Abril 2008
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 29 Abr 2008 | sob: Política
Em janeiro de 1998, a dois anos e meio do fim do segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, tinha 73% de aprovação dos eleitores. Só para lembrar: duas semanas antes da realização da pesquisa, ele mentira em juízo, negando num tribunal que tivesse mantido relações sexuais com Monica Lewinsky. A mentira desencadeou um processo de impeachment contra ele, que durou até os primeiros meses de 1999. O que aconteceu com sua popularidade? Nada. Continuou lá em cima, no patamar dos 73%. Quando ele deixou o cargo, no final de 2000, sua aprovação ainda estava em 68%.
Lula é popular. Sua aprovação está beirando os clintonianos 70%. Criaram-se alguns mitos em torno disso. Primeiro mito: Lula é um caso inexplicável, atípico. Segundo mito: a oposição não deve fazer oposição, se seu objetivo é ganhar em 2010. Terceiro mito: Lula pode fazer o que bem entende e, se ele não se candidatar a um terceiro mandato, deveremos agradecer unicamente ao seu espírito democrático.
Três engodos. A popularidade de Clinton se manteve alta porque a economia americana, de 1997 até 2000, cresceu a uma taxa superior a 4% ao ano. É exatamente o que está acontecendo com Lula. O eleitorado é assim mesmo: maricas e reacionário. Isso não significa que a discussão sobre o país tenha de ficar paralisada. Pelo contrário. A estratégia dos republicanos foi bater cada vez mais forte em Clinton. Deu certo. Apesar de manter a popularidade, Clinton perdeu a capacidade de ditar a agenda política dos Estados Unidos, tornando-se progressivamente mais irrelevante. O tempo passou e, hoje em dia, ele é um peso morto até mesmo para a campanha de sua mulher.
Ouça íntegra e leia íntegra AQUI
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 29 Abr 2008 | sob: Política
Veja abaixo o editorial da Folha de S. Paulo de hoje, sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi. Nas últimas duas linhas, uma explicação involuntária do jornal diz por que a Maniçoba tem de pagar “taxa de bombeiros”, uma vez que o serviço é uma obrigação do Estado e não deveria ter seus custos repassados aos munícipes.
AS “OCUPAÇÕES”, eufemismo para invasões, estimuladas pela administração Lula não se restringem ao setor agrário. Com financiamento estatal bilionário e apoio dos fundos de pensão controlados pelo governismo, duas companhias telefônicas acabam de “ocupar” um terreno irregular. A aquisição da Brasil Telecom pela Oi dá-se a contrapelo das normas anticoncentração responsáveis pelo sucesso da privatização da telefonia no país.
Como os contumazes invasores de terra, os artífices das negociações da “supertele verde-amarela” não temem repressão do Estado. Pelo contrário, estão certos de que serão, ao fim e ao cabo, premiados com a assinatura do presidente da República no decreto que, após o fato consumado, sacramentará o popular “liberou geral” nas regras para atuação desses gigantes empresariais em território nacional.
Invadidos em seus direitos podem se sentir os consumidores, diante do acúmulo de 78% no mercado de internet por linha discada e de 59% no por banda larga na chamada Região 1 (Minas, Rio e outros 16 Estados). Estarão expostos aos efeitos colaterais de uma decisão de gabinete, submetida à ação exclusiva de lobbies políticos e empresariais, que têm propensão genética a misturar-se na falta de luz.
O que o BNDES afirma tratar-se de uma consolidação de capital estratégica para o “interesse nacional” beneficia basicamente duas empresas privadas. O segundo grupo de felizardos, mais difuso, vai se locupletar com as gordas comissões, explícitas ou implícitas, que o negócio vai movimentar. Nenhum tijolo será assentado com os R$ 2,6 bilhões de dinheiro público oferecido pelo banco estatal para viabilizar a aquisição.
Não haverá garantia de criação de um único posto de trabalho. O negócio “estratégico” é tão pouco promissor nesse aspecto que um acordo teve de ser feito para que não haja demissões nos próximos três anos. O BNDES afirma que não vai colocar dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador, constituído por impostos, no negócio, mas que vai usar recursos da sua carteira de ações.
Não existiriam meios de movimentar R$ 2,6 bilhões dessa carteira que gerassem mais empregos e investimentos produtivos, num país com carências gravíssimas na infra-estrutura e que precisa atrair setores industriais de ponta tecnológica? Mas, na versão de “interesse nacional” do governo Lula, o cidadão paga na condição de contribuinte e continua pagando como usuário de telefonia para que uns poucos se beneficiem.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 29 Abr 2008 | sob: Política
Outro dia recebi um e-mail dando conta de que o jornalista Alexandre Garcia tinha sido demito da Globo, em razão de comentário contundente a respeito do governo. Balela! Foi nada! Já avisei aos amigos para não acreditarem em tudo que chega pela Internet. A Al Qaeda eletrônica do PT que é capaz de coisas inimagináveis.
Quer um exemplo próximo: na enquete sobre a Taxa do Corpo de Bombeiros do site da Viu!, o resultado registrava uma vantagem de mais de 30% dos “contra” a cobrança. De uma hora para a outra, o quadro se inverteu substâncialmente. Havia uma vatagem de mais de 100 votos “a favor” da taxa.
Na verdade, não há nenhuma surpresa. Trata-se de uma “orquestração” muito usada pela patrulha petezóide. Eles acionam os “cupanheros” e pimba: transformam mentiras em “suas” verdades, mesmo que se trate de uma enquete sem maiores pretensões. É só ver o histórico de visitas do site e certificar-se que o número de acessos em um curto período do dia é desproporcional. Eles não são merrrrrrsssmo “espertos”?
Bem, mas voltemos à história do Alexandre Garcia. Ele continua vivinho da silva na Globo, com seus comentários mais do que contundentes no jornal Bom Dia Brasil. Veja este que segue abaixo, um dos mais completos e lúcidos que já vi e li a respeito da diferença do que é PÚBLICO e PRIVADO. Leia e faça, você mesmo, a adaptação com o realidade local. Reparem bem nos dois útimos parágrafos (com negritos meus), que transcrevo abaixo, depois do link para o vídeo:
ALEXANDRE GARCIA - Veja vídeo AQUI
Não é só uma questão de transparência nos gastos públicos, e sim uma questão de princípio, da natureza da função pública. O pior é que casos assim são cada vez mais freqüentes e desgastam cada vez mais a função pública.
O governador do Ceará, Cid Gomes, diz que não provocou despesa extra ao estado, porque o vôo é cobrado por quilômetro, e não por poltrona. Em um estado em que metade das famílias tem renda per capita de meio salário-mínimo, o que se esperava de uma viagem ao exterior é que, primeiro, fosse essencial. Segundo, que gerasse o menor gasto possível.
Se viajassem o governador, o assessor e o secretário em vôo regular, como há de Fortaleza para Lisboa, e de lá fossem aos cinco países visitados, as passagens custariam R$ 20 mil. Mais as três diárias, pouco mais de R$ 18 mil. Total: exatos 10% do que custou apenas o aluguel do jatinho, necessário para poder levar todo mundo.
O governador também alegou que, pelo menos, dez empresas do Ceará usam jatos para seus executivos. Mas o dinheiro é delas, governador, não é dinheiro do povo. Fica difícil chegar a uma democracia respeitável quando governantes não entendem a diferença entre o público e o privado.
A função pública é uma função de altruísmo. Não é uma função de desfrute, mas de sacrifício. A viagem para fora do país não é a primeira. No ano passado, ele foi a Washigton de jatinho e voltou com parada na Ilha de Saint Martin, no Caribe. E não será a última: a assembléia já lhe deu autorização prévia para viajar o quanto quiser o ano todo.
Dos 46 deputados, 44 apóiam o governador. Quando não há oposição, não há democracia. E prejudica o próprio governante, porque a crítica ajuda a evitar o erro.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Abr 2008 | sob: Política

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Abr 2008 | sob: Política
Artigo do blog do Ricardo Noblat:
Criticam o PT por ser um partido pouco confiável. Que não faz concessões a aliados. Pouco confiável, vírgula - e a venerável Associação Brasileira de Imprensa existe para assegurar a permanência da vírgula no seu devido lugar.
O PT tinha um projeto para alcançar o poder - e alcançou. Não quer largar o osso. Está sendo coerente e previsível.
Que outro partido entre nós saiu do zero e ascendeu de forma tão vertiginosa quanto o PT? Lembra da época da venda de estrelinhas e badulaques para se arrecadar dinheiro?
O PT vestiu a fantasia do partido “contra tudo que aí está”. E assim se comportou até chegar aonde está.
Votar em Tancredo Neves para presidente da transição entre a ditadura e a democracia? Nunca.
Aprovar a Constituição promulgada em 1988? Também não.
Apoiar Itamar Franco depois da queda de Fernando Collor? Esqueça.
Admitir que o Plano Real resgatou o valor da moeda e manietou a inflação? Jamais. Ou melhor: só depois de subir a rampa do Palácio do Planalto.
Deu certo ser intransigente e singular. Por que mudar agora?
Escolha a informação que preferir: Lula avalizou o veto quase unânime da Executiva Nacional do seu partido ao acordo firmado pelo PT e o PSDB mineiros para eleger um candidato do PSB prefeito de Belo Horizonte. O acordo encheria a bola do governador Aécio Neves, seu mentor e aspirante a candidato do PSDB à presidência da República.
Lula dá corda em Aécio para que ele troque o PSDB pelo PMDB. E acena com seu possível apoio mais tarde. Mas é tudo de mentirinha.
De fato, Lula estimula a divisão do PSDB entre Aécio e o governador José Serra para ao fim e ao cabo tentar emplacar como seu sucessor a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, a mãe do PAC e do dossiê contra FHC.
A outra informação: Lula considerou “uma burrice” o veto da Executiva Nacional do PT. Concorda que o prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel foi pouco hábil ao fechar um acordo com Aécio sem antes aparar eventuais arestas dentro do PT e junto a outros partidos que ajudam Lula a governar.
Mas nem por isso o veto se justificaria. Aécio tem sido um bom companheiro. E caso Dilma não decole, e como o PT carece de nomes de peso para concorrer à vaga de Lula, quem sabe Aécio não se veria tentado a largar o PSDB, aderir ao PMDB ou ao PSB, e desfilar por aí como o “candidato da união nacional”? Lula espera, portanto, que o veto ao acordo seja derrubado. E dará uma mãozinha para que seja.
Fico com a primeira informação. Da segunda aproveito um fiapo: Lula acha que Pimentel foi, sim, inábil. Por exemplo: os ministros Luiz Dulci (Secretaria-Geral da presidência da República) e Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), ambos mineiros, se queixam de que acabaram atropelados pelo acordo.
A mesma queixa é compartilhada pelo PMDB do ministro também mineiro Hélio Costa, das Comunicações, e o PR do vice-presidente da República José Alencar.
Só duas pessoas teriam a ganhar com o acordo: Pimentel, candidato a suceder Aécio como governador de Minas, e o próprio Aécio, que sonha em repetir a trajetória do avô Tancredo. Com uma diferença: é jovem e goza de boa saúde.
Lula quer comandar sua própria sucessão. Seus antecessores quiseram. O acordo mineiro estimularia a criação de um novo pólo de poder que escaparia ao seu controle.
Engana-se quem joga com a hipótese de que Lula não quer fazer o sucessor para facilitar sua volta em seguida. O PT não abrirá mão de lançar um candidato próprio a presidente. E Lula suará a camisa para elegê-lo.
Por ora o candidato é Dilma. Mas poderá ser Marta Suplicy, a depender do seu desempenho na eleição para prefeita de São Paulo. Marta é o único nome ilustre do PT paulista que escapou sem máculas aos escândalos que tiraram de cena José Dirceu, Antônio Palocci e outros.
Embora seus principais protagonistas neguem, a sucessão presidencial de 2010 passará pela eleição municipal deste ano.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Abr 2008 | sob: Política
A assistente social Jaqueline Do Rocio ALves Coelho está terminando pós-graduação quando sentiu na pele o que é ser assediada. Vejam o -email que ela encaminhou para a gente. :
Ola amigos,
Estou terminando uma pos graduação em Gestão de Pessoas. Estava escrevendo meu TCC sobre a importancia da Educação e do Trabalho na formação do Ser Social..Porem devido ao assedio moral que sofri e venho sofrendo no serviço publico, decidi pesquisar cientificamente sobre o assunto e compartilhar desse conhecimento. Criei um blog com o tema: Trabalho e assedio Moral: do prazer ao padecer, o qual é o titulo de meu TCC.
Acessem avaliem e vamos juntos lutar para que o Brasil tenha legislação especifica sobre assedio moral, isso depende do maior numero de pessoas que possam identificar, prevenir, coibir, denunciar e buscar justiça frente ao assedio moral.
Conto com apoio de vcs para divulgação do BLOG. Vejam AQUI
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Abr 2008 | sob: Política
Reportagem do O Estado de S. Paulo, por Fausto Macedo e Rodrigo Pereira:
Santa Tereza, missão da Polícia Federal que investiga suposto esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sugere envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força. O nome do parlamentar é citado freqüentemente em relatório secreto da PF, peça de 38 páginas que embasou decreto judicial de prisão de 11 suspeitos, entre eles João Pedro de Moura, que os federais classificam de “um dos principais assessores da Força Sindical, responsável pela ligação da organização criminosa com o banco”.
Paulinho foi monitorado pela Santa Tereza nos corredores da Câmara. Como na manhã de 13 de fevereiro, uma quarta-feira, quando federais disfarçados o filmaram acompanhado de Moura, amigo e ex-assessor do deputado na Força. Os agentes espreitaram por quase 3 horas o conjunto 217 do Anexo IV da Câmara, onde fica o gabinete de Paulinho, mas não chegaram a entrar.
Trecho de documento confidencial da PF informa: “Na data de 15 de fevereiro de 2008, às 17h52, Mantovani (Marcos Vieira Mantovani, empresário) confirma com João Pedro o recebimento da sua parcela do desvio do empréstimo do BNDES à Praia Grande. Ele diz que já retirou o envelope e já separou a parte do RT e do PA.”
A PF suspeita que RT são as iniciais de Ricardo Tosto, advogado de Paulinho e sucessor de Moura no Conselho de Administração do BNDES, que estava preso e foi solto no último sábado. A polícia assinala oficialmente que PA “possivelmente” é Paulinho.
No capítulo dedicado à suposta participação de Ricardo Tosto, a PF faz menção a um repasse de R$ 126 milhões do BNDES ao município de Praia Grande e acentua no primeiro parágrafo: “Tosto participa da divisão do dinheiro desviado da Prefeitura da Praia Grande. A conversa entre Manuel e Boris (integrantes do grupo), do dia 23 de janeiro de 2008, às 14h46, esclarece quem seriam os beneficiados, e as respectivas porcentagens. Relembrando, Mantovani ficaria com R$ 1,3 milhão e seria o responsável pelo pagamento de Paulinho, Tosto e José Gaspar.” Leia íntegra AQUI
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Abr 2008 | sob: Política
Dêem uma olhada no video abaixo! O grupo chama-se Criolina! Volto depois para explicar do que se trata, muito embora o som já diga por si só:
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Abr 2008 | sob: Política
A texto que segue abaixo foi produzido e divulgado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura, paga com o dinheiro do contrinuinte. É o que chamam, no jargão jornalístico, de release. Nesse caso, não chega nem perto de uma reportagem. É puro proselitismo de governo. O pior é que saiu publicado na imprensa-amiga sem mudar uma virgula. Notem o seguinte: trata-se de um acidente envolvendo um motociclista, mas o foco da ” notícia” é o Corpo de Bombeiros, que, segundo se diz, já atendeu “384 ocorrênias no município?” Mas o quê, afinal, aconteceu com o motociclista acidentado, que caiu a 40 metros do carro? : Morreu? Sobreviveu? Feriu-se? Foi grave ou não? Ah, meu caros, isso pouco importa. O governo PT não está nem aí com as pessoas; O que interessa é que agora a cidade tem “corpo de bombeiros” e é preciso justificar a cobrança da tal taxa. Só por isso o assunto virou notícia.
Por acaso, conheço a vítima. Disse-me que está tudo bem, foi apenas um grande susto. Disse-me também que ficou impressionado com sua foto na capa do jornal, sem nenhuma referência ao que, de fato, teria sofrido. É o PT ensinando como se manipula a notícia, com a imprensa bem controlada sob suas rédeas, devidamente de quatro e de costas para a população.
Só para ilustrar a situação, é o mesmo que ocorre em Brasília. Para o governo federal, pouco importa quem fez o dossiê; É preciso descobrir quem o vazou. Na Maniçoba, pouco importa quem era a vítima e o que aconteceu com ela; Para o Gerundismo nativo o que interessa é que os bombeiros estavam ali para socorrer. A conta eles mandam depois. Vejam vocês mesmos. Volto depois:

EM TEMPO - Viram só? É ou não é um absurdo? E tem mais: O acidente não ocorreu no local indicado; foi na na esquina entre a Santa Cruz (rua do Tenis Clube) e rua Francisco de Souza Morais (rua da Congregação Cristã), bem longinho da José Tomaz. Outro detalhe: na verdade o motoqueiro ficou no local onde foi atingido. Quem saiu 40 metros do local foi o carro. Ou seja, não basta manipular a informação, tem de distorcê-la. Depois dos jornalistas de cueca, agora estamos conhecendo a Assessoria de cueca a serviço do proselitismo petista! Eta Maniçoba…!!!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 21 Abr 2008 | sob: Política
O artigo que segue abaixo, do Reinaldo Azevedo, é longo, mas extremamente eloqüente para entendermos um pouco mais o estágio atual da imprensa, tomando como base o caso da menina Isabella e a atual política. É algo que vai muito mais adiante daquele clichê desnutrido de formação intelectual que o alcaide disse semana passada ao hebdomadário: “todo mundo é inocente até que se prove o contrário”. Confiram:
Assisti, como, quero crer, quase todo mundo, à entrevista de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá no Fantástico de ontem. Eles são formalmente acusados pela Polícia pela morte da menina Isabella Nardoni. A minha impressão? A imprensa brasileira está se deixando acuar pelo “inimigo” — ou, melhor ainda, “pelos inimigos”, que não são um só. O Fantástico deve ter conseguido o que o novo ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, considera o ideal (escrevi ontem sobre sua entrevista): embora o programa deva ter dado um Ibope brutal, pode estar sendo, hoje, atacado por “todos os lados”. Atacam-no aqueles que acreditam que “a mídia” — sempre ela!!! — faz julgamento sumário; atacam-no os que acreditam que o repórter Walmir Salaro foi, para dizer pouco, camarada com os entrevistados, contrariando o clamor público.
Contrariar tal clamor, em princípio, parece bom e corajoso. Mas que não se confunda isso com uma categoria moral absoluta. Antes que entre no mérito da entrevista propriamente, quero voltar à questão da imprensa acuada. O que está na origem desse processo é uma decisão política. Não sei se notaram, o casal pronunciou a palavra “mídia”, certamente, mais de uma dezena de vezes. Isso é instrução de advogados, que têm todo o direito de fazê-lo, digo desde logo. Mas um profissional da área não põe na boca de seus clientes termos que não sejam influentes.
E atacar “a mídia” como responsável por aquilo que noticia e/ou denuncia tornou-se um “botão quente”, um instrumento da defesa. Pouco importam evidências, mérito, contradições, absurdos até, o negócio é acusar “a mídia”. Um grupo de subjornalistas também passou a fazê-lo, como se mídia fosse sempre “o outro”. Alexandre e Anna Carolina pareciam, ontem, Tarso Genro ou Dilma Rousseff. Dossiê? Tudo coisa da mídia…
A grande imprensa, não raro, está começando a fazer o seu trabalho — e isto é gravíssimo — tendo de demonstrar, de saída, que ela própria não é culpada; que não é a responsável por aquilo que noticia; que não está empenhada em demonizar ninguém; que está apenas cumprindo o seu papel. Até aí, podemos dizer todos, louvem-se-lhe os cuidados. Mas uma coisa é proceder assim como norte ético; outra, diferente, é fazê-lo porque os principais interessados num jornalismo acuado passaram a ter voz ativa no debate público.
Há uma corrente de opinião — ou melhor: de pressão — que quer transformar “a mídia” na principal suspeita do país. Noto isso, hoje, de forma clara no jornalismo político. E os temores saltaram também para a cobertura de um caso de polícia. E agora comento a entrevista do Fantástico.
Outro lado
Depois da entrevista de ontem, ninguém poderá dizer que o casal não teve direito ao “outro lado” ou a uma defesa pública, feita para a mídia. Por longos minutos, uns 25 ou 30, sei lá — o que, na TV, é uma enormidade —, os dois falaram o que bem entenderam. Salaro ensaiou uma pergunta ou outra mais dura — referiu-se, por exemplo, de forma genérica, aos laudos —, mas nada que pudesse trazer alguma dificuldade aos dois. Estavam ali, certamente com a anuência dos advogados, para se defender.
Qual era a expectativa, quero crer, dos espectadores? Acho que não era diferente da minha:
- Como se explica o sangue no carro? Alguém plantou a prova?
- Como se explicam os fios de cabelo com o bulbo?
- Como se explica o sangue na fralda?
- 12 minutos separam a chegada do carro do telefonema ao resgate. O senhor subiu, deixou a menina, desceu, subiu, constatou e tragédia. Tempo hábil para que se processasse o crime, incluindo o corte da rede de proteção?
- Como se explicam os resquícios de tecido da rede em sua camiseta?
- E a marca da sola do seu chinelo no lençol?
- Os senhores acham que essas evidências técnicas são todas forjadas pela Polícia?
“Ah, Reinaldo, mas aí seria um massacre. O casal estava lá para dar a sua versão dos fatos”. Pois é. Então chegamos ao ponto que me leva ao problema. Observem: não acho que o Fantástico fez mal em ter levado ao ar a entrevista, não. Pergunto: que veículo teria recusado a possibilidade? Nenhum! Mas também acredito que isso foi detidamente negociado com os advogados de defesa — ou eles seriam irresponsáveis de expor seus clientes a um tipo de evento dessa natureza? O casal parece ter exigido uma cópia CD da entrevista. Ela foi previamente vista e liberada pelos advogados?
Numa entrevista, o normal é que o entrevistado seja apresentado às suas contradições ou às dos fatos de que é protagonista. Não se viu isso ali. O clima do encontro parecia mais ou menos este: “Vocês foram esmagados pela opinião pública até agora. O que vocês têm a dizer? Nenhuma contradição ou estranheza lhes será apresentada”. E não foram mesmo. Na conversa, mais de uma vez, a mulher emprestou objetos diretos, objetos indiretos e complementos nominais ao marido. Termos como “princesinha”, para se referir à menina, e expressões como “a gente é unido” foram repetidos exaustivamente. Menos do que a alegação de inocência — que ocupou tempo infirmo na intervenção de ambos —, eles estavam empenhados em tentar melhorar a sua imagem pública, mostrando compor uma família bem próxima da exemplar.
Observo, antes que avance, que o caso da Escola Base — um trauma das coberturas policiais — estava, de fato, recheado de absurdos: as maiores (e falsas) evidências contra os acusados vinham dos testemunhos de crianças, cheios de fantasias, como é o habitual. Neste caso de agora, ignorar ou laudos técnicos, sob o pretexto de não se promover uma condenação sumária, me parece próprio de uma mídia que está um tanto ressabiada. Não pela Escola Base, não! Essa é apenas a justificativa verossímil. O jornalismo, de maneira geral — não se trata de analisar Salaro no Fantástico —, parece um tanto na defensiva. E, ATENÇÃO, NÃO TEM MOTIVO PRA ISSO!
E aqui salto desse drama hediondo para a política de novo. Na entrevista concedida à Folha neste domingo, observa Carlos Eduardo Lins da Silva, seu ombudsman: “Acho que os jornais brasileiros perderam o poder de influenciar. O maior exemplo foi a eleição presidencial de 2006. Era claro que a maioria dos jornais preferia que Lula não tivesse vencido. No entanto, Lula teve dois terços dos votos. Da mesma forma, no momento do mensalão, a maioria dos jornais de qualidade no Brasil preferia que o desfecho fosse outro.”
Trata-se de uma fala de impressionante ambigüidade. Digamos que os jornais realmente não quisessem a reeleição de Lula, coisa de que não estou certo, mas vá lá. Havia motivos para tanto? Ou ainda: havia motivos para que quisessem outro desfecho no caso do mensalão? É preciso que fique claro nessa fala que eles não tinham “um candidato” — porque não tinham. O que se viu, nas matérias críticas ao mensalão e ao dossiê fajuto, foi a reprovação de um método.
A imprensa, em suma, não perdeu a eleição — porque ela não a disputava. Quem quer nos fazer crer nessa bobagem são os petistas. Porque, assim, podem acusar os suspeitos de sempre. E os suspeitos de sempre são um só: o jornalismo — ou “a mídia”, como diriam Alexandre Nardoni, Anna Carolina, Tarso Genro, Dilma Rousseff e praticamente todos os petistas. O PT construiu a campanha à reeleição de Lula afirmando que o candidato “da mídia” era o outro — quando ela, em peso, apoiava e apóia, por exemplo, a política econômica do governo, que foi a sua grande fortaleza eleitoral. Não duvidem: a avaliação do ombudsman será usada pelos petistas para responder a denúncias velhas e novas. E não haverá oportunismo nisso. Ela se presta perfeitamente a essa interpretação.
O crime
Volto à questão do crime e dos possíveis efeitos do evento de ontem. Por iniciativa do próprio jornalismo — em especial o da Globo, que tem sido correto, sensato, cuidadoso —, a população está bastante bem-informada sobre detalhes do caso e dos laudos técnicos. Ignorar as contradições e abrir o microfone para que falem o que deu na telha dos advogados são procedimentos que ajudam o casal? No que respeita à opinião pública, acho que eles terminaram a entrevista pior do que entraram. Digamos que o andamento todo tenha sido negociado com a defesa e que tenha sido essa a condição para que eles falassem. Duvido que algum veículo recusasse o acordo, se é que houve um. De fato, não creio que isso mude coisa nenhuma.
Fernando Sabino, já observei aqui, escreveu Zélia, Uma Paixão, relatando as memórias da ex-ministra da Economia de Collor, Zélia Cardoso de Mello. Ela falou o que bem entendeu. E ele escreveu. Zero de juízo crítico. Muita gente estrilou. Eu elogiei — sou a única pessoa, entre todos os meus amigos, que tem o livro. É que Zélia por Zélia mostrou-se uma coisa devastadora para… Zélia! O retrato que se faz ali do governo Collor é o de um bando de amadores, arrivistas e prepotentes. Sem contar, claro, a ética da tigrada. Deixar falar à vontade é um recurso e tanto do jornalismo.
Mas o que vai nos dois parágrafos acima não muda a minha convicção de que é preciso reagir à patrulha, seja cobrindo um assassinato, seja cobrindo uma falcatrua em Brasília. A isenção ou a abertura para todos os lados de uma questão não fazem das evidências, da lógica e, a depender do caso, das provas mera expressão de um dos lados do conflito.
Se a imprensa um dia mergulhar nesse relativismo, perde a razão de existir. Sem o jornalismo, as pessoas já dizem o que bem entendem, já põem as versões para circular livremente na praça. A imprensa pode ser isenta o quanto for, mas tem de ter lado: o da democracia, o do estado de direito, o das liberdades públicas, o das liberdades individuais, o do cumprimento das leis. O “outro lado” disso é a barbárie.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 17 Abr 2008 | sob: Política
Eu já estava dando o assunto por encerrado. Mas o diretor veio aqui me ameaçar, constrangendo meus colegas de trabalho. Quer ação?, então tá, vamos aos FATOS: Era por volta de 9h30, quando um sujeito careca, de cavanhaque e cara de poucos amigos começou a bater com força na porta de vidro da Viu!, gritando pelo meu nome. Perguntei quem desejava, e ele se apresentou bufando: Vicentini Gomez. Levei alguns segundos para buscar na memória quem seria a figura e…plin!!!. É o tal do diretor do documentário sobre a Maniçoba, que critiquei alguns posts abaixo, com o título: mendicância política.
Levantei-me da mesa onde trabalhava para recebê-lo pessoalmente. Mal abri a porta e o sujeito já veio gritando para cima de mim, com o dedo em riste: “agora você vai ver a miiiiinha Maniçoba”.
Dio mio, o que será isso? O cidadão estava todo afetado, não parava de gritar e começou a exigir, isso mesmo, exigir que eu fizesse uma retratação imediatamente sobre o que escrevi, se não eu iria “se ver com ele”.
Esse pessoal tem mesmo essa mania de querer intimidar. Então perguntei que papel ele estava interpretando: Pinochet? Fidel? Hugo Chaves? Ou seria o próprio Lula? Não é brincadeira não. Quem esse cidadão pensa que é? Ah, respondo com suas próprias palavras: “um artista renomado”. Foi isso que ele disse aos vereadores, quando foi pedir ajuda. Mas essa história conto mais abaixo.
Fiquemos, por hora, aos fatos da ameaça. Têm momentos que minha paciência supera minhas vontades. Depois de escutar seus berros, ainda sugeri que, se quisesse discutir o conteúdo de minhas OPINIÕES, que o fizesse de forma educada, não com gritaria e ameaças. Sou jornalista, meu caro. Você diz que é artista?, então faça o seu trabalho que eu faço o meu – disse-lhe.
Vejam só, um “artista renomado” vem até o meu local de trabalho, constrange a mim e aos meus colegas para “exigir retratação” por emitir uma opinião sobre algo de interesse público? Sempre soube que artistas são os principais baluartes da liberdade de expressão. Mas o Espermatozóide Careca parece que sofreu alguma deformação de princípios. Está mais para o lado do autoritarismo, em detrimento dos verdadeiros ideais dos autênticos artistas.
Deveria ter-lhe dado um pé no traseiro e posto para correr. Mas tenho o hábito de ser comedido e prefiro o diálogo, mesmo que seja uma discussão. Falei que, se mostrasse que havia alguma inverdade em meus comentários, atenderia ao seu pedido. É claro que não há. Tudo ocorreu de fato. Aliás, muito mais patético do que relatei.
Antes da sessão do dia 07, esse senhor foi até a Câmara municipal pedir que os vereadores indicassem cinco representantes de cada partido para participarem das filmagens. Emendou a conversa com um choramingo de que está com pouco dinheiro, que só tinha R$ 70 mil e que precisaria de muito mais para concluir o trabalho. Pediu que os vereadores o ajudassem ou indicassem alguém com grana. Ou seja, estava, subliminarmente, propondo uma troca: vocês me ajudam com a grana e aparecem no documentário. Viram só como quer contar a história da nossa cidade?
Em um dos posts abaixo, critiquei o caráter político-partidário que o diretor estava dando ao documentário. Critiquei, também, esse tipo de “arte” que insiste em sobreviver às custas de “favores” de governos e, muitas vezes, das próprias verbas públicas. São as células-tronco de algumas - cada vez mais presentes – ONGs que, ao invés de cumprirem seu papel no chamado Terceiro Setor, vivem sob as asas de recursos governamentais. Querem que os cidadãos-contribuintes sustentem a sua “arte”. Não gosto disso, ué?!?. Quem disse que os cidadãos que pagam seus impostos são obrigados a bancar esses “criadores” e suas “criaturas”? Quer fazer “arte”, fique à vontade. O mercado está aí e o céu nasceu para todos, principalmente para quem tem algum talento.
NERVOSINHO – Bem, depois do ocorrido, fui tentar saber um pouco mais do “artista-renomado”. Descobri que, entre outras coisas insignificantes, foi o protagonista da peça “Confidências de um Espermatozóide Careca”. A peça acabou, mas o apelido ficou. Descobri, também, que o diretor gosta do papel de um ditadorzinho. E não foi só comigo não. Nos sets de filmagens, ele tem os seus, como vou dizer?, ataques de nervosismo. Volta e meia grita com atores e faz aquela cena para mostrar que, ali, é o todo-poderoso.
Na última sessão, o diretor voltou à Câmara municipal e ficou todo bravinho porque os vereadores se recusaram a mandar os tais representantes dos partidos. Ele também tinha pedido para que todos fossem à sessão de paletó e gravata. O vereador Gerão se recusou: “Estamos em ano de eleição e não vou participar disso”, justificou-se, com todo direito. José Paifer “Mumu” foi na mesma linha, embora devidamente trajado. “Precisa ver direito isso, pode dar complicação”, ponderou. O espermatozóide esbravejou: “O quê vocês estão pensando? Sou um artista renomado. Sou ator da Globo; se soubesse que não iriam participar, não perderia meu tempo vindo aqui”.
Viram só? A última pessoa que ouvi falar que “era da Globo” foi o Bozó, lembram? Mas me digam uma coisa: quem pediu para esse senhor filmar na Câmara? Pelo que sei, a idéia partiu dele mesmo, né não? Podem perguntar para a dona Juliana Gutierrez, funcionária da Prefeitura que o acompanha a tiracolo. Na verdade, Juliana é agora diretora da Escola de Música, mas que sanfona será que ela toca ao lado do Espermatozóide?
Antes de prosseguir, um parêntese: por que os vereadores teriam de ir de paletó e gravata se, na verdade, não têm o hábito do traje? Que raios de documentário é esse? Por que filmar os parlamentares atuais se o restante das tomadas foi com artistas contratados? Tudo bem que o PT gosta de transformar política em pantomima, mas daí a transformar os vereadores em atores reais é uma outra história. O que me parece evidente é o caráter político-partidário com segundas intenções. E isso é feio!
CONSELHO FIGURANTE - Falei ainda hoje com Marcos Patucci, o Mafú, que preside o Conselho de Turismo da cidade. Conhece Vincentini desde o ano passado, quando o diretor apresentou seu projeto para esse tal de documentário. Junto, encaminhou o filme já realizado em Cabreúva, para ser avaliado.
Depois de assistirem à produção, o Conselho decidiu não aprovar a indicação. “Não gostamos”, disse Mafu. Um outro integrante da comissão foi mais enfático: “Era horrível”, disse. A pessoa me autorizou a publicar seu nome, mas não o farei porque sei que vem represália. Conheço os petezóides. Vou preservar a fonte.
O senhor Espermatozóide, pelo jeito, sabe como contornar as adversidades. Esperou a história esfriar e voltou com o projeto “reformulado”. Será? Foi direto à Prefeitura, onde encontrou guarida para dar prosseguimento à sua “arte”. Afinal, Seu Gerúndio adora interpretar. Desta vez, porém, o projeto nem passou pela Comissão de Turismo. “Quando vimos, ele já estava rodando. Não temos poder de veto. Só damos conselho”, diz Mafu. Para ele, o Conselho precisaria ser reformulado para que possa exercer, de fato, a sua função. Ou seja, complemento, hoje o Conselho não passa de um órgão figurativo, sem poderes.
Está aí mais uma amostra de como o governo PT atua quando está no Poder. Tudo é bonito no papel; na prática, as coisas são bem diferentes. Se você concorda, eles te dão voz e respaldo; se não aprova, arrumam um jeito de fazer do mesmo jeito. O que vale é o interesse deles!
Alguém esqueceu de avisar o Espermatozóide Careca que aqui as opiniões são independentes e não sobrevivem de verbas públicas e nem de favores de governos. Também não se vergam a ameaças dessa arte de proveta. Quer fazer mendicância política?, problema seu! Só não espere que façamos o ridículo papel de espectadores calados de suas bravatas. A nossa Maniçoba é bem maior que a sua mesquinha interpretação.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 17 Abr 2008 | sob: Política
Artigo de Eliane Cantanhêde, hoje na Folha de S. Paulo:
Agora, virou moda em Brasília. Toda vez que há um impasse, chame-se a polícia!
Em vez de investigar, identificar e prender ladrões, corruptos e traficantes de armas, de drogas e de influência –que, aliás, ela tem feito muito bem–, a Polícia Federal começa uma outra etapa. Passa a investigar estudantes pela invasão da UnB e se dedica a descobrir quem é o tal “clandestino” (nas palavras do presidente Lula) que vazou o dossiê da Casa Civil contra FHC e sua mulher, Ruth.
O, digamos, interessante das duas histórias é o alvo. Na UnB, quer-se punir os estudantes, quando o importante é descobrir quem desviava dinheiro de pesquisa para comprar lixeiras, plantas e abridores milionários para o imóvel funcional do reitor. E, na Casa Civil, procura-se quem vazou, quando o fundamental seria descobrir quem, como, quando e por que foi buscar um arquivo morto e sigiloso em outro prédio para chantagear adversário político.
Afinal, quem é o culpado aqui nessas duas situações?
O reitor, que aceitou os mimos e o luxo sem a menor cerimônia e deveria ter se afastado já no primeiro minuto? Ou os estudantes que protestam porque querem pesquisa e decência?
A chefia da Casa Civil, que determinou ou, no mínimo, autorizou o uso da máquina do Estado para fazer dossiê político? Ou quem não gostou desse modus operandi ditatorial e botou a boca no trombone e entregou os arquivos à imprensa?
Bons tempos aqueles em que os petistas eram os estudantes e líderes das passeatas indignadas contra a ditadura e pela ética na política. Não os que jogam a PF contra os estudantes.
Bons tempos aqueles em que os petistas eram os que reagiam ao modus operandi ditatorial e denunciavam os corruptos ou antiéticos em geral e eram os maiores vazadores de documentos nas repartições públicas, nos bancos oficiais, nas CPIs. A PF, ao que consta, nunca foi procurar aqueles vazadores…
Hoje, em guerra com a imprensa que divulga informações que lhes incomodam. Ontem, aliados da imprensa, do Ministério Público e da própria Polícia Federal contra tudo e todos, com culpa comprovada ou não: Collor, Ibsen Pinheiro, Alceni Guerra, Eduardo Jorge Caldas. A lista é imensa…
Enfim, a promessa de campanha foi cumprida: tudo mudou. Porque o governo Lula fez o PT mudar de lado. Os inimigos viraram amigos. Os amigos viraram inimigos. Quem protestava defende a polícia contra quem protesta. Quem vazava joga a PF em quem agora vaza.
Deve doer na alma ter de defender tudo isso. Daí tanta raiva e tanto xingamento via internet.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 15 Abr 2008 | sob: Política
Acabei de trocar a pensata da semana. Nada a ver com o último post. Brincadeirinha, é claro! Mas o assunto, agora, é outro. Trata-se da mendicância na Câmara municipal da Maniçoba. Algumas figuras fincaram acampamento no legislativo com o chapéu na mão, à espera de alguma moedinha, vamos dizer, política.
Um deles é o diretor do “documentário” sobre a Maniçoba, Vicentini Gomez. Semana retrasada pegou os vereadores antes da sessão para choramingar verba para seu filme. Disse que ainda tem R$ 70 mil, mas vai precisar de mais. Sabe qual a sua estratégia para conseguir os recursos: pediu que cada partido indicasse 5 pessoas para serem figurantes nas filmagens. Como se percebe será um documentário politizado e partidário.
Alguns empresários já haviam se queixado que “tiveram” de colaborar com o filme, já que veio um pedido do governo local. Essa é a estratégia do PT, tanto na planície quanto no planalto. Viram lá o cabide de cargos nas estatais?
O que ainda me surpreende é a mendicância dessa gente que só consegue produzir “arte” às custas do dinheiro público. Quase sempre, usam desse baixo escrúpulo de trocar merchandising por verbas. “Porto Feliz vai ganhar muito com isso”, argumentou. Então tá!
Outro que virou assíduo frequentador da Câmara é José Motta Filho, o homem que levou uma bota do PT no traseiro no início do governo, e agora volta a fazer reverência a troco de um cargo. Está apostando, é claro, que o Gerúndio vence a reeleição. Bem, cada um é dono de seu nariz e enfia-o aonde quiser.
O próprio prefeito admitiu, naquela histórica entrevista que reproduzi parcialmente abaixo, que ambos tiveram problema no início da gestão. “É, mas isso foi uma coisa de começo, de como proceder na questão de licitação. Por isso que é importante não levar a coisa para o lado pessoal”. É, eles realemente não levam nada para o pessoal: põem tudo na conta do governo.
Se o legislativo cumprisse o seu papel, pediria uma explicação sobre o quê realmente aconteceu. “Essa história de “como proceder na questão de licitação” cheira muito mal.
Como é tio do vice-prefeito Luis Gustavo, José Motta precisa de mais um voto para a Câmara aprove sua indicação para o cargo, já que existe uma lei contra o nepotismo na cidade. Uma lei, diga-se, na qual a exceção virou a regra. Pelo menos até agora. Vamos ver como a coisa se desenrola.
O que mudou de lá para cá? Ah, Seu Gerúndio se habituou melhor ao modus operandi do PT, parece. Depois que a gente faz a primeira vez, tudo fica mais fácil, não é verdade?
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 14 Abr 2008 | sob: Política
Vi hoje a entrevista do Seu Gerúndio à Tribuna. Gostei muito, acreditem! José Netto, enfim, cutucou a ferida e tirou revelações surpreendentes do prefeito. Coisas de deixar qualquer cidadão consciente de queixo caído, pasmo! Fico feliz em ver o amigo praticar o verdadeiro jornalismo, mesmo que tenha deixado algumas importantes questões de fora. O resultado, no final, foi revelador! Mostra como Maffei, depois de quase quatro anos de governo, continua despreparado para lidar com questões públicas. Mostra, sobretudo, como é indiferente a determinados princípios morais e éticos.

Selecionei algumas perguntas e respostas para comentar, como a que está acima. Reprozi esta para vocês terem absoluta certeza de que Seu Gerúndio, a maior autoridade da cidade, falou exatamente isso. Não coloquei todas só por uma questão de tempo, já que são absurdamente reveladoras. Fica para outra hora. Vamulá, com meus comentários me negrito!
TRIBUNA — O sr. esteve na Câmara para falar do PortoPrev e mídia, e mudou a pauta. O que houve?
MAFFEI — Na verdade, a explicação foi PortoPrev e mídia. A minha idéia era exatamente mostrar que o que o pessoal coloca — principalmente o que foi falado a respeito de imoralidade, alguns termos indigestos que eles têm colocado — eu mostrei o contrário. Que aqui em Porto Feliz os prefeitos sempre foram honestos, nunca teve problema nenhum e vai continuar sendo assim.
Vejam só, Seu Gerúndio não respondeu a pergunta. Mostrou nada. Saiu pela tangente e ficou no bla-bla-bla. Tinha se inscrito para abordar o tema “PortoPrev e mídia”, mas não tocou no assunto. Digressionou, assim como fez agora com a pergunta do jornal. Pelo jeito, não tem o que falar e quanto mais fala, mais se complica. Certifiquem-se que estão bem sentado para ler a resposta abaixo: Seu Gerúndio confessa publicamente que não lê o que assina. Convenham: é um prefeito diferenciado!
TRIBUNA — Em agosto do ano passado, o sr. deu uma entrevista para o jornal. Nós perguntamos sobre PortoPrev e o sr. disse que não sabia do prazo para a defesa junto ao INSS. Mas depois surgiu o ofício, assinado pelo sr. e datado de 27 de fevereiro de 2007, sobre o assunto.
MAFFEI — Aquele ofício foi colocado em cima da minha mesa, eu achava que era outra coisa, inclusive. Tem muita papelada…
Nossa Senhora, esperamos por mais de seis meses por essa resposta e olhem o que Seu Gerúndio diz. “Achava que era outra coisa“. Ah!, é mesmo? Pensou que fosse o quê, exatamente, prefeito? Um convite de inauguração? Uma receita de torta de laranja? Não leu antes de assinar? Meu Deus, alguém tem de fazer alguma coisa. Temos um prefeito que não sabe o que assina embaixo. Nuncanestepaís vi um autoridade confessar tamanha negligência com a COISA PÚBLICA. Vai saber o que mais ele assinou sem ler. Está nascendo na Maniçoba o novo mantra petista. Antes, ele “não sabia; Agora, diz que assinou pensando que “era outra coisa”. Quem foi o “aloprado” que colocou um monte de “papelada” na mesa dele? Mandem essa cara embora.
TRIBUNA — Foi um lapso?
MAFFEI — Foi um lapso de memória. Logo que a Sibele [Abreu Alves do Espírito Santo] entrou, ela me colocou a par de tudo que estava acontecendo. Tanto é que eu fui até Brasília para conversar a respeito disso.
Lapso? Boa José Netto, ajudou bem! Mas lapso do quê, afinal? Bem, vamos ver as alternativas:
1 - Lapso de ter assinado um documento da maior importância pública sem ler?
2 - Lapso de não ter se lembrado no dia da entrevista que SABIA SIM do fato, só não esperava que o documento com sua assinatura fosse publicado pela Revista Viu!, desmentindo o que havia dito ao jornal?
3 - Lapso da responsabilidade que tem como maior autoridade da cidade em dar um tipo de resposta com essa?
As três alternativas estão corretas. Maffei, o prefeito, está se enrolando todo e não convence. Piora sua situação.
TRIBUNA — Quando o sr. soube que o corretor Carlos Castanharo estava envolvido em toda essa história?
MAFFEI — Eu não fiquei nem um pouco preocupado com essa história do Castanharo. Ele passou aqui como milhares de pessoas passam. Ele veio aqui, se apresentou, ouvi tudo o que ele tinha para colocar sobre a questão dos títulos públicos e encaminhei para a Juçara. A primeira coisa que eu pergunto aqui [no gabinete] é sobre a legalidade das coisas. Eu o enviei para o PortoPrev, que é uma autarquia, e aí resolveu-se lá.
Se não ficou “nem um pouco preocupado” é porque sabia quem era Castagnaro, porque veio e o que pretendia com a grana da PortoPrev. Mais uma prova da negligência de como a maior autoridade da cidade trata a COISA PÚBLICA. Percebem a naturalidade que o prefeito demonstra ao receber em seu gabinete um sujeito que, dois meses depois, apareceu algemado em rede nacional, sob a acusação de “Lavagem de dinheiro” e “tráfico de drogas”? Minha nossa… O pior é que Castagnaro passou por aqui e levou mais de R$ 3 milhões do fundo de Pensão do funcionalismo. E o prefeito, oras, não está “nem um pouco preocupado”.
Agora, aquela parte de “milhares de pessoas” em seu gabinete só pode ser piada, né não? Se fosse verdade, imaginem quanto esse governo já teria arrecadado.
TRIBUNA — Parece que, em princípio, ela não queria receber o sr. Castanharo?
MAFFEI — Eu, sinceramente, não lembro disso. A reunião em que eu fui com o Julio Cesár Bronze, com a Caixa Econômica Federal, foi justamente isso: para explicar a questão dos títulos públicos. Foi muito tranqüilo. Tanto é que nós saímos de lá certos de que não seria feito. Foi mais para esclarecimento, e quem tinha de tomar a decisão era a Juçara e o Conselho Gestor.
Não lembra, de novo, né?Êpa, quando a amnésia costuma ser frequente, é bom procurar um médico. Enquanto isso, eu ajudo: Não tem nada a ver com reunião, prefeito. A reunião com representantes da Caixa foi depois do senhor ter levado Castagnaro à sala da diretora e perguntado: “Por que você não quer atendê-lo?”. Pede para a Juçara ajudá-lo a refrescar a memória, alcaide.
(…) Perguntas sobre a relação com a ex-diretora Juçara. Cheias de contradições, mas fica para outra hora.
TRIBUNA — O sr. não sabia dessas histórias do Castanharo etc. Mas depois que vieram a público, depois que o sr. soube, não sentiu um certo constrangimento ?
MAFFEI — Não. Hoje eu continuo atendendo empresários, investidores. Eu não faço nada de ilegal ou de imoral. Eu não tenho por que me constranger.
Claro que não, José Netto. Constrangido com essas coisas ficamos nós, seres mortais que prezam por valores como moral, ética e bom costume. Certa feita, eu e minha esposa fomos viajar para o exterior e depois descobrimos que uma das 40 pessoas que estavam conosco no pacote de passeio matou uma prostituta em Porto Alegre, sei lá por que razão. Ficamos um bom tempo chocados só de saber que dividimos o mesmo avião com um asssassino. Até hoje relembramos da história com certo espanto. Seu Gerúndio não. Tem outros valores, com certeza. Só esqueceu que o gabinete da Prefeitura não é a sua casa.
TRIBUNA — Eu digo ficar sabendo depois que Castanharo estava envolvido em problemas policiais graves.
MAFFEI — Isso, é claro, é chato, né? Mas como é que você vai adivinhar? E tem uma máxima do Direito que diz: ninguém é culpado antes que se comprove. Eu acho que essa é a máxima que a gente tem de levar como princípio.
Isso mesmo, José: PROBLEMAS POLICIAIS GRAVES. E olhem o que Maffei diz: “Isso, é claro, é… chato, né? Um criminoso, preso por “lavagem de dinheiro” e “tráfico de drogas” vem à Maniçoba pegar dinheiro do funcionalismo público para aplicar em um empresa envolvida, comprovadamente, no esquema do MENSALÃO e nossa maior autoridade diz que isso é…CHATO! Podem se coçar à vontade! É chato mesmo.
E depois ele ainda vem com aquela máxima do Direito. Só para refrescar a memória, Seu Gerúndio, Castagnaro já foi julgado e condenado (Leia AQUI). E o senhor nem sabia, né? Então tá!
Essa é a Maniçoba do Gerundismo desenfreado! Paro por aqui. Com José Motta no governo, está tudo mais do que explicado! E o Seu Gerúndio ainda diz: “eu mesmo não sei se vou sair candidato a prefeito”. Então tá! Essa, nem eu e nem você sabíamos, né? Como somos desinformados, hein!?! Somos todos uns idiotas. Esperto é o Fidel! Hehehehe! Inté!