Outubro 2007

Arquivo Mensal

Vamos falar da CEI. Que preguiça…

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 31 Out 2007 | sob: Política

A reportagem da Viu! acompanhou as oitivas da CEI da PortoPrev, das 8 às 17h. O resultado deverá estar no site amanhã pela manhã. A TV TEM deu uma passada rápida e se mandou. Mais ninguém da imprensa passou por lá. O assunto não deve ser muito importante, né não? Ah, ia me esquecendo: Décio Fernandes, o Cid Moreira da rádio, passou por lá, com um relâmpago. Pediu para o assessor mandar o texto. É assim que funciona o jornalismo “independente” na Maniçoba!

Eu dei uma passada pela manhã, durante o depoimento da Juçara. Na da excepcional, mas algumas notas valem registro. Também seguem algumas informações que pesquei com a reportagem da Viu!. Vamulá!

Juçara Guarin dos Anjos, a ex-diretora, surpreendeu a todos quando apareceu na companhia de um advogado. Acompanhou tudo sentado à mesa das oitivas e, no final, ainda pediu para anexar um relatório que, segundo ele, mostra os dados técnicos do dinheiro investido.

Vejam só, Dona Juçara não está tão desamparada como disse. Tem até advogado especializado no assunto. O nome dele é Luis Roberto Piffi. Disse-me que conhece Claudenir Vieira da Silva, outro depoente da tarde. Na verdade, descobri que estão todos compartilhando da mesma estratégia de defesa: Juçara, Isac, Claudenir etc…Mas depois falo sobre isso.

A parte mais interessante do depoimento da Juçara foi quando lhe perguntaram sobre a questão do “assédio moral”. À imprensa havia dito que sofrera pressão do prefeito Maffei e do vereador Robertinho. Depois de interpelada judicialmente, fez retratação, nos dois casos.

Questionada sobre as duas versões, se recusou a responder. Depois disse que à CEI valeria à da Justiça. Hummmm, agora sim. Alguém, oportunamente, lhe perguntou por que falou tudo aquilo à imprensa. Sabe o que Juçara disse: “Política”!

O presidente da CEI, Nando César, fez a pergunta que faltava para elucidar o caso: a senhora alegou que estava enfrentando problemas psíquicos com a exoneração, mas procurou um médico para se tratar? Sabe o que Juçara respondeu: não! Mas deveria!

E o Isac Fernandes, o motorista que anda espalhando terrorismo a meu respeito (veja post anterior)? Ah, teve repentino ataque de amnésia. Não se lembrava de nada que lhe era perguntado. Tipo aqueles cara que estão envolvidos até o pescoço mas não querem se comprometer: num sei, dotô!, não lembro, dotô!

Amanhã comento sobre outros depoimentos, que, pelo que apurei, ficaram ao sabor de picolé de chuchu. Tem também uma pérola da vereadora Andréia Mattos. Do PT, claro. Mas fica para amanhã. Só para vocês ficarem ainda mais curiosos: é antológica…hehehe.

Inté!

Estou jurado…!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 31 Out 2007 | sob: Política

A primeira vez a gente não leva a sério; na segunda, começa a imaginar que pode ser possível; na terceira, a coisa já começa a ficar séria e preocupa, claro. Na verdade, já recebi nos últimos dias quatro avisos de pessoas diferentes que “estão armando alguma pra cima de mim”. Dois dos meus interlocutores afirmaram que ouviram o motorista da Câmara, Isac Fernandes, que estariam (assim, no indifinitivo) “armando pra cima de cima de mim”. E foi enfático no comentário: “eu não queria estar na pele dele”.

Encontrei com Isac agora há pouco na Câmara. Ele foi presidente do Conselho Gestor da PortoPrev e vai depor logo mais. Perguntei que história é essa e quem falou que “estaria aprontando pra cima de mim”. Negou que tenha falado isso para alguém, no seguinte diálogo:
- Quem é que está aprontando pra mim?
- Não sei de nada
- Sabe, sim, porque comentou com duas pessoas diferentes
- Juro, não falei com ninguém. Tenho o maior consideração por você
- Tudo bem, mas você sabe que comentou e sabe quem falou, não vai me dizer?
- Não sei de nada, Marcelo, pode ficar tranqüilo…

O diálogo parou aí. A história não. Fica aqui o registro. Se alguma coisa acontecer a mim, perguntem primeiro pro Isac. Motoristas sempre sabem das coisas. Ao volante, olham sempre pra frente, mas os ouvidos captam tudo pelos lados.

Sofredores, graças a Deus!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Out 2007 | sob: Política

FORCA TIMAO copy - FORCA TIMAO copy

A foto aí de cima é do treino do Corinthians de sábado, registro do amigo Daniel Augusto Junior, corinthiano roxo. Nos encontraremos daqui a pouco no Pacaembu. Eu, lá em cima na numerada, com a família e amigos, e ele lá embaixo, no gramado.

Meu posto é privilegiado, claro. Fico mais à vontade para torcer. Daniel vai ver o jogo por outro enquadramento, torcendo com a objetiva. Boa sorte pra nós dois e toda a nação corintiana.

Mas não se preocupem não. Se a gente perder, continuamos corintianos, sofredores, graças a Deus! Se ganharmos, lavamos a alma. Só até a próxima partida! Daí começa tudo de novo. É a vida!!! E é bonita!!!

Gerúndio “não tem poder de decisão”

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Out 2007 | sob: Política

O articulista de Veja, André Petry, deu nova carga às discussões sobre o uso indiscriminado do gerúndio na Língua Portuguesa na edição desta semana. Ouviu alguns especialistas e deu voz até para quem justifica o emprego dessa geringonça.

Vejam o que diz, por exemplo, a professora Ana Paula Scher, da Universidade de São Paulo, que acata o gerundismo como uma expressão possível: “Quando ouvimos isso, interpretamos que não existe nenhum comprometimento, por parte do falante, de que a ação vai ser levada a cabo”, defende ela, que é autora de um trabalho sobre o tema junto com a professora Evani Viotti.

Olhem só, agora, como Ana Paula define o emprego exagerado de quem diz “vamos estar analisando”: “é uma estratégia adotada por quem não tem poder de decisão”. Não é preciso dizer mais nada, né não?

Para mim, nada justifica essa pobreza verborrágica. Gerundismo é soda cáustica no leite das criancinhas! É uma farsa e faz um mal danado!

“Não me compare com Maffei”, diz Erval

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Out 2007 | sob: Política

A frase de cima é do ex-prefeito Erval Steiner, que me ligou logo após eu liberar o comentário do post abaixo. Não gostou, como se percebe, da comparação que fiz e apresentou seus argumentos.

Erval ressalva, como já havia adiantado, que a forma fragmentada como foram realizadas as obras no atual prédio da Prefeitura possibilitou uma redução significativa do preço final da reforma. Faz a comparação com a Praça da Matriz, prestes a ser concluída e que custou aos cofres públicos cerca de R$ 500 mil. “Veja só, gastaram o valor equivalente a 500 bois para replantar florzinha na praça; nós fizemos uma Prefeitura nova com 800. Percebe a diferença?”, compara, com uma questão bem a seu estilo.

O ex-prefeito diz, também, que sua gestão gerou empregos na cidade, contratando 23 empreiteiros diferentes, por meio de Carta-Convite, para realizar os serviços. “É diferente das Oscips, que foram contratadas sem nenhum tipo de licitação ou concurso”, afirma. “ Está vendo, Marcelo, você foi injusto comigo”, reclamou.

Erval tem bons argumentos. Vê as coisas de uma forma simples, pragmática. Aceito suas colocações. A comparação, porém, faz sentido aqui, no campo das discussões políticas. Na área jurídica, onde ambos estão sendo questionados, é diferente. Lá, o embate se restringe a uma regra básica: “se há uma Lei, ela deve ser cumprida”.

O que se percebe, e talvez isso se aplique a ambos os casos, foi a completa falta de assessoria jurídica à altura do serviço público, com profissionais de competência comprovadas em concurso público. Vejam só, o Jurídico da prefeitura é, há décadas, composto por advogados “de confiança” dos prefeitos. Até hoje é assim. O melhor exemplo é cargo de “procurador”, ocupado emblematicamente pelo Dr. Rei, o imperador jurídico do município, renomeado pelo Seu Gerúndio.

Por aí não é difícil imaginar por que os ex-prefeitos da cidade (Erval, Dr. Léo e agora Maffei) acumulam processos na Justiça. Confiança nem sempre é compatível com competência e profissionalismo.

Erval foi indiciado! Acorda Viu!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 25 Out 2007 | sob: Política

O site da Revista Viu! está atrasado, como eu. Publicou só hoje a notícia que a Tribuna divulgou no sábado, como exclusividade, sobre o indiciamento do ex-prefeito Erval Steiner e do ex-diretor de Obras, Miranda. Um belo furo. A Viu! deve estar compactuada com Erval. Resguardou-o por quase cinco dias. Que coisa feia, hein? Hehehehe.

Fui reclamar com o editor, o tal do Marcelão Forgadão. Saiu pela tangente. Disse que estava muito atarefado e que a reportagem precisava checar as informações antes. Então tá! Se fosse contra o Seu Gerúndio…, ah!, daí a notícia já estaria no ar antes da sentença da juíza. Estão vendo como ele “manipula”.

Quer saber o que penso disso tudo? De verdade mesmo, digo que Erval cometeu o mesmo erro de Seu Gerúndio com relação às Oscips. Diz que da forma como foi feita a obra saiu bem mais em conta do que se tivesse feito licitação. Até acredito, nos dois, mas o trato com a coisa pública não funciona desse jeito! As regras têm de ser respeitadas. Essa história de pegar atalhos em vez de seguir os caminhos desenhados pela Lei pode dar problema. E deu! Tanto para um, quanto para o outro. Agora vão ter de se explicar na Justiça!

Da próxima vez, vê se faz a coisa certa, como já dizia Spike Lee!

Publicidade do Governo? Em Londrina não pode

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 25 Out 2007 | sob: Política

Sabem aquelas placas enormes que seu Gerúndio colocou pela cidade, anunciando obras - algumas ainda porvir - de sua gestão, com o barquinho e a frase “Nossa gente faz história”? Pois então, a prefeitura de Londrina (PR), também do PT, claro, fez o mesmo e foi acionada pelo Ministério Público. A Justiça acatou a improcedência e mandou retirar tudo. Veja matéria da agência Londrix a seguir:

londrina - londrina
LONDRINA - O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), não pode mais usar a logomarca do governo municipal - uma bandeira de Londrina com fundo vermelho e os dizeres Prefeitura de Londrina. Governo do cidadão - por decisão da Justiça. O juiz da 1.a Vara Cível de Londrina, Mauro Ticianelli, entendeu que o uso da marca criada em 2001, na primeira gestão de Micheleti, “personaliza” a gestão em placas, veículos e obras municipais.

Os promotores Leila Voltarelli e Renato de Lima Castro, de Defesa do Patrimônio Público, entraram com ação por improbidade administrativa contra Micheleti em 2004. Uma liminar foi concedida ao Ministério Público, confirmando o entendimento de que o uso do símbolo “personalizava a administração”, ferindo o princípio da impessoalidade, previsto no artigo 37, parágrafo 1º da Constituição Federal.

Agora, o prefeito terá que deixar de usar a logomarca e retirar as existentes. Do contrário, fica passível de multa de R$ 5 mil.

Apesar do juiz aceitar a argumentação do Ministério Público, não condenou o prefeito por improbidade administrativa. Assim, o Ministério Público pretende recorrer da decisão, entendendo que se houve violação ao princípio da impessoalidade, como definiu o juiz, houve improbidade. A Prefeitura poderá recorrer da decisão.

Leia íntegra AQUI

José (o outro) e a fidelidade partidária

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 23 Out 2007 | sob: Política

Recebi um e-mail do amigo advogado José Maria da Costa, comentando o post sobre “fidelidade partidária”. Como já disse em outra ocasião com relação ao outro José, amigo fica aqui em cima. Publico a seguir e comento depois, claro!

“Prezado Marcelo , tratando-se de política, de fato é difícil saber quem é o lobo e quem é o cordeiro ou quem estaria disfarçado de que, no entanto, o importante é analisar os interesses, pois política é um jogo desses.
No caso analisado (tão difícil falar em ‘fidelidade’ dentro da política, não é mesmo?), discordo do exemplo do casamento, na minha opinião, mal colocado.

Quando se casa com alguém, se jura ser fiel até a morte (um dos deveres do casamento). Se sua mulher muda de sexo, a separação tem uma causa legal que justifique. No entanto, se sua mulher muda de comportamento ou passa a ser mais amarga, seu dever de fidelidade deve subsistir, pela força do juramento…

No caso da fidelidade partidária, da mesma forma: se você deve fidelidade ao seu partido, deve sempre, ainda que ele se junte a um outro, para se tornar um terceiro, pois esse último só existe em virtude da junção dos outros dois. Ademais, uma junção política só pode ocorrer se existirem ideologias semelhantes.

Não se pode usar como desculpa (diria ‘esfarrapada’) para ser infiel o fato de seu partido ter se juntado a outro para criar um terceiro… Um marido jamais pode justificar sua infidelidade pelo fato de sua mulher ter se tornado chata ou ranzinza.

Vale lembrar que a fidelidade partidária existe há um razoável tempo, mas que só agora veio à tona, devido a interesses (de novo, essa palavra) de alguns.

Como se vê, cada político se defende segundo seus interesses… nesse caso o interesse dos ditos prejudicados com a tal ‘fidelidade’ convenceu a opinião do jornalista. Talvez novos argumentos o façam mudar seu pensamento. Como tudo vai depender do Direito, essa ciência HUMANA, vai sobrar argumentos de todos os lados!”

MINHA VEZ - Para quem não conhece, José Maria da Costa é aquele que aparece agarrado por Seu Gerúndio na foto de capa que a Tribuna publicou no fim de semana, ao lado de Vartão de Lara. Está, evidentemente, constrangido com o aperto “ideológico” que representam estas duas figuras da política nativa.

Não obstante, José também mostra-se empolgado com sua incursão no mundo político-eleitoral, agora no pomposo posto de presidente do diretório do PDT. Pena que esteja dividido entre pontos tão distintos. Talvez isso justifique a argumentação trôpega que utilizou para tentar fazer-me mudar de idéia.

Não entendi, na verdade, se o amigo discorda de mim ou do exemplo que utilizei. Pode ser dos dois. O amigo também não deixa claro se sua análise é sobre o ponto de vista político ou de Direito, que são coisas distintas. Não ficou claro, ainda, se o comentário é com foco pragmático ou filosófico. Por fim, meu caríssimo interlocutor também coloca no mesmo tacho o Direito civil com religião, o que é imperdoável para um causídico tão gabaritado quanto ele.

Mas vamulá! A selva é grande e não vou deixar o amigo sozinho no meio desses lobos em pele de cordeiros, mesmo que isso me custe mais umas “mordidas” da ira alheia que não consegue entender o papel de jornalistas no processo político.

Diz o advogado que o exemplo do casamento foi “mal colocado” por mim, “(…) porque quando se casa com alguém, se jura ser fiel até a morte”. Mas onde está escrito isso, doutor? Nas tábuas de Moisés? Só pode ser, porque no Direito Civil, que o nobre advogado conhece bem, não é preciso subir o Monte Sinai para arrumar uma “causa legal” para justificar a separação. Basta a simples incompatibilidade de gênios e pronto, cada um vai cuidar da sua vida. Percebe, agora, a miscelânea que está propondo, amigo? Melhor deixar as crenças fora disso.

Vejam, agora, como o doutor escolheu um partido para o seu Deus, ou um Deus para o seu partido: “No caso da fidelidade partidária, da mesma forma: se você deve fidelidade ao seu partido, deve sempre, ainda que ele se junte a um outro, para se tornar um terceiro, pois esse último só existe em virtude da junção dos outros dois. Ademais, uma junção política só pode ocorrer se existirem ideologias semelhantes”.

Deixando a religião de fora, a discussão fica bem mais interessante, tanto do ponto de vista pragmático quanto filosófico. Podemos debater, por exemplo, qual é a “ideologia” que fez Bob Nando e Fred Vartão, eleitos com o ex-prefeito Erval Steiner, a se unirem com seu rival, o Gerúndio do PT? Por acaso é a ideologia do mensaleiro Valdemar Costa Neto, o patriarca do PL que virou PR? Ou a ideologia Zé Dirceu? Ou seria a de Marcos Valério? Deixo o doutor Zé Maria responder para vocês: “cada político se defende segundo seus interesses…”

Ora, ora, é com esse pensamento que o jovem causídico se propõe a entrar na vida pública? Quer dizer que, na sua visão, a “política” está reduzida a “um jogo de interesses pessoais” e ponto final? Diga-nos, então, amigo, qual é o seu interesse em ser presidente do diretório do PDT e posar esmagado por tanta contradição?

Obviamente, não compartilho dessa opinião. Preocupa-me, aliás, ver um jovem com carreira promissora (tanto no campo do Direito quanto da vida pública) adentrar na política pela porta dos fundos, com seu campo de visão reduzido a interpretações tão mesquinhas.

Lamento, também, vê-lo tão artificial ao lado dessas companhias. Você deve mesmo estar embebecido com a Água Velva que Bob Nando lhe serviu. Sai dessa, José! Ressaca moral vai lhe dar muito mais dor de cabeça do que aquelas cervejas que, de vez em quando, compartilhamos.

Para que servem os intelectuais

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 19 Out 2007 | sob: Política

A vez dos vices

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 19 Out 2007 | sob: Política

Vamos matar as saudades e recuperar o atraso. Outro tema bom para gente comentar: quem vão ser os vices? Tenho uma boa teoria para abordar o assunto, com base nos traços que começam a ser desenhados para a próxima eleição. Vejamos.

Existem hoje dois candidatos declarados ao pleito de 2008: Maffei e Erval. O segundo está um tanto enrolado com a Justiça, com problemas que podem tirar-lhe a legitimidade eleitoral. Não está nada certo ainda, mas PODE. E se existe essa possibilidade, é bom considerá-la.

A situação de Maffei, a princípio, parece mais confortável. Parece. O atual prefeito já começa a sentir na pele a imprudência administrativa de seu governo. Há várias ações em curso, tanto no Ministério Público local, quanto em outras esferas da Justiça. A aventura do início de sua gestão com a Oscip Ágere, por exemplo, já bateu no Tribunal de Justiça, que acatou denúncia e abriu sindicância. Outras devem vir: PortoPrev, Oscip Isama, Caso Cláudia Atemporal etc. A tendência é que as denúncias se intensifiquem no período pré-eleitoral, como é de praxe.

Compõem-se, com isso, o quadro interessante ao qual me referi no primeiro parágrafo.
Os dois principais candidatos – até agora – estarão concorrendo com a possibilidade de “ganhar, mas não levar”, o que diretamente dá um peso maior aos seus respectivos vices.

Relegado historicamente a um posto de irrelevância, desta vez a escolha do vice pode seguir critérios diferentes. Maffei e Erval vão estudar com mais cuidado aquele que, com possibilidades maiores ou menores, poderá, sim, ficar no seu lugar.

A tendência, até o momento, é que o grupo encabeçado por Erval escolha um vice do PSDB ou do DEM, caso estes não apresentem candidatos próprios. Vários nomes estão sendo cogitados: Gerão, Nelson Moraes, Mumu etc

Do lado do PT a coisa fica mais complicada. Caso se confirme a instabilidade jurídica de Maffei, dificilmente o partido cederá o posto de vice a seus aliados. Irá escolher alguém mais comprometido com o “esquema PT de governar”. Tem muita gente hoje dependendo disso na Prefeitura.

Diante desse quadro, caem as chances de Nando César ser vice Maffei. O ex-presidente da Câmara costuma ser duro na batuta quando está na crista da onda, e a turma do gerundismo sabe disso. Imaginem o risco que estariam correndo caso venham a ser subordinados a Bob Nando.

Poderia, então, ser algum vereador do PT: Miguelito Arcarjo, por exemplo, parece ser quem tem mais peso para entrar na fila. Seu sonho mesmo é ser prefeito, mas é súdito o suficiente para rezar na cartilha que sustenta vários de seus familiares no governo. É um menino obediente, diria Lula. Correm por fora Robertinho (pouco provável, porque também está sendo investigado noi caso PortoPrev) e alguns nomes do que sobrou do PMDB.

Há, ainda, a remota possibilidade de Hélido Tuani ser indicado a vice de Maffei, caso não apareça nada mais interessante. Foi o que lhe disseram, não nessas palavras, claro. E ele acreditou. Recentemente, até deixou o PMDB para se filiar ao PT, mais uma prova de que em política, diferente da física, os semelhantes se atraem. Na minha modesta opinião, Hélido cairia como uma luva para ser fantoche do PT. (pronto, acabei com sua chances…hehehehe)

É claro que, no momento, trata-se de apenas conjunturas. Muita coisa pode – e deverá –acontecer. Uma coisa é certa: vice não vai ser apenas figurante, como muitos imaginam.

Infidelidade partidária: quem é o lobo e o cordeirinho nessa selva?

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 19 Out 2007 | sob: Política

Estou bem atrasado com os assuntos. Vocês já sabem, preciso correr em outro lado para pagar o leite das crianças. Quando a gente não vive às custas do governo a coisa é mais difícil. Mas também é mais gostosa, muito mais. Esse negócio de andar de coleirinha não é comigo.

Falando em coleirinha, tem um assunto que não posso passar em branco. Chama-se: fidelidade partidária, aquela polêmica que acabou definida pelo Supremo Tribunal Federal com louvor. Parece-me que, daqui pra frente, as coisas ficarão mais claras. O que não está bem resolvido ainda é o passado: os políticos que trocaram de partidos e os partidos que trocaram de políticas (isso mesmo, com “a”).

Na verdade, é difícil saber quem é lobo e quem é cordeirinho nessa selva. Um gosta de travestir-se do outro. E na Maniçoba a cosia não é diferente.

Vejam, por exemplo, o caso do PL (que depois virou PR) que elegeu o maior bancada da Câmara, com cinco vereadores, nominados a seguir em ordem aleatória: Simone Prado (suplente Maria Tereza de Moraese) Nando César, Levi Rodrigues, Valter Rodrigues (suplente Nei do Mercadinho), Valtão de Lara. Todos estavam com o ex-prefeito Erval Steneir, que, com mais de 10 mil votos, acumulou coeficiente para ajudar seus correligionários a atravessar a estreita porta de 10 cadeiras legislativas. Falando bem claro: se não fossem os votos de Erval, tem gente que nem vereador seria hoje.

O caso é mesmo emblemático para mostrar quem vai fazer o papel de lobo e o de cordeirinho nessa história. Vamos lá. Erval foi eleito com o apoio irrestrito (estou plagiando o Zé, aquele que queria ser do PV) do deputado Valdemar Costa Neto. Este, por sua vez, acabou sendo sugado pelo Mensalão. Para não ser cassado, RENUNCIOU.

O ex-prefeito Erval, assim que soube do envolvimento de Costa Neto com o Mensalão, caiu fora. Seu rebanho ficou, de certa forma, órfão na Câmara. Daí começou o vai pra lá, vai pra cá.

Entre idas e vindas, a situação ficou composta da seguinte forma: Dona Maria, Nei e Levi estão no PV, fiéis às opções de papai Erval. Bob Nando foi para o PDT, mas quando percebeu que poderia tomar um “caldo”, voltou rapidinho ao PR. Entregou o partido dosirmãos Nogueira ao amigo advogado José Maria da Costa, de quem já fazia a cabeça há algum tempo (era seu cabeleireiro). No vaivém, que acabou ficando com a presidênci do PR (ex-PL) foi Fred Vartão, parceiro de Bob Nando.

Vartão não ficou só com o PR. Ficou também com sua santidade partidária, Valdemar Costa Neto. Fez o que seu antigo padrinho, Erval Steiner, se recusou a fazer: apoiar o deputado mensaleiro no seu retorno ao Congresso.

Eis que, agora, Vartão está processando Nei do Mercadinho por… “infidelidade partidária”. Percebem só para aonde enveredaram os lobos e cordeiros? É o que se poderia chamar de “miscelânea ideológica”. Poderia, porque na verdade não existe ideologia nenhuma nisso, em nenhuma das partes. É tudo interesse político pessoal.

Mas não vamos fugir do ótimo exemplo. Vartão foi eleito com a ajuda de Erval, que era oposição à atual gestão do PT. Erval continua sendo oposição, mas mudou de partido; Vartão ficou no partido, mas mudou de posição. Nei ficou ao lado de quem ajudou a elegê-lo (mesmo como suplente). Foi fiel à proposta apresentada em campanha. Já Vartão, não. Mudou de lado. Agora apóia o governo do PT, que tanto combateu no início da gestão. Antes rugia, agora mia. Quem é o infiel, quem é o traíra?

Outro detalhe: Nei e Fred Vartão foram eleitos pelo PL, que se juntou ao Prona para formar o PR. Ou seja, o PL nem sequer existe mais.

Outros dois casos podem seguir caminhos parecidos: o da presidente da Câmara, Dona Maria, e o de Levi. Ambos não concordaram com a junção do PL e Prona para formar o PR, e ficaram do lado de quem, de fato, os ajudou na campanha: Erval Steiner. Vou escrever para os petralhas entenderem (acreditem, são meus fiéis leitores): Você se casa com Virgínia; depois ela e se junta com Balbina e se transforma em João. Pergunto: você mantém-se no casamento ou vai procurar outro, como dizem por aí,… partido?

O Supremo já previa isso, tanto que deixou as portas bem abertas para a discussão. Com tantos lobos e cordeiros nessa selva, vais ser preciso mesmo um bom pastor para conduzir o rebanho.

O presente que veio das Oscips

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 15 Out 2007 | sob: Política

Maffei - Maffei

Lembram-se desta capa? Foi em fevereiro do ano passado. Seu Gerúndio e sua trupe viviam às mil maravilhas com a tal Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Achavam mesmo que tinham reinventado a roda.

O Tribunal de Justiça agora que saber como funciona essa “roda”. Acatou a denúncia do Ministério Público local e vai investigar se houve “desvio de verbas públicas” na gestão prefeito Cláudio Maffei. Nooooossa! A coisa é séria.

A história começou com os cheques que o motorista Florival Mariano (veja abaixo) afirmou ter ido buscar em Boituva, na chácara do Balsimelli. Pode parar nas obras inacabadas da creche que a Oscip Ágere se comprometeu em construir atrás do campo do Gole. Maffei usou a Oscip Ágere além da conta. Foram mais de R$ 1 milhão de repasses, até para fazer obra civil.

Tem, também, uma representação da ex-vereadora Simone Prado sobre a atuação da Oscip Isama, que controla o Programa Saúde da Família, com verbas anuais que giram em torno de R$ 2 milhões. É muita coisa. Vai saber…Cabe agora à Justiça apurar se tudo foi feito dentro da lei.

Tenho a impressão que esse negócio não vai acabar bem. No site do Tribunal de Contas, ao lado de onde registra-se essa sindicância, o nome de Cláudio Maffei aparece em um outro processo em “segredo de Justiça”. Vais saber…

O que todo mundo sabe, de verdade, é como o PT vem usando as tais ONGs para favor seus interesses. Já criaram até uma nova sigla: ONGG - Organização Não-Governamental Governamental. Faz sentido, claro, elas nascem com o objetivo de atuarem no Terceiro Setor, mas vivem às custas do Segundo Setor: o GOVERNO. Quem nunca teve competência para atuar na iniciativa privada, arruma um “jeitinho” para se sustentar às custas do dinheiro público.

Podem constatar: boa parte de quem está nas ONGG são órfãos do sindicalismo da era metalúrgica de Lula. E na Maniçoba não é diferente.

Floriano 1 - Floriano 1

Chegou o horário de Verão. Fique esperto!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 15 Out 2007 | sob: Política

“Ações contra a imprensa”

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 15 Out 2007 | sob: Política

Leia trecho de editorial do Estadão, desta segunda-feira:

Uma pesquisa sobre os cinco maiores grupos brasileiros do setor de comunicação revela que o País é o campeão mundial de ações de indenização por dano moral impetradas contra jornais e jornalistas. Segundo o levantamento, feito pela organização não-governamental britânica Artigo 19, o número de ações indenizatórias contra os órgãos de imprensa no Brasil é praticamente igual ao número de profissionais que eles empregam em suas redações. A entidade, cujo nome vem do artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e que lidera uma campanha mundial em defesa da liberdade de expressão, considera a situação brasileira “preocupante”.

Segundo o levantamento da Artigo 19, até abril os cinco maiores grupos do setor de comunicação do Brasil empregavam 3.327 jornalistas e respondiam a 3.133 processos por dano moral. Além disso, enquanto o salário-base da categoria é de apenas R$ 2.205,00, não tendo sofrido aumento real nos quatro últimos anos, o valor médio das penas pecuniárias aplicadas pelo Judiciário quadruplicou no mesmo período, passando de R$ 20 mil, em 2003, para R$ 80 mil, em 2007.

A maioria das matérias jornalísticas que provocaram a abertura dessas ações por dano moral se refere a investigações sobre desvio de dinheiro público, nepotismo, tráfico de influência e abuso de poder praticados por dirigentes governamentais, parlamentares, promotores e até magistrados. Ou seja, por envolver corrupção e profissionais que atuam nos diferentes setores e instâncias da máquina estatal, as matérias são de inequívoco interesse público. Muitas vezes, além disso, as fontes de informações são os próprios órgãos institucionais encarregados de zelar pela probidade administrativa no setor público, como Tribunais de Contas, Controladoria-Geral da União e Ministério Público.

Leia a íntegra AQUI

Viu! nas bancas e assinantes

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Out 2007 | sob: Política

CapaBandeirantes - CapaBandeirantes

O “técnico” Bérgamo agora é partidário do PMDB

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Out 2007 | sob: Política

O superintente do SAAE, Ródnei Bérgamo, está nadando de costas do governo petista. Aos poucos, foi colocando a coisas do seu jeito. Aproximou-se do Gerúndio com tanta profundidade que praticamente virou um “consultor” pessoal, tipo o Marco Aurélio Toc Toc Toc é do Lula.

Até Bom de conversa, Bérgamo também tem convencido a Câmara com lobby a favor de projetos que lhe convém. Geralmente, ou quase sempre, trata-se de liberação de verbas à sua autarquia. Leva todas! Batata. Também, com o nível de vereadores que temos…

A conversinha mansa de Bérgamo também colocou sua esposa no posto de chefe de Assistência Social. Dona Regiane, pelo que apurei, não é da área. É professora. Uma pessoa sem motivos para exagerar ou mentir disse-me que é mais fácil falar com o Gerúndio do que com ela. “Trabalha com a porta fechada. É a primeira que a diretoria é comandada por alguém que não tem formação na área”. É, tudo a ver com…”assistência social”.

Como percebe-se, o Governo sempre é uma boa opção para quem está desempregado. Melhor ainda quando pode-se colocar toda a família. Mas isso não é para qualquer um: precisa ser amigo do Rei e bom de conversa. Sir Lancelot tem essas qualidades!

Para flutuar em todos esses ambientes, Bérgamo tinha uma retórica com conciliadora na ponta da língua: sou técnico, não político. Tá bom… Agora, vai ter de mudar o discurso. Acabou de se filiar ao PMDB, a pedido do Seu Gerúndio. Ou seja, Sir Lancelot agora é correligionário de Genésio Ventura e cia.

CEI da PortoPrev, do jeito que Bob Nando queria

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 11 Out 2007 | sob: Política

O clima ficou quente ontem na reunião da CEI da PortoPrev. Diria, quente para alguns, e muito confortável para outros. Explico-me. O advogado da prefeitura, José Carlos (aquele que ganhou o cargo depois de dar apoio irrestrito do PV, que escapoliu-se das suas mãos) pediu cópias de documentos do processo. O vereador José Alberto “Mumu” (PSDB) foi contra ceder material enquanto não finalizar os trabalhos; Andréia Mattos (PT), óbvio, foi a favor do advogado da prefeitura.

Eis que surge uma idéia mirabolante. O presidente Nando pegou a onda e deliberou que as cópias fossem fornecidas “apenas” para os vereadores. É história da carochinha, claro. Bob Nando já mostra, por aí, qual é a onda que vai pegar. Fornecendo documentos para os vereadores, é óbvio que chegarão às mãos da prefeitura, que mostra uma preocupação acima do normal com relação a esta CEI.

A questão não é se a Prefeitura terá ou não acesso aos documentos, mas sim a forma como se discute e se resolve divergências dessa ordem. Se a opção é divulgar, que façam a todos, sem discriminação. Por que só essa ridícula opção de acesso só dos vereadores? A quem se pretende enrolar com essa história?

O que está claro nessa história é a opção de Bom Nando, que está cada vez mais próximo aos desejos de Gerúndio. Já comenta-se que o presidente da CEI “não sai da sala”do Dr. Rei, o “procurador-por-nomeação” na Maniçoba! Quer mais uma amostra de como Bob está afinado com Gerúndio? Sua ex-assessora, Valkíria, foi contratada pela ISAMA, aquela Oscip que recebe R$ 2 milhões ao ano dos cofres públicos.

Está evidente, também, que os pretorianos de gerundismo petista estão todos mobilizados para abafar a CEI. Por enquanto, Nando está nessa onda.

Meu Corinthians, na Vejinha. É dureza…

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 08 Out 2007 | sob: Política

Se fosse petista, falaria sobre a heróica vitória sobre o São Paulo. A realidade, porém, é mais dura do que parece. Quebramos um tabu incômodo, é verdade, mas não dá muito para comemorar. Vejam, abaixo, reportagem daVejinha, revista que circula dentro da Veja na Capital (Maniçoba não recebe). Fala do buraco em que se meteu nosso glorioso Corinthians, reconhecidamente uma instituição de São Paulo. Com texto de André Rizek e colaboração de Filipe Vilicic

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Vítima de uma parceria funesta, com dinheiro de origem obscura e administração desastrosa, o Corinthians meteu-se num buraco fundo que envergonha e assusta sua imensa torcida

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Não é a primeira vez que a fiel torcida atravessa um momento de trevas. Em 1912, ela viu o Sport Club Corinthians Paulista ter sua sede penhorada. No primeiro ano do profissionalismo no futebol brasileiro, em 1933, amargou derrotas históricas para o Palestra Itália (8 a 0 e 5 a 1), para o Santos (6 a 0) e para o então São Paulo da Floresta (6 a 1). Ficou quase 23 anos sem gritar “campeão”, de 1954 a 1977, e teve de agüentar a ironia dos adversários – no início da década de 60, o time era tão ruim que ganhou o apelido de “Faz-me Rir”, em referência a uma música de sucesso cantada por Edith Veiga. Até para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro a equipe já foi, em 1981. Mas nunca, em 97 anos de história, o clube havia mergulhado em um buraco tão fundo como o de agora.

Segundo pesquisa publicada pela revista Placar deste mês, o Corinthians detém 14,83% dos torcedores brasileiros, atrás apenas do Flamengo (15,34%). O São Paulo, o terceiro do ranking, possui 11,89%. “A torcida do Flamengo é terceirizada, formada por quem mora no Nordeste e diz que é Bahia e Flamengo, Fortaleza e Flamengo”, afirma o publicitário e torcedor fanático Washington Olivetto. “Aqui, o cara é Corinthians e acabou. Somos a maior marca do Brasil.” Clube mais popular da maior e mais rica cidade do país do futebol, o Corinthians, caso fosse administrado com competência, poderia ver sua fama facilmente ultrapassar as fronteiras nacionais – e ter o tamanho de um Real Madrid ou de um Milan.

O ex-presidente Alberto Dualib: indiciado por formação de quadrilha

Infelizmente, essa fama veio – não por suas glórias, e sim pelas ações criminosas de seus dirigentes. “Já perdemos muitas vezes, mas perdíamos com extrema dignidade”, diz Olivetto. “Hoje, o momento é deprimente. E o menor dos males são as derrotas.” A equipe, entre as últimas do Campeonato Brasileiro, está no meio de uma crise moral. Neste ano, o Corinthians passou a freqüentar as páginas policiais do jornais, acusado de ter sido usado pela máfia russa para o crime de lavagem de dinheiro (veja quadro ). Seu presidente, Alberto Dualib, de 86 anos, viu-se obrigado a renunciar, assim como todos os seus vice-presidentes, tamanho o mar de lama em que se meteram.

O publicitário Washington Olivetto representa um período da história corintiana que ficou enterrado no passado. Ele foi vice-presidente de marketing em 1982 e 1983. Naquela época, o clube conseguia aglutinar colaboradores como José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que por trinta anos esteve à frente da programação da Rede Globo, e a consultora de moda Gloria Kalil. O Corinthians era a vanguarda. Vinte e cinco anos depois, seus dirigentes são o que há de mais atrasado no futebol nacional.

Em dezembro de 2004, o clube acumulava 20 milhões de dólares em dívidas e não havia recursos para reforçar uma equipe que vinha de péssimas campanhas. Apareceu aí o empresário Renato Duprat, santista de coração, que anos antes havia levado a empresa de planos de saúde Unicor à falência. Ele se candidatou a arranjar investidores na Europa dispostos a colocar dinheiro no clube. Ganhou carta branca. Em sua peregrinação, conheceu o iraniano Kia Joorabchian. Ofereceu o Corinthians pelos mesmos 20 milhões de dólares da dívida. Um negocião. Afinal, por dez anos, a MSI, fundo administrado por Kia, tomaria conta de todo o futebol corintiano e controlaria suas receitas, como patrocínio, cotas de TV e negociação de jogadores. Para se ter idéia da ninharia que representa o valor pago pela MSI, em agosto o Corinthians vendeu um jogador de 19 anos, Willian (apenas dois gols marcados como profissional), por 19 milhões de dólares ao futebol ucraniano.

Kia Joorabchian é apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal como laranja do magnata russo Boris Berezovsky, condenado em seu país por fraude financeira. Berezovsky queria investir no Brasil – fez ofertas para comprar um jornal esportivo, uma emissora de TV e pretendia levar a empresa aérea Varig. O Corinthians seria apenas uma vitrine lucrativa para quem desejava lavar dinheiro. No começo da parceria, quase tudo foi uma festa. O clube venceu o Campeonato Brasileiro de 2005 e pôde ostentar um time milionário, que tinha no craque argentino Carlitos Tevez o seu grande expoente. “O raciocínio era pegar o dinheiro da MSI, pagar as dívidas, montar um time forte e depois passar a perna nos gringos, mandá-los embora de algum jeito”, diz o presidente do conselho de orientação fiscal do Corinthians, Antônio Roque Citadini, também membro vitalício do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. “Não interessava de onde vinha o dinheiro, apenas que viesse.”

Depois do título de 2005, enciumados com o carisma de Kia, os dirigentes do Corinthians passaram a minar a MSI. O clube descumpriu o contrato de parceria. E o grupo do iraniano parou de investir. Começaram as investigações do Ministério Público e da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro. Elas acharam outros problemas. Com a renúncia de toda a sua diretoria, o clube terá eleições na terça-feira (9). O próximo presidente vai assumir uma dívida que bateu em 74 milhões de reais (cerca de 37 milhões de dólares) neste ano. Ou seja, mesmo diminuindo as despesas com a entrada da MSI, a dívida corintiana quase dobrou de tamanho em dois anos e meio. Especialistas também calculam que o clube pode ser multado em quase 100 milhões de reais pela Receita Federal por causa de transações feitas pela MSI que teriam descumprido a legislação brasileira. “No fim da década de 90, colaborei dois anos com o Corinthians, para trazer investidores, mas desisti”, lembra o economista Ibrahim Eris, ex-presidente do Banco Central. “Vi como o clube era desorganizado, sem nenhum planejamento, com tudo feito na base da informalidade.”

Num exemplo de quanto o Corinthians está atrasado em relação a seus rivais, ele não tem sequer um projeto de sócio-torcedor, como o Santos, o São Paulo ou o Internacional, de Porto Alegre, que conta com 54.000 seguidores contribuindo mensalmente para assistir a seus jogos. “Na Espanha, um dos presentes mais populares de filho para pai é o carnê de jogos do Barcelona, válido para todo o ano”, diz Olivetto. “É incrível que o Corinthians não tenha nada semelhante. Que pai corintiano não gostaria de ganhar um presente desses?” Pudera. O vice de marketing do Corinthians, até a renúncia de Dualib, era um cardiologista, Jorge Kalil, que admitia publicamente não entender nada da área sob sua responsabilidade. Para fazer uma comparação, o diretor de marketing do São Paulo, desde 2004, é o publicitário Júlio Casares, diretor de planejamento estratégico da Rede Record e presidente da Associação Brasileira de Marketing e Negócios (ABMN).

“Nosso problema não é de recursos, como ocorre na maioria dos clubes brasileiros”, afirma o economista Luiz Paulo Rosemberg, conselheiro do clube. “É de gestão e ética nos negócios.” Ele forma com os colegas Manoel Félix Cintra Neto (presidente da Bolsa de Mercadorias & Futuros) e Eduardo Rocha Azevedo (ex-presidente da Bolsa de Valores de São Paulo) um grupo de conselheiros corintianos que sempre se opôs à parceria com a MSI. “Quando bati o olho no contrato, sabia do que se tratava”, conta Rosemberg. “Ofereci-me para, de graça, modificá-lo e evitar problemas de lavagem de dinheiro para o clube, mas nem quiseram ouvir.”

Além de resolver todas as pendências judiciais em que está envolvido, o Timão está diante de outro perigo: a real ameaça de rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Já se disse que o Corinthians não é um clube que tem uma torcida, mas, sim, uma torcida que tem um clube. Sem time e sem diretoria, a paixão da Fiel é tudo o que restou para salvar esse símbolo paulistano de um vexame ainda maior em 2007. E quem sabe fazer com que ele volte a ser, um dia, como diz seu hino, o campeão dos campeões.

NA MIRA DA JUSTIÇA

Entenda por que o noticiário do Corinthians ganhou as páginas policiais

Parceria com a MSI

Os dirigentes são acusados de usar o clube para o crime de lavagem de dinheiro, na parceria assinada em dezembro de 2004 com o fundo de investimentos MSI. Por trás do fundo estaria o magnata russo Boris Berezovsky, condenado em seu país por diversas fraudes financeiras. Seu testa-de-ferro seria o iraniano Kia Joorabchian, que ocupava a função de presidente da MSI. A Justiça brasileira decretou a prisão preventiva dos dois, que vivem em Londres, onde Berezovsky tem asilo político e Kia, cidadania britânica.

Além deles, estão indiciados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro o ex-presidente do Corinthians Alberto Dualib e seu vice, Nesi Cury (ambos renunciaram em setembro). Por parte da MSI ainda são acusados o empresário Renato Duprat (intermediador da parceria), Paulo Angioni (ex-diretor de futebol), Alexandre Verri (advogado da MSI) e o também iraniano Nojan Bedroud, que atuou como diretor financeiro do fundo. Todos alegam inocência.

Notas frias

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual (Gaeco), o clube estaria envolvido em um esquema de emissão de notas fiscais frias. O dinheiro das notas falsas iria para os dirigentes Alberto Dualib e Nesi Cury. Pelo menos 500.000 reais desviados do clube já teriam sido rastreados pelas autoridades.

Operação Uruguai

Os bens do ex-presidente Alberto Dualib podem ser penhorados se forem comprovados prejuízos ao Corinthians durante sua gestão. De acordo com promotores do Gaeco, para fugir de uma eventual condenação, o cartola teria repassado parte de seu patrimônio (14,3 milhões de reais) para empresas sediadas em Montevidéu, no Uruguai.

Dados sobre ONGs não são confiáveis, diz procurador

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 08 Out 2007 | sob: Política

Reportagem da Folha de de S. Paulo, de domingo, por Fernando Barros de Mello. Comento depois.

O procurador de Justiça em Minas Gerais Tomáz de Aquino Rezende afirma que faltam dados confiáveis sobre as ONGs no país. Por isso, coordenou um censo sobre o setor em Belo Horizonte (MG). Para Aquino, a falta de clareza na legislação abre espaço para corrupção. Segundo ele, o cenário atual faz com que muitas instituições não sejam eficazes. “Fica beija-flor apagando fogo. Beija-flor não foi feito para apagar fogo”, diz o presidente da Associação Nacional de Procuradores e Promotores de Justiça de Fundações e Entidades de Interesse Social.

FOLHA - Qual a primeira constatação sobre as ONGs no país?
TOMÁZ DE AQUINO RESENDE - É que não se tem informações sobre elas. Dados do governo diziam que existiriam 4.800 organizações sem fins lucrativos em Belo Horizonte, mas pela pesquisa que fizemos existem 1.800. Segundo o IBGE, existem 270 mil instituições no Brasil, só que esse número pode ser falso. Veja, algumas instituições têm cinco pessoas jurídicas no mesmo endereço, quando na verdade existe só uma. Por exemplo, a associação recebe uma multa por não declarar imposto. Em vez de pagar, cria uma nova associação e deixa a outra registrada em cartório. Essa passa a existir de direito, mas não de fato.

MINHA VEZ - Antes de tudo, cabe esclarecer que procurador de Justiça não é como “procurador-por-nomeação” de Maniçoba. Tem de fazer concurso público. E passar, é claro! Aqui, o sujeito ajuda a criar o próprio cargo, passando por cima da lei (não em concurso), e depois se apresenta para ocupá-lo, por conveniência proselitista.

Porto Feliz começou a conhecer essa história de ONG justamente no mês de seu aniversário, em outubro de 2004. Lembram-se, era tal a OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Ágere. A instituição abocanhou cerca de R$ 180 mil reais do dinheiro público para a realização da Semana das Monções. Só que quem fez a festa, de fato, foi a própria Prefeitura e voluntariado.

Na épóca, fiz uma entrevista com Valter Balsimelli Neto, “o filho e o pai da grande obra”, como foi o título publicado pela Viu!. E era isso mesmo. Balsimelli vendeu a Porto Feliz a Oscip presidida por… sua mãe e seus tios, e saiu falando mal de muita gente do governo, entre eles o Xéééxi.

Na época, Seu Gerúndio ainda dava entrevistas “coletivas”, como os assessores aprenderam na falllcudade. Era patético. Foi aí, também, que o Perdulário descobriu que havia repórteres que perguntavam de veradede e não aceitavam ladainha como resposta. O menino se transformou! Não tinha respostas e começou a espumar e bufar. Até seus pares mais próximos ficaram constrangidos.

Caía, ali, a máscara do Maffeizinho Paz e Amor. O inexperiente prefeito mostrava toda a sua insegurança em tratar com assuntos públicos. No ápice de seu nervosismo, bradava que as “oscips poderiam, sim, ser usadas para tudo, sem a realização de concurso ou licitação pública”. Era, como chamei em artido à época, o “Ovo de Maffei”, em analogia à história de Colombo.

Passaram-se mais de dois anos e cadê a Oscip Ágere? Digo para vocês: sumiu! Deixou uma creche inacabada atrás do campo do Gole, nunca mais realizou Semana das Monções e, até onde se sabe, seu último feito foi um imbróglio judicial, dos grandes, no Condomínio Vitassay, em Boituva.

Na época, houve até uma CEI no Legislativo comandado por Simone Prado. Quem conduziu os trabalhos foi o então diretor Jurídico da Câmara, Dr. Rei, enquanto, nos bastidores, Dito Carrié pressionava e negociava, em trovas, sua volta ao executivo, por nomeação daquele que o havia exonerado meses antes.

Por razões ainda inexplicáveis (ou explicáveis), o resultado de vários meses de oitivas e investigação da CEI das Oscips ficou parado em algum lugar no tempo e espaço. Dito Carrié virou o Carriè do Dito, e Seu Gerúndio nunca mais contratou nenhuma das “oscips que serviam para tudo”. Nunca mais, também, deu entrevista para alguém que ousasse questioná-lo. Fechou-se no seu mundinho e lá permanece até os dias de hoje.

José Netto, eu e Peter Pan

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 06 Out 2007 | sob: Política

Artigo de José Netto, publicado na Tribuna das Monções, deste fim de semana. Comento depois:

jose neto - jose neto

Minha vez - O amigo José Netto parece que quer defender uma tese conspiratória para justificar as declarações contraditórias da ex-diretora da ProtPrev, Juçara Guarim. Na semana passada, entrou no assunto de forma trôpega, sugerindo que a resposta à interpelação, na qual desdiz o assédio moral de Seu Gerúndio, praticamente coloca uma pedra sobre os problemas da PortoPrev. Questionava, até, a necessidade da CEI dar continuidade à investigação sobre o caso. Neste fim de semana, volta ao tema em sua coluna, desta vez mais enfático na “teoria da conspiração”, com o título “Na Terra do Nunca”.

O texto, com todo o respeito ao amigo, parece mesmo uma viagem psicodélica, muito distante da congruência costumeira do colunista. Justifica o autor do título que José Netto tomou emprestado, é verdade. James Matthew Barrie, jornalista, dramaturgo e escritor, tinha uma imaginação fertilíssima, que ficou evidente quando criou a personagem Peter Pan. A fábula do jovem que se recusava a crescer, porém, é bem diferente de quem não quer enxergar a realidade.

Questionar e insinuar, a essa altura, os motivos que levaram Juçara às contradições verborrágicas é, definitivamente, uma digressão fora de compasso do foco da questão. A diferença no caixa da PortoPrev, que passa de um milhão de reais, não é um número ficcional. Pode não estar preciso, mas a auditoria do Ministério da Previdência existiu, de fato. José Roberto Castagnaro também não é fruto da criatividade de Juçara Guarim, da mesma forma que a Euro DTVM está, comprovadamente, envolvida com o escândalo do mensalão. O que, então, o shaolin José Netto sugere? Que tudo não passou de um diz-que-diz de interesses políticos, com foguetório da imprensa? Que tudo não passa de um devaneio de uma senhora que está sempre se sentindo pressionada por alguém?

Ora, ora, velho José, quando a notícia veio a público, seu jornal demorou mais de 10 dias para entrar no assunto. E só o fez porque os 10 minutos de TV TEM acumularam muita coisa para deixar debaixo do tapete. Agora vem logo você chamar isso de… “circo”? Qual é o seu foco? Recuso-me a acreditar que a sua visão jornalística considere mais importante um “desmentido” via interpelação judicial, a uma informação que suscitou uma infinidade de questões ainda sem respostas? Quem parece estar montando peça de ficção é você, amigo!

E que história é essa que “o caso saiu rapidinho da mídia”? Tudo bem que, se dependesse dos interesses econômicos e proselitistas de determinados jornais, jamais teria entrado. Juçara não é o “X” da questão, meu velho! Se as investigações do MP e da CEI prosperarem, e espero que prosperem, ela vai sentar-se ao lado de outros réus. Tem responsabilidade - sempre teve- da mesma forma como seus “superiores” também as têm. Você sabe muito bem disso, José! O esquema PT é bem maior do que Peter Pan imagina! Ninguém é mais sabichão em adaptar historinhas de faz-de-conta do que eles…

Não queira você, sim, transformá-la em “boi-de-piranha” com esse ensaio ficcional. Todos sabemos que a manada corre mais acima. O que me admira é ver sua eloqüência correr emparelhada com essa gente, desesperada. Sai dessa, amigo!

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