Não é preguiça não, garanto. Ando um tanto ocupado com os meus compromissos profissionais, motivo pelo qual tenho me privado de escrever para o blog. Comento mais sobre isso no post a seguir. Por hora, vejam este artigo do jornalista Reinaldo Azevedo, sobre como o PT, com a ajuda da mídia acéfala ou preselitista, tenta confundir a população confundindo isenção com “isentismo”.

“A má consciência não pode ser guardiã da imparcialdiade”
A isenção, o apartidarismo e a independência de um veículo de comunicação e dos seus jornalistas não podem se converter num tribunal em que todos são, de saída, igualmente culpados. Quando isso acontece, a má consciência se torna guardiã da imparcialidade. E, vejam só!, acaba-se sendo condescendente e, às vezes, até conivente com o crime. Os petistas perceberam muito bem as fragilidades técnicas, intelectuais e morais do “isentismo”, que é a doença infantil do jornalismo, e a transformaram numa arma a ser favor. Uma arma, acreditem, terrível.

Neste mais de cinco anos de governo petista – de fato, já um pouco antes; desde a campanha eleitoral de 2002 -, começaram a pipocar os tais “observatórios” da mídia. ONGs, universidades e até algumas empresas privadas deram início a um trabalho de avaliação e medição (sim, em centímetros) das reportagens, classificando-as em notícias “favoráveis”, “contrárias” ou “neutras” em relação a políticos e partidos.

Pois bem. O que deveria ser, então, material de reflexão dos partidos e dos políticos transformou-se em instrumento de patrulha: “Ah, o jornal ‘A’ deu 40% de notícia positiva para fulano, mas só 25% para beltrano”. Entenderam a jogada? Quem resta na mão com o que seria produto de uma falha é o jornal ou a revista. Quem tem convicções e não transforma régua em bíblia intelectual ou moral dá de ombros pra essa tolice e segue fazendo seu trabalho, noticiando o que tem de ser noticiado. Eu, por exemplo, acho que, se o PT não quer ser associado a mensalões e dossiês fajutos, que não faça mensalões e dossiês fajutos. Não lhes parece uma boa providência?

Mas não. Em vez disso, seus bate-paus, inclusive aqueles que estão metidos nas redações como se fossem militantes clandestinos, passam a pressionar para “equilibrar o jogo”. E, curiosamente, falam em nome da “igualdade”, da “isenção”, da “independência”, do “apartidarismo”. A forma que o jornal ou revista têm de provar que não se alinham com este ou com aquele é publicar reportagens também contra o partido adversário – tenha ele ou não culpa no cartório. Acreditem: em certos ambientes jornalísticos, toma-se mesmo a clara decisão de “pegar o partido B, já que estamos dando muita notícia negativa sobre o partido A”. É isso a independência? É isso a isenção? É isso a virtude?

Mas quem é que observa?
Vocês conhecem algum observatório de mídia privado, de ONG ou de universidade que se identifique, por exemplo, com teses liberais? Eu não conheço nenhum. A contrário: todos eles, sem exceção, ou estão atrelados ao petismo, por meio de seus tentáculos na academia, ou têm uma visão de mundo de esquerda. Quando aquele petista porra-louca depredou o Congresso, liderando baderneiros que se diziam sem-terra, aquilo certamente contou como “notícia negativa” para o PT – negativa, entenda-se, segundo a linha editorial dos grandes veículos, que defendem o respeito às leis democráticas (quase sempre…) Será preciso, depois, equilibrar o jogo forjando, sei lá, uma “notícia negativa” para o PSDB ou o DEM. Em suma: os dois partidos de oposição devem sofrer, também, as conseqüências negativas do gesto delinqüente do petista.

Boa parte dos veículos se deixa patrulhar, de maneira miserável, por essas formas disfarçadas do petismo. E acabam caindo em esparrelas patéticas – além, é claro, de confundirem o certo com o errado, o legal com o ilegal, o virtuoso com o vicioso. Como o PT é o único partido organizado nessa área de comunicação e como ele reclama muito, tem-se, então, a propagação da mentira deslavada de que a grande imprensa é antipetista. Alguns, por tolice, e outro, por má fé mesmo, levam em conta a falsidade e, em vez da isenção, praticam o “isentismo”.

Cartões de São Paulo
Foi o que se viu nessa história dos cartões de débito em São Paulo. Uma ministra de Estado caiu porque não conseguiu explicar os seus gastos. A conta secreta da Presidência da República secreta é – e, pois, trata-se de uma caixa preta. Se Lula gasta bem ou mal alguns milhões por ano, não podemos saber. De fato, ninguém sabe. Nada menos de 60% dos gastos são saques na boca do caixa – nesse caso, saques de verdade, já que não se trata de operações bancárias de pagamento. O governo federal estava mal, não é? Precisava sair das cordas. Tinha de reagir.

E foi o que fez com a ajuda do “isentismo”. Pensando bem, essa história dos cartões de débito de São Paulo foi uma versão um pouco mais light do dossiê dos aloprados:
- cartão de débito não é de crédito porque tem prévio provionamento;
- inexistem contas secretas em São Paulo;
- o primeiro escalão do governo não tem cartões;
- é mentira que São Paulo gaste mais em despesas de emergência (R$ 108 milhões) do que o governo federal (supostos R$ 76,5 milhões). Os gastos emergenciais federais são de R$ 177 milhões, não de R$ 76,5 milhões;
- é mentira que o governo federal é mais transparente, já que teria todos os dados no Portal da Transparência, e o governo de São Paulo, não.

Este último item, então, é de lascar. Reportagem de O Globo de segunda demonstrou que, dos R$ 177 milhões, é possível saber o destino DE APENAS 11% do dinheiro. Que transparência vagabunda é essa? Os gastos emergenciais do governo de São Paulo não estão, é verdade, na Internet, mas todos os deputados têm acesso a 100% do que se gasta – e esse “todos” inclui a diligente bancada petista. Quer dizer que, antes, eram, então, coniventes com irregularidades? Mas quais irregularidades? Essa história de que basta botar na Internet para ser transparente é coisa, de fato, de um idiota.

Não obstante, o governo do estado promete lançar tudo na Internet. Ótimo! Como as notas serão eletrônicas, elimina-se a praga da notas frias, já encontradas nos gastos da Presidência. Serra mandou suspender os saques na boca do caixa – embora os maiores fossem pagamento de títulos, não saque em moeda sonante, a exemplo dos R$ 58 milhões em grana viva que foram parar nas mãos dos servidores federais com cartão.

Fraude
O PT montou uma fraude em São Paulo, uma espécie de “dossiê fajuto”, mais um, dos gastos. E eu asseguro: os que tiveram acesso àquela porcaria tinham em mãos uma pauta e tanto: o PT tentava engolfar o PSDB de São Paulo na tramóia para livrar a própria pele. Mais um vez. MAS ATENÇÃO: PARA FAZER A COISA CERTA, NESSE CASO, O VEÍCULO E OS JORNALISTAS PRECISAM SER ISENTOS, NÃO “ISENTISTAS”.

O veículo e o jornalista isentos não dão a menor bola se o PT estrila ou não, se vão acusá-los de serrismo ou não. E, claro, também não se incomodam se são chamados de petistas (desde que não sejam…). Vão fazer a coisa certa. Já veículos e jornalistas “isentistas” aproveitam-se da denúncia para equilibrar, artificialmente, o jogo: “Já batemos demais no PT; hora de pegar o PSDB. Os tucanos que se expliquem”. Não é jornalismo, não: pode ser apenas a mistura da ideologia dos inocentes com o marketing dos espertos.

E, a partir de então, uma maquinaria infernal de mentiras e desinformações passou a tomar conta do noticiário. O que se queria? Mudar o sistema de São Paulo? Torná-lo mais eficiente? Nada disso. Era pura operação despiste. Poderia perguntar alguém: “Mas o PT está proibido de fazer política?” Não. Mas não pode mentir. E o jornalismo não pode mentir com ele para garantir a Ricardo Berzoini a sua fama de “isento”.

A má consciência não pode ser guardiã da imparcialidade.”