate era freqüentada por garotas de programa, inclusive menores de idade..
Eu não podia impedir ninguém de entrar lá(…)
Mas o senhor foi denunciado pelo Ministério Público e condenado à prisão, em primeira instância, pela Justiça.
Cuidado com o que tu fala. A VEJA é bandida. É uma guilhotina. Vocês querem sangue.
(…)
No aeroporto de Porto Alegre, depois de concluída a segunda parte da entrevista, gravada pelo deputado, ele desligou o aparelho e levantou-se da cadeira. Com o olhar fixo e o dedo em riste, avisou: “A Justiça que importa é a lá de cima. Quando a gente menos espera a nossa hora chega…Como é o teu nome mesmo?”
*
Leia na revista impressa a íntegra da reportagem e da entrevista. Nunca a ética da, digamos assim, base aliada do lulismo no Congresso esteve em melhores mãos. Ah, sim: dadas as respostas do deputado, é possível imaginar o que ele pensa sobre o processo contra o notório Paulinho da Força (PDT-SP).
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 17 Jun 2008 | sob: Política
Por Fauto Macedo, do estadão de 17 de junho de 2008:
O Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo deu início a um pente-fino nos processos de repasse de dinheiro público para organizações sociais e organizações sociais de interesse público, popularmente chamadas de ONGs (organizações não-governamentais). A auditoria mira o exercício de 2007, ano em que dezenas de prefeituras efetuaram 8.932 transferências que somaram R$ 798 milhões em favor das entidades. A projeção para 2008 é que esse montante alcance R$ 1,6 bilhão, valor que inclui liberações também do governo estadual. Leia a íntegra no Estadão.
Comento - Pois é, a Maniçoba está neste montante aí. A Oscip Isama, que assumiu o PSF (Programa saúde da Família) e paga mais de R$ 7 mil a uma enfermeira se enquando perfeitamente nesse quadro. Mas essa é só uma parte da história. Tenham um pouquinho de paciência e verão que o buraco é bem, bem mais embaixo!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 12 Jun 2008 | sob: Política
Sempre odiei a matemática… Podem esculhambar à vontade, mas não vale golpes pra baixo da linha da cintura. Com esse aí que levou Acosta, dentro da área. Assim fica mesmo difícil fazer bater a conta
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Jun 2008 | sob: Política
Hoje à noite tudo pode acontecer em Recife. Para quem gosta de probabilidades, vejam essa que resgatei do site do compatriota Juca Kfouri, que contou com a colaboração de Lusenalto Andrade Filho, diretor de Arte no Recife. São os resultados dos últimos jogos do Sport.

É isso aí! Boa sorte para nós, da grande nação alvinegra!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 10 Jun 2008 | sob: Política
Diogo Marnardi foi absolvido em ação movida por Franklin Martins. O tema de fundo era liberdade de imprensa. Ouça o que diz o “primeiro réu” AQUI em seu podcast. Há muito para se aprender sobre liberdade de imprensa e jornalismo de verdade.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 04 Jun 2008 | sob: Política
Como já disse várias vezes, a Maniçoba é o Pequeno Brasil do petismo. Vejam o editorial do Estadão de hoje, 4 de junho. Depois, revejam o post anterior.
Não provocou a menor surpresa a notícia de que só em abril último se desmataram na Amazônia 1.123 km², praticamente a área do Rio de Janeiro. Também não surpreendeu ninguém a informação de que o desmatamento acumulado na região, nos nove meses a contar de agosto do ano passado, destruiu a cobertura vegetal de 5.850 km² - quase o quádruplo da cidade de São Paulo. Isso representa um acréscimo de 15% em relação ao período de 12 meses terminado em julho de 2007 e reverte a tendência de queda dos três anos precedentes - ao mesmo tempo que mostra que essa oscilação de tendências não é conseqüência de qualquer ação do governo. Em duas décadas, a motosserra abateu algo como 17% dos 4 milhões de km² da maior floresta tropical do globo. Ou, como prefere o engenheiro Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), cujos dados provêm de dois sistemas de monitoramento por satélite, “é um campo de futebol arrasado a cada 10 segundos”.
O Inpe estima que o balanço final de 2008 confirmará a piora, voltando-se a alcançar, quem sabe, a marca assombrosa de 20 mil km² desmatados (ante 11,2 mil km² no ano passado). Isso porque o desflorestamento costuma se intensificar entre maio e julho, quando a diminuição das chuvas facilita a circulação no interior da floresta . “Colhe-se o que se plantou”, avalia o ambientalista Roberto Smeraldi, diretor da organização Amigos da Terra. “Você aumenta a exportação de ferro-gusa com carvão da floresta nativa, triplica os frigoríficos, titula ocupações de até 1.500 hectares, licencia obras ilegais e não cobra as multas: depois espera o quê?” A conclusão escancara o abismo entre os fatos evidenciados e a rósea retórica do presidente Lula, para quem “o Brasil, mais que todos os outros países, dá um exemplo de preservação para o mundo”.
O exemplo proporcionado pela gestão ambiental na Amazônia, nestes cinco anos e meio, é o da indiferença, quando não cumplicidade com as sistemáticas ações predatórias de madeireiros, pecuaristas e sojicultores, enquanto o presidente não se cansa de proclamar que “a Amazônia é nossa”, embora pouco tenha a declarar sobre o que o seu governo pretende fazer com esse patrimônio, depredado diariamente sob as objetivas dos seus satélites. O Planalto nem sequer pode invocar, como circunstância atenuante, a dificuldade de reunir conhecimentos objetivos sobre o que se passa em 60% do território nacional. Muito ao contrário, o País conta com recursos de detecção não apenas de refinada tecnologia, mas ainda redundantes: além dos programas do Inpe - o Prodes, que fornece medições anuais, esquadrinhando áreas tão reduzidas como 25 hectares, e o Deter, que mapeia em tempo real trechos acima de 100 hectares -, há o formidável complexo Sivam-Sipam, destinado, como dizem as siglas, à vigilância e proteção da Amazônia.
É abrumador o contraste entre esses recursos, que localizam as investidas do negócio da terra arrasada, e a indigência dos meios de controle das infrações e punição dos infratores. O número de fiscais do Ibama, como se sabe, é da ordem de algumas dezenas - o que seria cômico, dadas as vastidões que lhes compete vigiar, não fosse trágico. O governo dispõe, portanto, de todos os recursos necessários não apenas para reprimir as investidas dos desmatadores, mas até para preveni-las. Se não os utiliza é porque não está interessado nisso.
Agora, por exemplo, sem os quadros minimamente necessários para o Estado impor a lei, não é para ser levada a sério a decisão anunciada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de apreender gado em pastos ilegais - os “bois piratas”. Aliás, pouco do que Minc fala pode ser levado a sério.
A urgência da intervenção do poder público é acentuada pela constatação de que ao abate bruto de árvores vem se somando cada vez mais o que o Inpe denomina “desflorestamento progressivo”, a degradação gradual ocorrida em cerca de 1/3 das áreas recém-desmatadas.
Mas o novo ministro Carlos Minc, depois de afirmar que “o pior está por vir” (“os meses de junho, julho e agosto são brabos”), mata no nascedouro qualquer esperança: “Temos de rezar, orar, porque queremos que o desmate caia. Mas dificilmente teremos número inferior aos 11 mil km² do ano passado”.
O grande performer faz humor negro.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 03 Jun 2008 | sob: Política
A essa altura vocês já devem estar se acostumando com o ritmo gerundiano do blog, né não? Pois é, a convivência no trópico dos bandeirantes faz isso com a gente. Se as coisas não andam no nosso ritmo, acabamos por nos enquadrar no compasso do ambiente. Daí fica nessa letargia, quase parannnnndo! Quase…
Já tem gente falando que troquei os burros pelos cavalos. Nada disso. Piadinha de mau gosto. Primeiro porque de burros eles não têm nada. Não chega a ser o contrário, é verdade. Há uma grande diferença entre inteligência e esperteza. A primeira é natura e duradoura. Já a esperteza termina sempre na mesma vala da insipiência de onde saiu.
Mas vamos falar dos pretéritos de ontem à noite na Câmara, quando foi aberta a Semana do Meio Ambiente. Conseguem imaginar coisa mais hipócrita na Maniçoba do que isso? Ok, eu também consigo, mas vamos nos ater ao tema.
A cidade que faz vistas grossas às agressões contra sua única fonte de água não pode achar que está tudo bem. Está não! Todos os poderes constituídos não deram a devida importância ao assoreamento do Ribeirão Avecuia, causado pelas obras do Desportivo Brasil. O governo local não só fez vistas grossas, como usou recursos da estrutura pública para ser parceiro do empreendimento, colocando caminhões, tratores e funcionários públicos a serviço do dono da TV TEM. Como isso aconteceu? Ninguém sabe, e, pelo jeito, nem quer saber. Os vereadores não investigaram, os órgãos ambientais simplesmente ativeram-se à burocracia do processo fiscalizatório e até o Ministério Público, que poderia tomar alguma providência, calou-se. É a cidadania da Maniçoba cada vez mais fincada na terra.
Coincidentemente, aquele jornalismo vívido da TV TEM sumiu da cidade. A força da reportagem independente sucumbiu-se aos interesses do patrão (viram só, até parece discurso de petista desavisado …hehehehe). E ainda querem pegar no meu pé só porque fui correr atrás de uns cavalinhos. Viva a Semana do Meio Ambiente. Fui…