Novembro 2007

Arquivo Mensal

Almas ingênuas a serviço dos velhacos do PT

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 30 Nov 2007 | sob: Política

Um caminhão de som gigante do sindicalismo profissional do PT não foi suficiente para mostrar toda a envergadura moral dessa turma. Na falta de corpos adultos, foram buscar almas ingênuas para dar volume ao contra-ataque político. Que triste!

crianca - crianca

O sindicalismo que levou Lula ao Planalto vai fazer de tudo para manter o esquema de poder. Até na Maniçoba. Mesmo que seja preciso colocar crianças na linha de frente e a estrutura sindical. A regras do jogo pouco importam; o que eles querem é se manter no poder.

caminhao - caminhao

O assessor de imprensa do Seu Gerúndio, Rodrigo Gasparzinho, se divertiu muito com a passeata infantil. É assim mesmo. Colocam a criançada na frente e ficam gargalhando atrás, na sombra. Tentou até esconder o sorriso amarelo (ou seria vermelho?), enquanto passava informações à cúpula. Trabalhou direitinho e merece até um picolé da Klasmel!

rodrigo sorrindo2 - rodrigo sorrindo2

Passeata amadora e a contra-passeata profissional

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 30 Nov 2007 | sob: Política

A Maniçoba é mesmo surpreendente. Para quem nunca tinha visto uma passeata, ao vivo e cores, viu logo duas. Uma contra, outra a favor. Isso mesmo! O PT chamou a militância profissional da CUT de Sorocaba. Vieram armados com um caminhão de som gigante, daqueles que paravam o ABC de Lula. Junto, uma roliça locutora profissional, no melhor estilo boca-nervosa do sindicalismo profissional.

O pessoal da passeata pró-Santa Casa ficou inferiorizado frente carrão de som, bem maior do que o número de pessoas que o acompanhavam. Entre elas, destaca-se, muitas crianças. Selecionei algumas fotos que mostram como petismo não poupa nem almas ingênuas em suas pretensões políticas. E a gorducha dizia que os outros manifestantes é que eram “massa de manobra”. Vai no post seguinte.

Você acredita em petista?

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 30 Nov 2007 | sob: Política

Todos virama tragédia no estádio da Fonte Nova, na Bahia, onde morreram sete pessoas e outras tantas ficaram feridas. O governador Jaques Wagner, como bom petista, disse desconhecer o estado crítico do estádio, apontado por um estudo de engenharia como o “pior do Brasil”. Não sabia de nada, né? Eis que surge agora uma gravação na qual ele, o governador petista, diz que a Fonte Nova passou por reforma e já estava pronto para ser 100% ocupado. Ouça você mesmo AQUI. Fala sério: dá para acreditar no que diz um petista?

A Carverna de Platão e a Maniçoba

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 29 Nov 2007 | sob: Política

Sugeri no post abaixo a leitura de “A Caverna de Platão” para entender um pouco o que o petismo que fazer na Maniçoba. É, como já disse, um Pequeno Brasil do Lula. Como sei que a leitura não é uma das práticas incentivadas pelo atual governo, que prefere se vangloriar da ignorância e chama intelectuais de prepotentes, coloco abaixo dois vídeos sobre o tema proposto. No primeiro, a síntese começa bem, mas se perde um pouco na esquerdeopatia dominante. No segundo, a questão é tratada de forma mais acadêmica, mas também com sintomas de esquerdeopatia. De qualquer forma, dêem uma olhada e tirem vocês mesmos as conclusões.

Curtíssimas

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 29 Nov 2007 | sob: Política

Slogans
O ministério da Maniçoba adverte: PT faz mal à saúde. Este deve ser um dos slogans da passeata marcada para amanhã, contra o tratamento que a Prefeitura vem dispensando à Santa Casa. Vai ser às 15h, com saída da Praça da Matriz.

Cabeça
Entre as reivindicações, os manifestantes vão pedir a cabeça da diretora de Saúde, Cláudia Atemporal Meirelles. É, pedir não custa nada, mas podem esperar sentados.

Na oficina
Os manifestantes vão até a Prefeitura. Seu Gerúndio já providenciou saída pela direita. Vai levar o carro no…mecânico!

Metáfora
Seu Gerúndio quis dar uma de Lula e fazer uma metáfora da Santa Casa com a oficina mecânica. “Compro os serviços da Santa Casa”. Os petistas têm mesmo problemas com porcas e parafusos…a “menas”.

De olho pra cima
Você pensou que iria ficar fora do caos aéreo do governo Lula? Ledo engano. A coisa tá tão feia que ‘tá caindo até ventilador de teto! Hehehehe

Caiu a ficha
O Carnaval de rua de 2008 voltará a ser na Avenida Getúlio Vargas, a exemplo do que ocorreu na gestão de Léo Rogado. Depois de três anos, o PT descobriu que lá é “melhor”. Os bailes, por sua vez, serão no Cemex.

Salto 15
O PT já dá como favas-contadas a reeleição de Seu Gerúndio. Já falam até em terceiro mandato.

A caverna

Para quem acha que a Maniçoba está um beleza na administração petista, recomendo uma leitura básica: “A Caverna de Platão”. Vejam o próximo post

Laços de sensibilidade

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Nov 2007 | sob: Política

O vídeo abaixo é um dos finalistas do concurso Youtube e foi encaminhado ao blog pelo amigo Fernando Arruda. Sugeriu a publicação para dar um toque de sensibilidade neste terreno quase sempre árido com assuntos políticos e desabafos. Tem plena razão. Confira!

A diferença entre assessor e militante

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Nov 2007 | sob: Política

Do professor Carlos Chaparro, no site Comunique-se, cujo link também encontra-se ao lado.

Sobre os desafios que o jornalista enfrenta dentro de uma assessoria de imprensa de um órgão governamental

“Em primeiro lugar, temos de pensar que o jornalista é um socializador informações e conhecimento. Portanto, um socializador de conteúdos. Por isso, tem de uma relação competente com as áreas onde esses conteúdos são gerados. Nas redações não brotam conteúdos; eles brotam do mundo. E os governos são grandes produtores de conteúdos, talvez os mais importantes. De outro lado, o jornalista precisa captar as coisas, entendê-las. Escrevemos artigos, reportagens, textos para que os conteúdos de interesse público sejam socializados. Mas socializados não na perspectiva de quem os gerou, mas em função de quem irá recebê-los. Isso exige habilidades e também certos padrões de comportamento. Não podemos utilizar as habilidades da profissão para enganar os outros. E as habilidades da profissão nos tornam capazes de enganar. Há, portanto, uma dupla face nesse processo. É preciso captar e entender os conteúdos, os discurso talvez especializados dos outros, e isso exige competência, preparo intelectual. E precisamos transformar esses conteúdos em bem público, socializando-os. No trabalho de assessor, o jornalista trabalha na ponta inicial do processo de socialização, no local onde os conteúdos são gerados. A responsabilidade jornalística é a mesmo, só que, ao invés de publicar a sua matéria no jornal, o assessor atua nos mecanismos que levaram os conteúdos trabalhados aos circuitos jornalísticos de mediação e difusão. Em qualquer das posições exige-se competência técnica, mas também um compromisso ético. Um compromisso com as razões da sociedade. Se aquilo que você faz é feito para servir ao aperfeiçoamento da sociedade, então, deve-se ater aos valores dos ideários nos quais a sociedade existe e se manifesta. No mínimo, é preciso respeitar a linguagem jornalística. Quando a gente diz que o jornalista não pode enganar os outros, de alguma forma estou falando da preservação da linguagem.”

Porque no te callas?

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Nov 2007 | sob: Política

O blog do Ricardo Noblat, cujo link você encontra na coluna ao lado, é repleto de jornalismo de primeira grandeza. Vai de política a diversão, como o vídeo que segue abaixo.

Fechamento da Santa Casa: questão de tempo

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Nov 2007 | sob: Política

A diretora de Saúde, Cláudia Meirelles Atemporal, está apostando alto com o futuro da Santa Casa. Ela não acredita na ameaça dos médicos de fechar as portas no próximo dia 1º. Acha que é um blefe! Se manter a postura, vai se dar mal.

Ontem, conversei com um médico da instituição. Ele não tem lado nessa história, mas tem certeza que o risco de fechar é real: “vai parar, sim, dia 1º, ou dia 24 de dezembro.”, avisa. A variante justifica-se pela dúvida que os médicos têm com relação ao prazo legal para encerrar suas atividades. Não sabem ao certo se os 30 dias são com relação ao início da greve, ou à data que da notificação, que cairia na véspera do Natal.

Ou seja, de um jeito ou de outro, a Santa Casa corre o risco de fechar, sim senhora. Nunca a instituição passou tão apertada assim, graças à política de repasse de verbas da gestão PT. Até quem é do partido sabe disso.

O mesmo médico vê três possibilidades para desatar o nó:
1. A prefeitura dá o “ciente” no empréstimo pretendido pela direção e resolve de vez a parada.
2. A prefeitura monta, rapidinho, um outro pronto-socorro para atender a população.
3. A diretoria de Saúde pede intervenção e assume o pronto-socorro.

No meu entender, a primeira hipótese seria a melhor, mas me parece que ficou inviável. Se optar por essa saída, a prefeitura assume o quanto foi incompetente em lidar com a situação. Logo vai vir a seguinte questão: por que esperou tanto para fazer o que a direção da entidade estava pedindo há tempo? O desgaste político é visível.

Para as outras duas opções, deixo a análise a cargo do médico com o qual conversei. Para ele, se assumir o pronto-socorro, a prefeitura vai entender, de fato, o tamanho da bucha. “Vai perceber que os R$ 150 mil que repassava estava barato, tamanha os gastos da instituição”, garante ele.

A bola da vez está com doutora Cláudia Atemporal. Desta vez, o tempo não corre a seu favor!

Blog completa um ano: 42 mil visitas. A Maniçoba tá plugada!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Nov 2007 | sob: Política

É isso mesmo! Quase passa despercebido. Foi exatamente em 14 de novembro de 2006 que publiquei o primeiro post. De lá para cá foram mais de 500 artigos. Até hoje, mais de 42 mil acessos, o que dá uma média de 3,5 mil ao dia. Já batemos sete acessos simultâneos. O registro dos números está embaixo, na coluna da direita. Noooossa. Viram como a Maniçoba tá ligada?!!

Que tal condensar todo o conteúdo em um livro? Será que a prefeitura patrocina? Hehehehehe! E o título, qual seria? Aceito sugestões. Mas sem baixaria, hein! Deixem isso para a petralhada.

Valeu, gente! Obrigadão pela audiência!

Jornalistas e uma questão de Justiça

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Nov 2007 | sob: Política

Está no blog do Reinaldo Azevedo. Diz respeito a duas figuras ilustres do jornalismo brasileiro, mas pode se estender aos modus operandi do PT.
Leiam com atenção. Reproduzo aqui porque, trocando os nomes, as dimensões e as respectivas contas bancárias, é algo que vemos na Maniçoba. Os petralhas têm um jeito todo especial de trata a “imprensa-amiga” e o que consideram seus “adversários”, entre eles o jornalismo independente de verbas públicas.

No caso, trata-se de uma ação por danos morais movida pelo Paulo Henrique Amorim contra o colunista de Veja, Diogo Mainardi, que em setembro do ano passado, na edição nº 1972 de VEJA, escreveu uma coluna em que notava a impressionante coerência ideológica dos blogueiros do iG. Paulo Henrique não gostou do que leu e processou Diogo e a revista. Queria 1.500 salários mínimos e mais R$ 0,50 por exemplar vendido de VEJA. O juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª vara Cível de Pinheiros, considerou improcedente a ação. Veja o artigo do Diogo e, na seqúência, os principais trechos da sentença do juiz.

A Voz do PT- por Diogo Mainardi

O iG pertence à Brasil Telecom. E a Brasil Telecom está na esfera dos fundos de pensão estatais. Eu já contei aqui na coluna como o lulismo tomou a Brasil Telecom de Daniel Dantas. Houve de tudo: financiamento ilegal de campanha, espionagem, chantagem, achaque e propina. Eu já contei também qual foi o papel de Lula na trama. Chega de me repetir. Quem quiser saber mais sobre o assunto, consulte o arquivo de VEJA. O que importa agora é como o iG está gastando seu dinheiro. E para onde ele está indo.
Luiz Gushiken é o ideólogo da propaganda lulista. Quando os fundos de pensão passaram a influir no iG, o portal se transformou na voz do PT. Caio Túlio Costa, aquele que Paulo Francis apelidou de “lagartixa pré-histórica”, foi nomeado presidente do grupo em maio deste ano. De lá para cá, além de José Dirceu, foram contratados como comentaristas Franklin Martins, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta. Todos eles na fase descendente de suas carreiras. Todos eles afinados com o DIP de Luiz Gushiken. Mais do que isso: Paulo Henrique Amorim e Mino Carta se engajaram pessoalmente na batalha comercial do lulismo contra Daniel Dantas. Quer saber quanto o iG paga a Franklin Martins? Entre 40 000 e 60.000 reais. Quer saber quanto ele paga pelo programa de Paulo Henrique Amorim? 80.000 reais.
O iG pode parecer pouca coisa. Mas é o terceiro maior portal do Brasil. Agora está pronto para difundir a propaganda do governo. O PT acaba de elaborar um documento em que pede uma “mudança nas leis para assegurar mais equilíbrio na cobertura da mídia eletrônica”. Muita gente está alarmada com o documento. O temor é que, num segundo mandato, os lulistas atropelem as leis para tentar aumentar seu controle sobre a imprensa. O fato é que isso já aconteceu pelo menos uma vez neste mandato, quando a turma de Luiz Gushiken tomou de assalto o iG.
O documento do PT fala em oferecer “incentivos econômicos para jornais e revistas independentes”. Independente, para o PT, é José Dirceu. É Franklin Martins. É Paulo Henrique Amorim. É Mino Carta. É o assessor de imprensa de Delcídio Amaral, que tem um blog político no iG. Só falta o Luis Nassif. Essa é a turma que, segundo o PT, precisa de incentivos econômicos do Estado. Carta Capital sempre atacou Daniel Dantas. Acaba de ser recompensada por um acordo com o iG. De quanto? Eu quero saber.
Lula cantarolou a seguinte marchinha, como relatam os repórteres Eduardo Scolese e Leonencio Nossa no livro Viagens com o Presidente:
“Ei, José Dirceu,
devolve o dinheiro aí,
o dinheiro não é seu”
Lula conhece muito bem José Dirceu. Se diz que o dinheiro não é dele, é porque não é mesmo. Devolve o dinheiro aí, José Dirceu.

“A ação é improcedente”.- Techos da sentença do juiz

- ‘O exame da matéria publicada não permite extrair a ofensa à honra, pessoal ou profissional, do autor, nem a sua imagem ou privacidade. Não é possível esquecer que o autor é um homem público, um jornalista renomado, uma personalidade notória, que, dessa forma, tem a sua imagem e vida íntima ou privada sujeita a uma maior exposição pública.”

- “A sociedade tem interesse em conhecer os passos de personalidades notórias, conhecer como vivem, o que fazem etc. Cabe consignar, ainda, que a matéria veiculada é de interesse público e que a menção ao autor decorre da abordagem de fatos também de interesse público. Ora, a matéria publicada envolve fundos de pensão, BRASIL TELECOM e “INTERNET GROUP” (IG). É fato notório e veiculado largamente na imprensa que a BRASIL TELECOM adquiriu parte do capital da “INTERNET GROUP”, sendo que aquela pessoa jurídica possui ações de fundos de pensão, o que também acabou sendo objeto de informação jornalística amplamente divulgada. Nessa seara é possível dizer que o interesse público em conhecer a destinação dos fundos de pensão legitima o direito de informação.”

- “O réu Diogo abordou o tema e assim o fazendo, para noticiar vínculos da “Internet Group” com fundos de pensão e “blog” de militantes do Partido dos Trabalhadores e jornalistas naquele inseridos (IG), acabou por mencionar o nome do autor, em inequívoca intenção crítica, mas que se vê compreendida dentro dos limites do exercício do direito de informação. Ademais, o autor, na qualidade de jornalista, está exposto às críticas quanto a seu trabalho, não se vislumbrando intenção ofensiva à sua honra ou imagem no corpo da matéria veiculada.”

- “Quando se menciona a fase descendente de sua carreira, o intuito não é o de menosprezá-lo. Sem dúvida o autor já foi jornalista da Rede Globo de Televisão, apresentando programas de elevadíssima audiência, de forma que a menção à ‘carreira descendente’ visa apenas identificá-lo como estando hoje em veículo de menor expressão do que aquele outrora. Talvez até tenha sido empregada para criticar sua defesa do “lulismo”, conforme sustenta o réu, mas dentro do limite crítico aceitável, até porque o autor de obra literária, ou de que qualquer forma de jornalismo, como é o caso, está sempre sujeito às críticas em relação ao seu trabalho. Aliás, a lei penal exclui a ilicitude da ofensa à honra, quando expressa por intermédio de crítica literária ou artística sem intenção de injuriar ou difamar (art. 142, II, do CP).”

- “Há na matéria a intenção de criticar o governo e integrantes do Partido dos Trabalhadores, bem como o autor, por estar vinculado àquele, defendendo-o em seu “blog”, o que não viola qualquer direito de imagem ou honra deste último. Até mesmo na menção ao contrato entre o autor e o IG não se encontra ofensa à sua privacidade, posto que o interesse público em jogo legitima que se traga ao conhecimento da sociedade a destinação de dinheiro público, quando se vincula os fundos de pensão à BRASIL TELECOM e esta à ‘Internet Group’, contratante do autor, seja como pessoa física ou jurídica pouco importa. O fato é verdadeiro e não há evidencia de tentativa de deturpá-lo, visando atingir a honra, imagem ou privacidade do autor.”

- A matéria não busca expor a intimidade do autor, mas o vínculo contratual deste com o IG e este com os fundos de pensão, para também criticar o apoio do jornalista aos atos do governo, conforme sustenta a matéria escrita pelo co-réu Diogo e publicada pela ré EDITORA ABRIL. Pouco importa se o valor do contrato é de R$ 80.000,00, R$ 40.000,00 ou R$ 20.000,00. O valor do contrato ainda que eventualmente incorreto (não se discute o valor correto porque desnecessário e protegido pelo sigilo necessário) é citado apenas para indicar a destinação do dinheiro público, quando o réu vincula, de um lado os fundos de pensão e de outro, ao final da ponta, o autor, pelo vínculo contratual que tem com o IG e o fato de nele haverem “blogs”, dentre eles o do autor, defendendo o governo.”

- “Mesmo quando é citada a expressão ‘DIP de Luiz Gushiken’, a crítica está dentro do contexto da vinculação do autor com o ‘lulismo’, sem intenção ofensiva à honra ou imagem do autor. Não se observa na matéria a afirmação de fatos inverídicos, deturpados, ou mesmo crítica à forma jornalística desenvolvida pelo autor em seu ‘blog’ junto ao IG, com o intuito ofensivo a quaisquer valores de sua personalidade. Como jornalista, o autor está exposto a tais críticas, sendo que os fatos da forma em que narrados veiculam matéria de interesse público.”

- “Deve ser sopesado o direito à informação, à crítica jornalística destituída de intuito ofensivo e à privacidade e intimidade de personalidade notória, que possui exposição pública mais ampla do que outra pessoa qualquer, sem tais atributos. No caso vertente o interesse público na matéria jornalística acaba sobrepondo-se, até porque a partir dela fatos de interesse social acabam sendo apurados e muitos deles indicam ilegalidades que só viriam à tona a partir da publicação. O autor, competente e por isso renomado jornalista, há de compreender melhor as licenças da imprensa e as críticas que os jornalistas estão legitimados a produzir, a fim de expor sua visão sobre a atuação do Poder Público e vínculos privados de notório interesse social.”

- “Ante ao exposto, JULGO IMPROCEDENTE A AÇÃO, deixando de impor ao autor o ônus da sucumbência, na medida em que não há resistência adequada por parte dos réus (revéis). Transitada em julgado, arquivem-se os autos. P.R.I.C. São Paulo, 31 de outubro de 2007.
MANOEL LUIZ RIBEIRO
Juiz de Direito”

Resumo da ópera - “Creio que raramente se viu um texto em que a liberdade de imprensa e o interesse público tenham sido deslindados com tamanha clareza e pertinência”, comenta o blogueiro Reinaldo Azevedo. E completa: “A Justiça brasileira ainda respira”. Tem toda a razão!

A agonia da Santa Casa

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Nov 2007 | sob: Política

Capa da Viu!, já nas melhores bancas da cidade e mais de 40 pontos de distribuição! O risco de fechar o único hospital da cidade é real. Dona Cláudia Atemporal diz que não! Vou torcer para que esteja certa…

CAPA 400px - CAPA 400px

Seu Gerúndio, o caudilho da Maniçoba

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Nov 2007 | sob: Política

Longe da Maniçoba, vejo que a reportagem da Viu! foi impedida de acompanhar a visista do deputado federal Renato Amary ao gabinete do prefeito, onde anunciaria verbas para a cidade. Ordem direta do Seu Gerúndio. Incrível a envergadura democrática do comandante da cidade. Parece mesmo um caudilho!

Sabem o motivo? Nem eu! Imagino que a reportagem da Viu! represente alguma ameaça. O que vocês estão pensando? Transparência do serviço público tem seus limites. Democracia idem! Têm coisas que todo mundo tem de saber; têm outras que só a imprensa amiga…hehehehe. Mas eles estavam lá? Não! Só o Décio Fernandes. Eta jornalismo impertinente da Viu!, que se atreve a sair detrás das cadeiras. Ponham-se no seu lugar, jornalistas…

Nos regimes autoritário, os governos têm de controlar o que a imprensa publica. Imaginem só, um deputado do PSDB - oposição ao PT - vindo anunciar verbas de R$ 500 mil à Santa Casa, à saúde e ao turismo do município. Isso é uma afronta à soberania petralha. Como a imprensa “golpista” vai tratar essa informação? Deixa que nossa “assessoria” manda mastigadinho.

Parece que o deputado tentou interceder: “já que a imprensa tá aí, deixe-os entrar…”, teria dito Amary. Negativo! Na prefeitura, quem manda é o Seu Gerúndio, o caudilho da Maniçoba!

É tudo que o PT queria…

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Nov 2007 | sob: Política

Viram lá no post embaixo? Tem gente querendo me colocar de presidente da Santa Casa. Hehehehe. Valeu a brincadeira, mas me incluam fora dessa. Tenho outra sugestão: Doutora Claudia Atemporal, ela tem mais tempo do que eu, que mal consigo fazer caminhadas pela manhã. Ela tem três empregos em três cidades diferentes, é voluntária no Santuário dos Chipanzés e ainda, acreditem, pratica artes marciais. Só de pensar já fico cansado! Ela não, tem uma disposição… Mais uma Santa Casa em seu currículo não vai pesar em nada.

Falando em artes marciais, viram a deputada chavista, que invadiu o programa com quatro seguranças para agredir o apresentador que a criticava. É a democracia de Hugo Chaves, que o PT adora. Vejam o vídeo AQUI, depois eu volto.

Viram só? Não estou dando idéia não. Sei que o pessoal do PT adora uma baixaria. Até rolam no paralelepípedo. Mas aqui não tem jeito não. Não sou de briga, mas sei me defender. Não fiquem imaginando que vou ficar tomando porrada só pra garantir audiência.

Comércio reclama do feriado racista

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 21 Nov 2007 | sob: Política

Viram só, quando a Prefeitura quer, ela faz. Rapidinho, não interessa as manobras necessárias. Refiro-me ao feriado de ontem, dia de Zumbi da Maniçoba, quando a cidade parou. Quem saiu ganhando com isso? Pensa que o comércio gostou? Claro que não! Podem falar o que quiserem, mas aqui não é terra de vagabundos. Pelo menos não de todos.

Ainda estou pasmo de ver a agilidade de como esse feriado foi aprovado. Votação em regime de “urgência especial” e uma sessão extraordinária? Fala sério, precisava tudo isso?

Dona Maria tentou remediar a pisada de bola de ter covocado, a pedido dos autores do projeto - Robertinho e Nei do Mercadinho - a sessão extraordinária. Fez a Câmara trabalhar na segunda! Só faltava eles também emendarem. Uma autoridade que o comércio, prejudicado, não consegue administrar com o público consumidor.

O presidente da Associação Comercial, Félix Schiavano, está ouvindo um monte de reclamações. Ele mesmo promete procurar o autor da lei, Robertinho do PT, sindicalista do partido, claro, para reclamar pessoalmente. O representante de uma das maiores indústrias empregadoras da cidade também não gostou nadica do feriado. Vai reclamar, com razão.

O foca cacarejou e o tempo fechou…hehehehe

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 16 Nov 2007 | sob: Política

Já esperava que o encontro de médicos e diretoria da Santa Casa com a Prefeitura fosse transcorrer em clima tenso. Só não imaginava que seria tão quente assim, no linear do fogo. Creio que é a primeira vez que vejo a OAB local exercer, de fato, toda a amplitude de sua ação institucional no campo da cidadania da comunidade. Um bom exemplo que não foi acompanhado pelos protagonistas do debate, que agiram de forma aquém do que se espera de figuras dessa envergadura. De um lado a insolência, imaturidade e descompostura profissional; de outro, a exacerbação desproporcional. Vamos por partes, então:

O FOCA-GALINHO – O que esperar de um assessor de imprensa que escolheu o posto de agente público para exercer a militância política, em detrimento de seu deveres e compromissos com a função. O que aconteceu na sala da OAB é o exemplo mais claro da imaturidade no exercício de uma função pública. Negligencia deslavadamente a sua função de intermediador de informação, para atuar como militante. Age como um foquinha querendo bancar o galinho de briga, daí que acaba quase tomando umas bizotadas. Foi poupado apenas pelo sentimento de superioridade de seu predador, creio eu!

Fico perplexo de ver como a militância petista compartilha o mesmo vocabulário, o mesmo pensamento e o mesmo tipo de ação. O assessor de imprensa Rodrigo Gasparini, que militava no partido do petista Osvaldo Sonsin, em Itu, repetiu o que o vereador Robertinho disse semanas atrás, a respeito da pressão por assinar documentos no caso PortoPrev: “Mas ninguém te obrigou colocando uma arma na sua cabeça”, disse, em tom de ironia.

Como se percebe, os petistas têm uma forma especial de entender o que é “pressão”: as condições circunstanciais na hora de assinar um documento restringem-se a ter “uma arma apontada na sua cabeça”. Eles repetem isso como se fizesse parte do cotidiano de ações. Impressionante.

Na atitude do assessor do serviço público municipal, entende-se também aqueles gestos do assessor especial da presidência, Marco Aurélio Toc Toc Toc, que comemorou como se estivesse em um estádio de futebol a informação de que o acidente que matou quase duzentas pessoas em Congonhas fosse uma falha do piloto. O interesses do partido sempre está acima da sociedade!

O DESTEMPERO – As desculpas no final vieram a calhar, mas não limpam de vez a imagem apresentada na OAB pelos senhores Luiz Armando de Carvalho e José Geraldo Pacheco da Cunha Filho. Nenhum dos dois - e ninguém ali naquela mesa - poderia ter agido de forma, digamos assim, tão primitiva. De certo que a provocação foi infantil, mas não dá para admitir “pavis-curtos” no trato de assunto de interesse público.

ATEMPORAL – Depois disso aparece doutora Cláudia Atemporal. Na hora do qüiprocuó, sumiu. Daqui a pouco aparece ela, enxugando as mãos do banheiro. “Está vendo, Helcimara, nós não nos exaltamos assim? Tem de ser os homens…”. Não sei se foram bem essas palavras, mas o conteúdo era exatamente assim: feminismo fora de hora!

Em outros momentos, o feminismo da doutora Cláudia aparece no tempo certo. Ela sabe usar muito bem a docilidade da fêmea como escudo para provocar a agressividade do sexo oposto. Fez isso com o doutor Marcelo, quando disse que ”se fosse partir para a briga com ele, poderia machucá-lo, pois pratica artes marciais”. Viram só que delicadeza? Doutor Marcelo ficou quieto! Ela, creio eu, decepcionada! Ou esperava que o colega fosse pular na sua jugular?

Em outro momento de enfrentamento direto, a diretora Claúdia afirmou que não era verdade que teria condicionado a suplementação de recursos da Prefeitura à Santa Casa com a saída de Gerão e Bizote da direção da instituição. “Você não vai afirmar isso na minha frente, Cláudia. Disse, sim, na frente dos médicos e você sabe disso”, afirmou Marcelo. A médica saiu pela dialética. “Você pode me chamar de mentirosa, Marcelo; Eu não vou chamá-lo de mentiroso”. Bem, vou na dela: se o Marcelo não é mentiroso…

De provocação em provocação, doutora Cláudia mostrou que é mesmo uma mulher do tempo. Sabe a hora exata de onde deve estar. No momento forte da discussão, por exemplo, foi ao banheiro. Voltou de mãos lavadas!

Mostrou, também, toda a sua destreza atemporal quando questionada pelo aspecto político da questão. Disse, desse jeito, que está tomando uma postura mais firme agora, porque uma solução paliativa provocaria um desmembramento po-lí-ti-co daqui a nove meses, quando estaremos em período eleitoral. Entenda assim, leitor inteligente: Ela está tendo um postura “APOLÍTICA” agora para que a discussão não vire POLÍTICA daqui a seis meses! Ou seja, “política” é apenas uma questão de…tempo.

Aliás, descobriu-se que além de todos aqueles trabalhos (Itu, Sorocaba, Maniçoba etc), Doutora Cláudia ainda tem tempo de praticar artes marciais: tai chi chuan e mais uma que não ouvi direito. Fui perguntar depois, mas mandou procurar o assessor de imprensa. Até fui, mas o foquinha ainda estava cacarejando!

Kajuru, de volta, promete bomba contra a máfia do futebol. Talvez explique algo sobre a Maniçoba

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 16 Nov 2007 | sob: Política

Vou comentar a reunião entre a Santa Casa e a Prefeitura no post a seguir, com a incrível história do dia que a foca que deu uma de galinho e quase tomou umas picadas! Imperdível. Antes, porém, um assunto que tem muito a ver com a Maniçoba e com o jornalismo.

Vocês devem se lembrar do Jorge Kajuru, aquele jornalista esportivo sem papas na língua. Então, depois de muitos altos e baixos, ele está de volta com um blog na rede e pretende lançar um livro com a história de sua vida, que seria comercializado por um real.

Gosto do Kajuru, embora não o tenha como um modelo de jornalismo. Pelo menos não por completo. Admiro sua trajetória de vida, sua coragem, sua determinação e alguns de seus amigos, entre eles o também jornalista Juca Kfouri, que, além de bom corintiano, é uma baliza ética na profissão. A única restrição com relação ao Kajuru é a forma como trata alguns assuntos. Sua gana pela verdade é tão grande, que, às vezes, exagera na forma de se expressar. Nada, porém, que desautorize a veemência com que trata a busca pela informação e as suas opiniões. É só uma questão de estilo.

Na verdade, creio que temos muitas coisas em comum. Uma delas, por exemplo, é a abominação pelo garoto-propaganda Milton Neves, que insiste em misturar jornalismo com publicidade na imprensa esportiva. Já tratei do assunto em artigos publicados pelo Observatório da Imprensa e o Comunique-se, dois sites especializados da área.

Em um deles, “O jornalismo de porre”, falei como era nocivo à imprensa esportiva a o “estilo” Milton Neves, que chegou ao cúmulo de chamar o Parque Antárticta, do Palmeiras, de parque Schincariol, seu patrocinador. Brincadeira até cabe em determinados momentos, mas misturar publicidade com informação pode dar um porre danado, como já preveni anos atrás.

Na época, março de 2004, Kajuru comentou o artigo e fez referências a mim no programa que apresentava na Band. Foi uma referência e tanto e muita gente veio comentar comigo.

A BOMBA - Vou retribui-lo agora, de forma bem mais modesta, é claro, com um assunto que ele propaga em seu blog e que, como já disse, diz respeito à Maniçoba. Diz Kajuru que acaba de descobrir um vídeo com revelações bombásticas sobre os bastidores do futebol. Uma história que, pelo que entendi, envolve o nome do empresário J. Havilla, o ex-repórter de rádio que virou magnata da publicidade esportiva, dono da Traffic e da conhecidíssima TVTEM. Vejam só como ele anuncia a…bomba:

Vai valer a pena esperar, recordar ou ver de novo. Tudo aquilo que os poderosos chefões jamais permitiriam a reapresentação deste vídeo. Certamente, o cartel e a quadrilha imaginam que seis anos se passaram, e nós torcedores ou jornalistas, já nem lembramos mais de arquivos mortos. Mas, loucos amam mexer nos vespeiros. E aí…Vem aí, o vídeo que desmoraliza o Al Capone e a Organização Escobar do Futebol Brasileiro. Sobra também para os assistentes de ladrões. O vídeo que comprova: o futebol é muito mais sujo do que imaginávamos.
Assim foi. Assim fui!!! Assim serei.

Enquanto o filmaço (a fita de vídeo que achei) não começa. Tenho a lhes oferecer um trailler especial, também já esquecido. Muito precioso para quem deseja conhecer o submundo do futebol.
Trago como aperitivo do filme principal, algo valioso de 1999.
Oito anos atrás, o futebol já era negócio tão bilionário, que perdia apenas para o petróleo. O jogador (principal ou único artista do espetáculo) já comia a menor fatia do bolo.
Com a palavra, o ex-repórter de campo em São José do Rio Preto. Depois, repórter da TV GLOBO SP, comentarista, vendedor de placas nos estádios. Dono da agência Traffic, dono dos horários de esportes na Rede Bandeirantes e dos direitos de transmissões para tv e rádio, das competições esportivas na América do Sul, incluindo taça libertadores. Em 1999, reconhecido como o maior empresário, nestes ramos, da América do Sul. Hoje, um dos maiores do mundo. Recentemente, se tornou o maior dono de emissoras afiliadas da Rede GLOBO de televisão, comprando as quatro principais redes regionais do interior paulista, por 32 milhões de dólares.

Nome: J. Hawilla
Entrevista: Revista VEJA, páginas amarelas.
Ano: 1999
Tema: Futebol, negócios, bilhões…

Leiam com atenção, depois, volto para mais in formações e opiniões.
Vocês vão ler, e concluir… Será que hoje em dia, oito anos depois, tudo mudou? tudo piorou? ou, nada mudou???
Então, se preparem. O que vem aí, vem 100% sem cortes. Cenas fortes. Roubos explícitos. Atuações cínicas de atores da vida real, preparados para assaltar dinheiro alheio. Especialistas em lavagem de moedas e cérebros. Este filme contém gravações inéditas em praias brasileiras e americanas. E, logicamente, com a participação especial dos maiores bancos internacionais e bem ilhados. Afinal, de negócios bilionários, nenhum banquinho de praça fica fora da jogada.

Veja - No mês passado, o fundo de investimento americano Hicks, Muse, Tate & Furst, HMTF, numa transação intermediada pela Traffic, tornou-se o dono, até 2009, do futebol do Corinthians. O que acontecerá nesse time?
Hawilla - Uma revolução. A HMTF buscava oportunidades de negócio no esporte sul-americano. Fui procurado por seus sócios, que tinham interesse em comprar minha empresa. Vendi 49% das ações, fiquei com os 51% restantes e mantive a gestão. Eu os aconselhei a investir no futebol, iniciando pelo Corinthians, o clube mais popular de São Paulo. A HMTF comprou a gestão financeira de seu departamento de futebol. Foi um projeto que criei, negociei e entreguei pronto. Os americanos pagarão todas as despesas e receberão todas as receitas, repassando 15% dos lucros para o clube.

Veja - Quinze por cento, para quem tinha tudo, é um bom negócio?
Hawilla - Excelente. Nunca aconteceu nada melhor no futebol brasileiro. Será a solução de todos os problemas do Corinthians. Foram pagas suas dívidas, no valor de 28 milhões de reais. Será construído um estádio multiuso com 45 000 lugares, em cadeiras confortáveis. Já estamos procurando um local adequado. Custará 100 milhões de reais. Faremos um centro de treinamento e montaremos um superesquadrão. Num primeiro momento, foram comprados, por 45 milhões de reais, os passes de oito jogadores, entre os quais os artilheiros Luizão e Edílson, o meio-campista Vampeta, o goleiro Dida e o zagueiro João Carlos, craques de seleção brasileira. O Corinthians não desembolsou nada.

Estas são apenas duas das questões (leia a íntegra aqui). Por aí já dá pra perceber que a profecia do J. Hawilla passou longe de se tornar uma realidade. Resta saber o que Kajuru tem a acrescentar. Vocês, certamente, estão curiosíssimos, assim como eu.

O todo poderoso J. Hawilla é quem comprou aquele terreno grande na entrada da cidade e está construindo o que dizem ser um “centro de treinamento”. Talvez a gente descubra porque os caminhões e máquinas da Prefeitura de Maniçoba trabalham no local diuturnamente, sem que ninguém diga nada. Mexem e remexem nas terras em uma área que, pelo que entendo, é do manancial do Avecuia, ribeirão que abastece a cidade. Não há risco de assoreamento? E o SAAE, não diz nada? E o pessoal do Meio Ambiente, idem? Quem sabe o velho Kajuru nos explique alguma coisa que tenha a ver com a Maniçoba? Vamos aguardar, claro!

Dona Maria, a extraordinária II, e o Zumbi

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 12 Nov 2007 | sob: Política

A Câmara municipal se reuniu na manhã desta segunda-feira em sessão extraordinária, lembrando os tempos de Bob Nando. Sabem o motivo para o qual Dona Maria, a presidente, convocou os nobres edis? Votar uma nova redação ao projeto de Lei que cria o Dia do Zumbi, 20 de novembro, o mais novo feriado da Maniçoba. Na verdade, a nova redação se fez necessária depois que o Seu Gerúndio vetou o emprego da palavra “deverá” em um dos tópicos. Em seu lugar foi colocado “poderá”.

Vejam só, para mudar uma palavra na Lei convocaram uma sessão extraordinária. Isso é mesmo extraordinário. A continuar nessa performance, Dona Maria se igualará a seu colega Bob Nando, o recordista de convocações extraordinárias.

Vale lembrar que a votação da lei também entrou na Câmara em regime de “urgência especial”. Mas por que tanta pressa em fazer uma lei desse tipo? Sei lá! Perguntem a seus autores, os vereadores Robertinho do PT e Nei do Mercadinho - ou seria Nei, o apressadinho?

Depois de todo esse esfoooorço do legislativo nativo, a Maniçoba deverá ter um novo feriado já na próxima semana. Isso realmente é extraordinário!

Gravidez não; era cisto no ovário, doutora Atemporal!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 09 Nov 2007 | sob: Política

Já estava apagando as luzes, quando me chega a informação bombástica: a paciente que teria abortado, não estava nem grávida; era um cisto no ovário. Isso mesmo. Já está tudo confirmado e os médicos da Santa Casa agora pretendem processar a diretora de saúde, Cláudia Atemporal Meireles, que acusou os profissionais do hospital por negligência no atendimento.

Os médicos confirmaram o cisto por meio de ultrassom. E vão além. Suspeitam que foi tudo uma armação da diretora de Saúde, que está tentando transformar as reivindicações por melhores condições de trabalho em uma guerra política. O exame que apontava a gravidez de Silvia Rocco (filha do vereador licenciado Emilío Graciano Rocco, o Barba), realizado em um posto de Saúde do município, pode ter sido trocado. Só não se sabe se foi intencionalmente.

A Saúde da cidade virou caso de polícia. Volto depois para contar os detalhes de tudo como aconteceu. Por hora fica o desmentido publicado pela imprensa amiga de Itu, terra da diretora Atemporal.

Em Tempo: diz o vereador Robertinho do PT que vai propor uma audiência pública para discutir o problema da Santa Casa. Não consigo imaginar alguém mais neutro para propor uma coisa dessas. É tudo o que faltava: colocar a militância petista a serviço do governo, como é de praxe entre os petezóides. Alguém pode me dizer que tipo de bebida o Robertinho anda ingerindo para sugerir um absurdo desse? Quer também uma CEI pra investigar a crise. Ah é? Seria bom mesmo, mas não antes de terminar a CEI da qual ele é o investigado.

Se gogó movesse turbina…

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 09 Nov 2007 | sob: Política

Veja o que escreve o Tio Reinaldo (Não o Carrié, é claro). Depois comento

“Em setembro de 2003, a Petrobras anunciou a descoberta de um campo gigantesco de gás em Santos: Mexilhão. Era a nossa redenção. Estamos no fim de 2007. Até agora, não se tirou de Mexilhão gás para produzir um pum. Querem um bom divertimento? Façam uma pesquisa na Internet sobre o palavrório a respeito. Se gogó movesse turbina, o Brasil seria mesmo uma potência mundial.”

Tem toda a razão. Aqui na Maniçoba a gente conhece bem essa história. No início do governo do Seu Gerúndio Perdulário, o briguento, a trupe apareceu fantasiada de astronauta nas capas da imprensa amiga. Posava de rídículo só para dizer que a Avícola Flamboiã estaria instalando uma unidade na Maniçoba.

Do ínício de 2005 até o dias de hoje estudaram tanto a proposta que daria para se formar em um curso de pós-graduação. Na prática, porém, nada aconteceu. ficou tudo no…gogó.

Voltaram a carga na imprensa amiga três semanas atrás, agora para dizer que a empresa deverá estar - isso mesmo, uma possibilidade - instalando uma unidade na Maniçoba até o final de 2008.

Estão, evidentemente, tirando uma da cara dos leitores. Na verdade, é o esbirro do colunismo proselista-clientelista em plena campanha para a reeleição do Gerúndio. Hahahahah. Só rindo mesmo.

Agora vejo nas ruas mais uma panfletagem enganosa - paga com o dinheiro do contribuinte -, querendo fazer acreditar que “trabalho sério gera empregos”. Não é nem uma coisa nem outra. Trata-se apenas da versão impresa do gogó turbinado. Olha o que diz o subtítulo: “Empresa passam a acreditar na cidade”. Ah é, Zé goiabinha, diga-nos, então, quais empresas? Vai pentear macaco, menino.

Os poucos empregos gerados até agora no Gerundismo foram os cargos públicos, a grande maioria para atender a militância petista, que incham a máquina e oneram as despesas do município.

As foquinhas ainda escrevem que “grandes magazines chegam para gerar empregos…” Na verdade são poucos empregos, cara-pálida, e muito crediário, para um povo cada vez mais empobrecido e sem opções de trabalho.

E cadê o brasão do município? Até isso vão subtrair da municpalidade?

Câmara quer aumentar número de veradores

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 09 Nov 2007 | sob: Política

Matério do jornal O Globo. Interessa a Maniçoba.

A Câmara deve votar, até o fim deste mês, a polêmica emenda constitucional que altera o número de vagas de vereadores em todo o país. Há duas propostas em debate: uma, aprovada pela comissão especial no ano passado e defendida pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG), que recria as oito mil vagas cortadas em 2004 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE); outra, de autoria do deputado Vitor Penido (DEM-MG), da Frente Parlamentar Municipalista, corta quase 1.200 das 51.748 vagas existentes hoje.

A pressão maior é pelo aumento do número de vagas. Mas em contrapartida, os deputados garantem que, nesse caso, estão dispostos a cortar, de forma mais efetiva, o repasse de recursos das prefeituras para as câmaras de vereadores.

O gás que não vai faltar

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 09 Nov 2007 | sob: Política

Editorial do Estadão desta sexta-feira, 9.

Só quem assistiu ao evento in loco, ou pela TV, pôde ter a exata medida do grau de exaltação, próximo da apoplexia, com que o presidente Lula reagiu, em discurso no Palácio do Planalto, na quarta-feira, àqueles que falaram em crise, quando, como ele disse, “aconteceu um probleminha de gás no Rio de Janeiro”. “Ah! acabou a energia no mundo”, esbravejou ele de olhos esbugalhados como se estivesse respondendo a um insulto, para concluir dizendo que não acabou e “este país já tem energia garantida até 2012”. Leia mais AQUI

Mais um FERIADO na Maniçoba. Viva o Zumbi!!!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 07 Nov 2007 | sob: Política

Recebi há pouco um e-mail dando conta que teremos mais um feriado em Porto Feliz: 20 de novembro, Dia do Zumbi dos Palmares. Segue, abaixo, do jeitinho que chegou pra mim. Comento depois, com muito tédio, diga-se.

Aprovado o projeto de lei que “Institui no município de Porto Feliz, o dia 20
(vinte) de novembro, em homenagem ao dia nacional da consciência negra” na 25ª
Sessão Ordinária de 2007, segunda-feira, 05/10. Após sanção e publicação do
prefeito, será feriado municipal o dia 20 de novembro em Porto Feliz. Projeto de
lei de iniciativa dos vereadores Roberto Brandão (Robertinho) e Valdimir Ferraz
(Nei).

Na sessão ordinária, no último dia 05 de novembro, foi aprovado o projeto de lei
de iniciativa dos vereadores Roberto Brandão (Robertinho) e Valdimir Ferraz
(Nei), que institui o dia 20 de novembro como feriado municipal em Porto Feliz,
com a participação dos conselheiros do Conselho Municipal do Negro e lideranças
e representantes da comunidade negra.

A data de 20 de novembro lembra a morte de Zumbi dos Palmares Líder negro e
representante da resistência negra contra a escravidão e a discriminação racial
em nosso país.

A aprovação do projeto foi mais uma vitória da luta popular e com certeza o
feriado municipal representará uma homenagem ao povo brasileiro, bem como um dia
onde estaremos realizando campanhas de conscientização política e muita luta
social, no caminho para uma sociedade justa, democrática e livre de qualquer
opressão.

MINHA VEZ- Viram só? A Maniçoba agora está dando uma de maria-vai-com-as-outras. Teremos um feriado MUNICIPAL em homenagem a Zumbi dos Palmares. Nada contra o Zumbi, muito pelo contrário. Mas o que isso tem a ver com Porto Feliz? Por acaso o Quilombo era aqui? Pensei que aqui fosse a Maniçoba, né não…? Já sei! Como é feriado em outras cidades (umas trezentas) , aproveitaram para colocar aqui também…no vácuo. Depois que falam que o Brasil é terra dos feriados ….a vagabundagem aplaude.

Fiquei sabendo que a aprovação do projeto ainda teve discussão. Isso mesmo, nossos nobres edis ficaram mais de duas em debate. Até a Andréa Hábeas Corpus ocupou a Tribuna para falar. Aproveitou para achincalhar a “imprensa marron” que a chamou de “vereadora dos feriados”. Que injustiça! Tentei saber quem foi, mas não descobri. É isso mesmo, vereadora, mete a boca…!

Mas vamos voltar ao Quilombo, ou melhor, à Maniçoba. A idéia do feriado foi do vereador Nei do Mercadinho, que tinha mandado indicação para o prefeito apresentar o projeto de Lei. Como Robertinho do PT já o tinha em mão, pronto, resolveram dividir o grande feito. Três colegas não assinaram: José Alberto “Mumu”, Gerão Pacheco e Levi Rodrigues.

Este último, aliás, é negro. Olha só o que ele diz: “Sou a favor da homenagem, claro, mas não do feriado, que trará transtornos financeiros ao comércio da cidade.” E emenda: “Para a cidade crescer, precisamos trabalhar. Mas tem vereador que quer fazer política dando mais um dia de descanso. Não concordo.”

Tá vendo só? Levi, o único negro da história da Câmara, sabe das coisas. Agora, perguntem para os branquelos que sugeriram o feriado quem foi Zumbi dos Palmares? Mas dêem um tempinho para consultar a Internet…hehehehe.

Levi ainda faz uma ressalva. Acredita que o projeto poderá ser barrado pelo prefeito, já que, segundo ele apurou, seria inconstitucional. “Já temos quatro feriados municipais e com esse será o quinto. A Constituição não permite”, afirma.

Não contaria muito com isso, Levi. Seu Gerúndio tem um catedrático em inconstitucionalidade bem embaixo do seu nariz. Viva o zumbi!

“DNA do craque” - Tutty Vasques

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 05 Nov 2007 | sob: Política

Depois de um assunto sério, uma pausa para gargalhar, direto do blog do Tutty Vasques

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Imagine o Romário com 3 mil gols.

Tutancâmon, o faraó menino cujo rosto está agora exposto ao público no Egito, é a cara do Baixinho daqui a uns 2.950 anos.

Essas contas não são reconhecidas pelo craque, que pretende atingir a marca em coisa de 100 anos.

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“O difícil é ser moral. Ser imoral é que é para principiantes” - Contardo Calligaris

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 05 Nov 2007 | sob: Política

Puxei a entrevista que segue abaixo do blog do Reinaldo Azevedo. Foi publicada inicialmente, no ano passado, na revista Primeira Leitura, da qual o jornalista era editor. Republico aqui, também, para que o leitor possa conhecer um pouco sobre o pensamento do pscicanalista Contardo Calligaris, que, entre muitas coisas, diz que o coletivo é a origem do mal e que o foro íntimo livra o homem da barbárie. Como isso se aplica à vida? Leia a entrevista que irá entender! Em certos momentos, parece que estão falando da Maniçoba.

Isso ocorre, por exemplo, quando Azevedo pergunta a seu interlocutor endossaria a afirmação de Samuel Johnson, de que “o patriotismo é o último refúgio do canalha”. Não sei por que, mas a primeira coisa que me veio à cabeça foi aquela frase “Nossa gente faz história”. Isso sempre me pareceu idiota demais. Agora tenho certeza. Há outros trechos de identificação. Afinal, o assunto é contemporâneo às questões do cotidiano.

Há várias citações de autores e pensadores, o que pode parecer um pouco pedante aos desavisados. Mas não é! É, sim, uma verdadeira aula para quem busca entender um pouco mais da vida. No final do pingue-pongue, o leitor poderá acessar o link à íntegra da entrevista em arquivo pdf. Nela, Azevedo dá as referências bibliográficas do autores citados. Boa leitura!

É possível falar do caráter de um povo?
Eu fiz isso, todo mundo faz. É uma herança do século 19. É muito forte na cultura brasileira. Desde o fim do século 19, a grande sociologia brasileira não pára de tentar descrever o que é o brasileiro. Eu acho que há povos que se colocam mais essa pergunta do que outros. Essa espécie de autoconsciência coletiva existe se a gente acredita nela. Há povos que crêem nisso de uma maneira automática, espontânea. É o caso dos franceses. Provavelmente porque consideram que têm um patrimônio histórico comum tão longo, que acham que a nação é uma verdadeira comunidade e um destino. E há os que se interrogam. É natural que essa interrogação caiba especialmente nos povos americanos.

Por que os povos das Américas se interrogam mais, com menos certezas?
Em primeiro lugar, estão aqui por causa de um sonho, ainda que herdado do avô, do bisavô. Mas é o sonho de uma vida em outro lugar. A vida em um lugar onde é possível, sei lá, comer ou praticar a religião sem ser perseguido. É um sonho de futuro. O europeu não tem essa questão. O sujeito é francês porque nasceu na França. Nunca houve nesse processo uma escolha ou um desejo. Uma das grandes diferenças subjetivas do ponto de vista clínico é que certamente, nas Américas, o individuo é muito mais interrogado pelo seu futuro do que pelo seu passado.

Isso muda o discurso da psicanálise?
Não vai aqui um juízo de valor. Os europeus, por exemplo, são especialistas em maltratar a psicanálise norte-americana, esquecendo-se de que a gente analisa sujeitos diferentes, culturalmente diferentes. E uma das grandes diferenças é que o maior peso para um norte-americano é o do futuro, da realização de suas potencialidades eventuais.

Não ser, por exemplo, um loser.
Justamente. Ele está ali por causa de um sonho, dele ou herdado, tanto faz. O europeu vive muito em função de uma dívida que ele tem com o passado. O europeu está mais preocupado com o que o passado exige dele do que em inventar um futuro.

É a diferença que há entre administrar uma herança e acumular para deixar uma herança.
Exatamente. Outro ponto importante é que a travessia do Atlântico implicou uma decisão de renovação: é a queima dos barcos. Isso nos remete a um dos problemas contemporâneos se pensarmos em países que ainda recebem levas de imigrantes, como os EUA. Quando se pode manter um contato telefônico ou via Skype com a terra natal; quando, depois de seis meses de trabalho, pode-se comprar uma passagem e voltar para casa durante uma semana – e isso nada tem a ver com a imigração do passado, deixa de haver uma transformação: a transformação subjetiva que era exigida àquele que imigrava até havia 30, 40 anos. O problema da integração do imigrante nos EUA é relativamente novo. O imigrante nunca foi um problema para a sociedade americana, que se fez mesmo da diversidade de culturas. Eu não gosto muito do conceito de nação. As minhas figuras de referência são aqueles intelectuais do começo da Contra-Reforma, que eram católicos, mas que, na verdade, tinham simpatia pela Reforma. Erasmo é a minha figura intelectual.

Então Rabelais também?
Ah, mas absolutamente sim. Giordano Bruno, nem tanto: acho que faltava nele um pino. Ou dois [risos]. Bem, sou fiel a essas figuras. É preciso lembrar que viveram numa época em que o conceito de nação não fazia sentido. Eventualmente havia a nação das letras, que eram as pessoas que se falavam pela Europa afora. Assim, eu tenho uma antipatia muito grande por qualquer expressão nacionalista. Em geral, tenho uma certa repulsa por qualquer expressão de fidelidade ao grupo.

Você endossaria a frase do Samuel Johnson de que o patriotismo é o último refúgio do canalha?
Sem nenhuma dúvida. Qualquer tipo de fidelidade que passa na frente do foro íntimo é, para mim, a definição do mal.

É a destruição do indivíduo.
Exatamente. Porque, quando isso acontece, aí tudo é permitido. No fundo, a única coisa que coloca limites ao horror, para mim, é o foro íntimo. Eu digo que é o mal porque é a definição do mal do século 20, que deu no fascismo, no nazismo, no stalinismo, em Pol Pot.

Há uma demonização do indivíduo hoje em dia.
Ah, completamente! E por conta de um equívoco. Para mim, individualismo é uma palavra nobre. Louis Dumont é um dos meus mentores intelectuais. Acho que ele é um colosso da antropologia do século 20. O individualismo não tem nada a ver com o egoísmo, mas com uma sociedade em que o indivíduo é um valor superior à comunidade. Eu sei que você gosta disso porque, outro dia, fez alusão a esse pensamento naquele encontro, e eu disse para mim mesmo: “Ah, pensamos do mesmo jeito”. Pois bem: nós dois compartilhamos da idéia de que a tendência antiindividualista é muito presente na parte menos interessante do Iluminismo francês, especificamente em Rousseau. O conceito da vontade geral é verdadeiramente uma das raízes ideológicas do que aconteceu de pior no século 20.

Outro dia escrevi um texto dizendo que Rousseau é o pai de todos os autoritarismos. O que eu recebi de porrada foi uma coisa fabulosa!
Mas ele é! O conceito de vontade geral é um perigo ideológico. O lado do Iluminismo francês que me interessa é Montesquieu. Mas, depois disso, o que me interessa é Locke, Smith… Não deixa de ser curioso que o Iluminismo anglo-saxão não tenha feito muito escola. É considerado inferior ao francês. E a realidade é que o francês produziu o Terror, Napoleão e volta dos Bourbon, depois Napoleão 3º. E, de fato, antes que a França se tornasse republicana, passou-se um século, enquanto o pensamento inglês do século 17 e 18 produziu uma monarquia com uma Magna Carta, produziu os EUA. Não estou inventando nada. Hannah Arendt foi a primeira a dizer que a verdadeira revolução do século 18 foi a americana, não a francesa.

Eu estava pensando nela enquanto você falava sobre o caráter de um povo. O livro Eichmann em Jerusalém deu a dimensão humana, banal, de um facínora, e, ao contrário da crítica sionista feita à época, alargou a dimensão do mal.
Ah, é um texto crucial, inclusive por causa do conceito de banalidade do mal. A razão pela qual certamente esse livro produziu os efeitos que produziu nem tanto está no fato de ela mostrar que Eichmann era um qualquer, porque era, mas porque mostrava que, no fundo, qualquer um é capaz de entrar num funcionamento em que se transformaria num Eichmann. Essa é a coisa que verdadeiramente bate e dói. Minha tese de doutorado, que está trancada há mais de dez anos, porque eu quero fazer uma revisão – ela está traduzida em inglês por um americano, já até recebi um dinheiro que um dia eles vão me pedir de volta [risos], – é sobre isso. Chama-se A Paixão da Instrumentalidade. Está dividida em duas partes. A primeira é uma leitura sobre o funcionamento dos Einsatzgruppen, que eram grupos de extermínio nazistas formados por pessoas quaisquer. Não eram os SS. Era uma espécie de polícia civil que funcionava como grupo de extermínio, especialmente na Polônia. Faço uma leitura disso a partir de uma série de aportes da psicologia social americana, sobretudo estudos sobre a obediência. E a segunda parte mostra como isso funciona na vida cotidiana das pessoas. Mas o fundo da tese é o seguinte: é relativamente fácil se deixar levar, abdicar do exercício da subjetividade, que é um exercício eminentemente cansativo. Ser um indivíduo é um negócio complicado, pesado. E há uma tendência perigosa de se renunciar à individualidade e de se tornar um instrumento de um funcionamento coletivo.

Existe uma culpa coletiva?
Acho que sim. É possível que sim. Acho que existem culpas coletivas e, provavelmente, nos grupos nacionais, também existam. Porque existem culpas que estão, de alguma forma, inscritas na cultura. É sempre um pouco perigoso dizer isso. Eu não sou culpado pelo fascismo italiano. Até a história da minha família me livra desse peso. Mas, por outro lado, não me sinto assim tão italiano… Não é uma resposta simples. Mas como chegamos aqui?

Falávamos dos dois iluminismos.
Sim, fizemos essa excursão e, depois, eu disse que não tenho nenhuma simpatia pelo conceito de nação em geral, pelo nacionalismo, porque me parece o contrário do discurso moderno. Aliás, o individualismo moderno tem origem no cristianismo. Louis Dumont demonstra isso muito bem.

Porque você faz a escolha, não é escolhido.
Claro, é uma relação de Deus com cada um individualmente, independentemente do grupo ao qual o sujeito pertença, inclusive o grupo familiar. É uma relação de foro íntimo. E porque é uma relação na qual o fato de pertencer a uma raça, nação ou o que seja é indiferente.

Existe um caráter brasileiro?
Eu tenho uma implicância, não com o conjunto da obra, mas com algumas coisas do Roberto DaMatta. Acho que ele tem leituras certas do Carnaval etc. Mas não gosto da complacência indentificatória que consiste em dizer: “Sou brasileiro porque gosto de samba e futebol”. Isso eu acho horrível. Um dos perigos desse tipo de definição é que cria um grande momento de prazer coletivo. “Ah, nós somos brasileiros, malandros, todos à venda, gostamos de jeitinho…”

E, se não podemos convencer pelo argumento, vai pela nossa sedução…
Exatamente. Ou então se diz: “Não gostamos de conflito”. Isso é o que tem de pior na tentativa de obliterar nossa história subjetiva e coletiva por meio de uma visão muito fácil de nós mesmos. Veja a frase “O Brasil não é para principiantes”. Isso supõe que a nossa malandragem nos torna especiais e só interpretáveis por especialistas. Pelo contrário: o Brasil é para amadores e principiantes. Porque pagar e corromper é muito fácil. O difícil é construir uma coletividade em que haja leis, institucionalidade. O difícil é ser moral. Ser imoral é que é para principiantes. A malandragem é uma conduta moral de uma criança de 9 anos. O difícil é crescer. Governar pagando o cara para votar comigo é que é amador. O profissional é construir um discurso que convença, é falar com o outro. É claro que o brasileiro não é só isso. A contraparte do jeitinho é o recurso ao foro íntimo acima da convenção, o que é altamente moral.

Vê algum traço particular de nossa formação histórica refletido no nosso caráter?
Isso sempre é tão difícil! Há uma coisa que pode ganhar uma leitura até ufanista, mas que pode ser um problema. O Brasil, por não ter conquistado a independência na ponta da faca, manteve uma espécie de – vou usar uma expressão que meus colegas vão achar completamente ridícula – “complexo de inferioridade” permanente em relação às metrópoles culturais, o que eu acho injustificado e nocivo.

Não há quem ignore a essência do mensalão, para usar uma palavra que reúne toda a bandalheira. Não obstante, as pesquisas indicam, hoje ao menos, que Lula se reelege. Em que medida, como povo, estaríamos aceitando isso tudo e dizendo: “Essas coisas são permitidas”?
A permanência da confiança na pessoa do Lula certamente tem muitas outras explicações possíveis, inclusive a sedução exercida pela idéia de que uma pessoa de origem humilde pudesse chegar no poder. Coisa que, nos EUA, é banal…

… no Brasil, é banal. Basta ver a origem de Deodoro da Fonseca ou de Floriano Peixoto…
Ah, sim, foi na República Velha, que é, diga-se de passagem, acho eu, o grande momento brasileiro. O grupo que chegou [o PT] ao poder achou, – coisa que, na história dos partidos de esquerda, é bastante comum, – que ia governar no interesse do partido, não no interesse da coletividade nacional. Ou seja, confundiu o partido com o “Bem”. Como eu disse antes que acho que a coletividade é a raiz do mal, você sabe o que acho disso. Por que nos indignamos pouco? Porque a história brasileira fornece pouquíssimos exemplos de um governo que tivesse verdadeiramente um interesse pela coisa pública, exceção feita a figuras da República Velha, algumas um pouco exaltadas, como Floriano, que cortava algumas cabeças aqui e ali [risos].

Lima Barreto que o diga… [risos]
Mas, independentemente disso, havia figuras que perseguiam o que eles imaginavam que fosse o interesse republicano. Infelizmente, uma República um pouquinho deificada. Isso comprova o que a gente dizia: a influência do Iluminismo francês – e, claro, do Positivismo. Não era uma República como essa entidade mal definida que resulta do funcionamento entre indivíduos, que é o ponto de vista escocês e inglês. Mas, ao menos, houve momentos em que a noção de interesse público era clara. O Brasil teve pouquíssimos exemplos, desde essa época, de um governo pelo bem republicano. A idéia de uma coisa pública é, de fato, bastante ausente na vida cotidiana da gente aqui. Veja uma coisa espantosa. O cara é dono de um café, um bar, que tem determinadas cores. Então ele se dá o direito de pintar um pedaço da calçada com as cores do seu empreendimento. As ruas viram uma porcaria. A idéia da coisa pública não é forte e espontânea entre nós. Acho que isso faz com que um grupo que governou apenas no interesse do partido, fundamentado na própria reeleição, constitua um escândalo mitigado.

Você falava da República Velha, eu estava aqui pensando que é esse o período mais satanizado pelo marxismo brasileiro, que, curiosamente, vê com bons olhos um presidente parafascista como Getúlio – ao menos entre 1937 e 1945. E se glamuriza a República Nova, a partir de 1930, que é marcada pelo putschismo. Que estranha sabedoria é essa que valoriza o intervencionismo de grupos que tomam o poder de assalto, que impõem a sua agenda, que sufocam a oposição?
O rito histórico da modernização do Brasil fez com que o marxismo brasileiro, naquela época, apostasse numa aceleração, ainda que passando por um processo parafascista. Essa é uma armadilha na qual muita gente caiu, inclusive na Alemanha e na Itália. Mussolini se dizia um socialista antes de inventar o fascismo. Ele se considerava, sem dúvida, a expressão das classes populares.

Há um fenômeno hoje no mundo que é o terrorismo. Ele é a forma virulenta de uma frustração?
Em particular, o terrorismo suicida é sempre a expressão de uma contradição interna – além, claro, de uma contradição externa. Mas isso é até banal. Porque o suicida, além de matar inocentes, se anula, se suprime. Essa decisão de se suprimir é uma maneira de eliminar uma contradição insuportável. Ao se abolir, um terrorista suicida busca abolir uma contradição entre os valores pelos quais eventualmente ele luta e a presença nele próprio dos valores contra os quais luta. Os terroristas de hoje são seres profundamente divididos entre a sedução da cultura ocidental e aquela pela qual morrem. A sedução ocidental não é apenas a do McDonald’s, do I-pod, mas também a de uma cultura que está disposta a reconhecer como sujeito qualquer um. O lado suicida do terrorismo atual é a chave para entender o que está acontecendo. E o que está acontecendo é a progressiva conquista do mundo islâmico pela cultura ocidental.

Seria uma resistência a uma ocidentalização do Islã?
Acho que sim. Os suicidas provam o sucesso dessa ocidentalização. Desse ponto de vista, eu sou bastante otimista. Otimista e com uma certa tendência ao laissez-faire, ou seja, à idéia de que nenhuma intervenção militar terá, como a do Iraque, a longo prazo, o mesmo poder de fogo da expansão natural de uma cultura universalista, ou seja, da cultura ocidental. E esse seu poder é inédito na história: a gente esquece, mas, por exemplo, na cultura romana ou grega, o conceito de “humanidade” não existe. Há os gregos, os bárbaros, os romanos, os não-romanos, mas “humanidade” é uma invenção cristã.

A cultura ocidental não abre mão de seus valores muito facilmente?
Ah, bom, há uma coisa que me apavora um pouco. Ela vive como culpada: culpada de estar desrespeitando a especificidade do outro, de estar invadindo, transformando a realidade cultural do outro. Claro, pensa-se nos momentos em que ela foi colonizadora, violentamente expansionista etc. Por ser universalista, ela tem a tendência de esquecer que é uma cultura, não o “grau zero” da cultura. E por que isso é um problema? Porque, quando há uma luta, a gente pode e deve, sem dúvida, considerar quais são as razões que fazem com que outro tente nos matar e tal. Mas há momentos em que é preciso saber de que lado a gente está. É preciso saber quais são os valores que importam para você. E nós, pela própria característica da cultura ocidental, temos uma grande dificuldade de fazer isso.

Leiam a íntegra da entrevista AQUI. Vejam, também, o Blog do Reinaldão.

Habeas… o quê, excelência?

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 05 Nov 2007 | sob: Política

Promessa é dívida. A certa altura do depoimento da Juçara Guarin à CEI, quando a ex-diretora da PortoPrev se recusava, sucessivamente, a responder algumas questões referente ao “assédio moral” e a retratação à Justiça, a vereadora e membro da Comissão Especial de Inquério, Andréia Mattos, cochichou ao ouvido do presidente Bob Nando, que interpelou com a seguinte colocação: - Um momento, senhores, que a vereadora Andréia quer fazer uma pergunta.

- A senhora [Juçara] tem um documento, ou um hábeas corpus para se recusar a falar- , questionou a vereadora do PT (só podia…)

Hábeas o quê, vereadora? Todo mundo ficou assustado com o juridiquês da nobre parlamentar. Deduzo que Sua Excelência anda assistindo muito a TV Senado, ou lendo as cartilhas do PT. Da época de oposição, é claro!

O escorregão da parlamentar tinha, de fato, um objetivo louvável. Queria saber, na prática, qual das versões a depoente Juçara apresentaria à CEI: a acusação de assédio moral dita à imprensa; ou a retratação em resposta à interpelação judicial?

Juçara disse que valeria à da Justiça! Ou seja, não houve pressão de ninguém para ela fazer o que fez com o dinheiro da PortoPrev. Pelo menos é o que ficou registrado, até que provem o contrário.

Extra!, extra! Seu Gerúndio briga na rua. Que feio…

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 01 Nov 2007 | sob: Política

Provavelmente vocês não vão ouvir esta história na imprensa, porque já está em andamento uma “operação abafa”. Mas é isso mesmo: Seu Gerúndio saiu no braço com um rapaz de 19 anos, chamado Guilherme, nas proximidades do Largo da Penha, próximo do local onde o prefeito está residindo, no final de tarde de quarta-feira.

Fiquei sabendo da história ontem e não acreditei. Por coincidência, encontrei Seu Gerúndio na festa de entrega do Prêmio Pedro Moreau para os professores da rede de ensino, no Estilão. Bingo! O prefeito estava com o rosto, como vou dizer?, danificado. Um bandaid tentava esconder um galo enorme no meio da testa, entre outras escoriações no rosto.

Quando o Gerúndio passou ao meu lado, perguntei o que tinha acontecido. “Foi a Patrícia, ela é braba”, disse. Mais uma de suas mentiras, claro. Poderia ter arrumado uma outra desculpa, mas preferiu fazer ironia com a esposa. Não sei o que é mais feio: apanhar na rua ou botar a culpa na mulher.

Mas e o motivo da briga? Bem, briga de rua (noooossa, ainda não acredito nisso) sempre tem duas versões. A do Gerúndio, como ele mesmo disse, é a esposa; na outra, o rapaz estaria discutindo com a namorada quando o prefeito apareceu. Quis meter a colher e começou o bate-boca.

Daí para frente não se sabe quem bateu primeiro, mas o fato é que o prefeito rolou no chão com o rapaz. Briga de rua messsssmo! Coisa de moleques. Essa é para entrar na história, junto com aquela do Motta (o avô do Gênio) que deu um soco no juiz. Pelo jeito, os nervos andam à flor da pele.

Gerúndio foi socorrido com a chegada da Guarda Municipal. O rapaz também se machucou bastante nas costas. Estranho, né não?

O pessoal da Prefeitura está fazendo um esforço danado para abafar o caso. As partes combinaram em não registrar BO na delegacia.