Veja reportagem deste sábado, do jornal Bom Dia Sorocaba, de Mayco Geretti:

“Seria como jogar uma bomba na sala de casa. Todos perderiam e ninguém sairia inteiro”. É assim que o prefeito Vitor Lippi (PSDB) define uma possível candidatura do ex-prefeito de Sorocaba e atual deputado federal Renato Amary às eleições municipais de outubro.

Mesmo afirmando estar satisfeito com o seu trabalho no Executivo, Vitor Lippi reconhece que existem frentes no diretório municipal do PSDB que poderiam articular uma candidatura de Amary nos bastidores do partido. “Estou confiante no trabalho que desempenho, mas acredito que hoje se tornou impossível prever se Amary vai ou não tentar se candidatar.”

Lippi afirma que apesar da Justiça Eleitoral aceitar as candidaturas até junho, uma definição rápida do PSDB seria a saída ideal. “Seja qual for o candidato do partido, é importante que haja tempo hábil para articularmos uma campanha”, acredita. “Essa não é uma eleição ganha e precisamos dessa definição para então podermos passar a pensar nos representantes de partidos adversários.”

O prefeito acreditar que seu trabalho tem o respaldo do PSDB e diz que não fica chateado por saber que alguns integrantes do partido cogitam Amary como candidato ideal. “Já conversei com muita gente e sei que é normal essa especulação com a aproximação das eleições”, revela. “Hoje em dia não existem unanimidades e somente em partidos pequenos não há situações desse tipo”, finaliza.

Serra se recusa a comentar
Serra se negou a comentar sobre as eleições municipais de Sorocaba e Jundiaí, onde a situação é parecida e o ex-prefeito Miguel Haddad e o atual Ary Fossen também ameaçam disputar a chance de representar o PSDB na corrida à prefeitura. “Essa é uma decisão intra-partido e eu não farei qualquer comentário sobre eleições de cidade alguma.”

Serra alegou apenas que o PSDB é um partido coeso e que em todos os municípios escolherá de forma democrática os seus representantes.

Integrantes do diretório municipal do PSDB disseram ontem que se houver impasse entre Amary e Lippi o governador José Serra será determinante na escolha do candidato em Sorocaba.

Renato Amary falta a evento com governador
Apesar de sua presença ter sido confirmada, o deputado federal Renato Amary não acompanhou o governador José Serra a Sorocaba na tarde de ontem. Sua esposa, a deputada estadual Maria Lúcia Amary, alegou que o marido teve um compromisso em uma cidade distante de Sorocaba. Ela fez mistério e não confirmou ou desmentiu a possibilidade de o marido voltar a brigar pela Prefeitura de Sorocaba.

‘Diretório é soberano’, diz Pannunzio

Segundo o deputado federal Antônio Carlos Pannunzio (PSDB), caso não haja consenso entre Vitor Lippi e Renato Amary o diretório municipal será soberano na escolha do candidato, sem que haja interferência de integrantes do diretório nacional.

Pannunzio nega que o governador ou qualquer outra liderança terá influência na escolha. “Não há nada de estranho haver esse trabalho de bastidores”, diz. “Não poso mentir e dizer que não sei que Amary se movimenta e cogita se candidatar, mas também sei que Lippi busca legitimamente o segundo mandato”, acrescenta. “Essa situação em nada enfraquece o PSDB, desde que a unidade partidária seja mantida entre seus integrantes.”

O deputado afirma que não existe um prazo ideal para que Amary torne público sua iminente candidatura. “Está totalmente em tempo, desde que ele queira”, afirma. “O fato é que esse período pré-eleitoral é tempo de acordos e conversação”, completa. “Certamente Amary e Lippi decidirão o melhor para o diretório.”

Pannunzio afirma ainda que quem sair candidato pelo PSDB já leva o respaldo de uma “tremenda legenda”. “Hoje o prefeito e o vice-prefeito de Sorocaba são tucanos e o PSDB tem uma bela bancada na Câmara de Vereadores”, ressalta. “Todo o legado deixado por dois mandatos de Amary e um de Lippi tornam o PSDB o partido a ser batido em Sorocaba.”