Junho 2007
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 30 Jun 2007 | sob: Política
Segue abaixo reprodução da coluna do Diogo Mainardi, da edição de Veja que está nas bancas. O negrito é meu, que já me escalei na turma do Epa, claro. E você, é do Oba ou é do Epa?
“O mundo se divide em dois tipos de pessoas: as que gritam Oba! e as que exclamam Epa!”. Quem disse isso? Demócrito? Santo Agostinho? Leibniz? Nietzsche? Nenhum deles: foi Ivan Lessa, no Pasquim. A frase resume tudo o que conseguimos aprender até hoje sobre o ser humano. De acordo com Ivan Lessa, os Oba! são otimistas, alegres, aproveitadores, oportunistas, barulhentos e donos de um caráter flexível. Os Epa!, por outro lado, são censuradores, precavidos, desconfiados, facilmente escandalizáveis, dotados de um caráter rígido e de pouquíssimo senso de humor.
A popularidade de Lula já foi analisada sob diferentes prismas. Faltou um: o que aplica à realidade política a tipologia do Oba! e do Epa!. Os brasileiros sempre foram esmagadoramente Oba!. Somos uma espécie de paradigma universal do Oba!, com focos isolados e desorganizados de Epa!. O grande mérito do lulismo foi separar claramente as duas categorias: uma para cá, outra para lá. Tome-se a última pesquisa CNT-Sensus, publicada alguns dias atrás. Entre os eleitores que ganham até 380 reais, 72,3% festejam Lula com um alegre e ruidoso Oba!. Entre os que ganham mais de 7 600 reais, há apenas 31,7% de Oba! e uma arrasadora maioria composta de 65,9% de censuradores e escandalizados Epa!.
É bom que os que ganham até 380 reais estejam dizendo Oba!. Podemos parar de nos preocupar com eles. Quanto menos a gente se preocupar com eles, melhor para eles e melhor para nós. Agora que o lulismo reintroduziu no Brasil uma pitada de identidade de classe, contrapondo ricos e pobres, temos de encontrar um jeito de preservá-la. Quando um jornalista do Oba! Oba! vier pedir anúncios à sua empresa, diga Epa! e mande-o procurar o governo. Quando um ator ou cantor do Oba! Oba! aparecer pleiteando patrocínio para seu espetáculo, diga Epa! e nem o receba. Quando um professor universitário tentar doutrinar seu filho com o Oba! Oba! de Mészáros, Guattari ou Sachs, diga Epa!, tire seu filho da universidade e arrume-lhe um emprego. Quando um diretor de TV propuser uma minissérie esteticamente arrojada a partir da obra do Oba! Oba! Ariano Suassuna, diga Epa!, mude de canal e veja um enlatado americano.
É assim que eu protesto contra a turma do Oba!: todos os dias, às 4 da tarde, interrompo minhas atividades para ver a reprise de um episódio de The Office, a prova mais evidente da superioridade moral e intelectual da turma do Epa!. De tanto assistir a The Office, é capaz que um dia eu ainda consiga derrubar Lula. Reinaldo Azevedo, em seu blog, comparou os antilulistas àqueles cavaleiros medievais do Monty Python que acreditam poder derrotar seus inimigos berrando um estridente Ni!. É verdade. Se 100.000 pessoas se reunissem na Candelária e berrassem juntas Ni! ou Epa!, o governo cairia na hora. O problema é que a turma do Epa! jamais conseguiria se organizar para reunir 100.000 pessoas num mesmo lugar. É bem melhor ficar em casa vendo TV e zombando da turma do Oba!.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Jun 2007 | sob: Política
Pôxa, estava quase esquecendo de contar para vocês o último ato da sessão de segundona à noite. Uma peça antológica do oportunismo político brasileiro, com os respectivos personagens da Maniçoba.
As luzes da Câmara já estavam quase se apagando, quando o protocolo anunciou a indicação do vereador Nando César, acompanhando pelo inseparável Vartão de Lara, dando o nome da ex-presidente da Casa, Simone Habice Prado Mattar, ao prédio do legislativo.
É isso mesmo que você acaba de ler. Nando César e Vartão de Lara, áulicos declarados de Seu Gerúndio, estão prestando, como vou dizer?, uma “homenagem” à vereadora cuja característica foi liderar a oposição durante o curto período que permaneceu na Câmara.
Vejam só até aonde vai o oportunismo dessa gente. Simone foi uma combatente voraz das irregularidades dessa gestão e, agora, vai ser homenageada justamente pelos cortesãos do governo. Esse é o tipo de coisa que me enoja na política.
Sabe o que fizeram para justificar a indicação? Leram o currículo da saudosa doutora. Nada mais frio e artificial. Nada mais aviltante ao verdadeiro significado do papel que ela representou na sua atividade parlamentar. Nada mais….bem, deixa pra lá!
Sabe o que os vereadores da oposição fizeram? Nada! Absolutamente nada! Em uma sessão de debates ideológicos calorosos, ficaram lá, inertes, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo. Nenhum comentário, nenhum aparte!
Minha pergunta é simples e direta: o que será que diria a doutora Simone Prado sobre a postura palaciana dos colegas Nando e Vartão hoje na Câmara? Infelizmente, ela não está mais aqui para responder. E qual dos seus pares teria a coragem de fazer isso por ela? Será que não tem ninguém naquela Casa para exigir um pouco mais de respeito a quem sempre foi fiel à independência parlamentar e ao seu compromisso de legislador? Até aonde vão deixar ir essa demagogia?
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Jun 2007 | sob: Política
Embora considere a polêmica criada em torno da aprovação da LDO desnecessária, o fato suscita um problema antigo da Câmara que, particularmente, já havia constatado em outra ocasiões. Refiro-me aos vícios que vêm se arrastando há muito anos, sob a complacência de legisladores de fraca formação e empenho pífio.
Vejam só, pelo papel que se propõem a desempenhar, os vereadores deveriam ser mais responsáveis com os assuntos tratados na Casa. A hipótese levantada pelo vereador Robertinho Brandão, acusando o colega José “Mumu”de não ter lido a LDO, é realmente um problema sério. “Ninguém lê”, confidenciou-me um dos parlamentares.
A própria presidente da Casa, Maria Tereza, assinou um documento que nem sabia do que se tratava. A diretora preenche e ela assina. Sempre foi assim. As comissões, idem. Vereadores fazem apenas o figurino da assinatura. Tudo é apenas performático e burocrático. Eles agem em bando: para onde o líder vai, os outros vão atrás.
Já tinha notado isso em outras ocasiões. Em uma delas, quando entrevistei o ex-presidente Nando César, no final do ano passado, fiquei chocado em constatar o pouco conhecimento que o parlamentar tinha sobre o Plano Diretor da cidade, que havia sido aprovado recentemente pela Casa. Nando elogiou o PD, mas não soube sequer destacar um dos pontos que ele considerava positivo.
Insisti com a pergunta, enquanto o vereador me respondia com outra: “Mas o que você quer saber exatamente”. Nada exatamente, apenas os pontos que acha positivo para a cidade. No insucesso de uma resposta, inverti a pergunta: “Diga-me, então, vereador, quais seriam os pontos negativos? Continuei sem resposta.
Convido você, leitor amigo, a fazer a mesma pergunta a um dos parlamentares. Até o executivo terá dificuldade de respondê-la. O Plano Diretor de Porto Feliz, que custou mais de R$ 200 mil aos cofres públicos, foi feito para cumprir uma determinação federal, mas passou longe - muito longe - de uma proposta que envolva a comunidade e realmente defina os rumos e diretrizes de crescimento urbano e rural da cidade.
O caso é emblemático para mostrar a burocracia de conveniências que tomou conta da administração pública, tanto do legislativo quando do executivo. evidente que não é um problema exclusivo de Porto Feliz. Poder-se-ia, porém, aproveitar as dimensões reduzidas - com apenas 10 vereadores - para se tornar um exemplo de como as instituições democráticas podem obter efeitos práticos. Será que é pedir demais que os vereadores leiam o que estão votando?
O que se esperar de uma cidade na qual os vereadores e nem o presidente da Câmara sabem exatamente o que está em jogo, seja LDO, Plano Diretor ou uma simples lei que define o horário de funcionamento de bares e estabelecimentos comerciais? Na verdade, ninguém está nem aí porque não são cobrados por isso. Nem o jornal da cidade acompanha mais as sessões de Câmara, porque prefere o conforto das versões que batem à sua porta.
Com esse tipo de postura, só me resta uma única pergunta: Como será sua cidade daqui a 10, 20 anos? Que expectativa de futuro você espera para o seu filho, seu sobrinho o seu neto? Fique aí sentado esperando… Os homens públicos decidem por você, mas sequer lêem o que estão assinando.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Jun 2007 | sob: Política
A certa altura da sessão, cheguei a imaginar que o vereador Mumu sairia dali direto para o hospital mais próximo, tamanha a surra que vinha tomando do colega Robertinho Brandão. “Você não leu, você não leu, você não leu” foi repetido tantas vezes que até eu, na platéia, já estava meio atabalhoado. Parecia mesmo uma sucessão de jabs que o deixaria na lona, imoto.
Mumu agüentou firme e esperou, friamente, o momento da tréplica. E não é que o hôme reagiu mesmo. No estilo mais peso-pesado, soltou uma direita direta, quando sugeriu que a falta de verbas da Diretoria de Desenvolvimento Econômico poderia ser tirada da verba dos 20 carros comprados a preços bem acima do mercado. Citou cifras assustadoras e disse que os “carros alugados”poderiam custar até 50% mais barato do que os valores pagos pela prefeitura.
Ainda com relação a veículos, disse que a prefeitura estaria comprando um caminhão F-4000 por R$ 218
mil, quando poderia adquirir o mesmo utilitário por R$ 110 mil, gerando uma economia de R$ 108 mil aos cofres públicos. “Esse dinheiro poderia ir para o desenvolvimento econômico”, sugeriu.
Mumu também deixou Robertinho constrangido, quando afirmou que, nos bastidores da Câmara, o colega petista teria afirmado que, caso ele aprovasse a “Contribuição de melhorias”, a área rural poderia ser beneficiada com uma verba de R$ 1 milhão. Presumo que seja verdade, já que Robertinho ficou quieto.
Não creio que dê para apontar um “vencedor” do porfio. Nem seria o caso. Acredito só que a Câmara deveria ter mais embates como esse. De preferência, dentro do prazo regimental, com certeza.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Jun 2007 | sob: Política
O vereador Robertinho Brandão (PT) tem tudo para ser um grande político. É perspicaz, razoavelmente articulado e empenhado nas tarefas parlamentares. Na sessão-espetáculo de segundona, cumpriu à risca o seu papel de vereador. Disse, em riste, que o vereador José Alberto “Mumu” Paifer Menk não tinha lido a LDO dentro do prazo regimental para propor emendas. Disse, repetiu, insistiu e desafiou: “o senhor não leu”! Um raro momento de firmeza em uma Câmara legislativa frouxa, onde muito pouco se diz fitando nos olhos, e muito se faz nas coxias.
Falta em Robertinho, porém, a essência dos grandes homens públicos: compromisso com a verdade. O nobre parlamentar submete suas virtudes a um comportamento proselitista do qual engajado em objetivos dos quais nem ele faz idéia.
Em detrimento de sua qualidades, o nobre parlamentar deixa-se levar pelo oportunismo verborrágico, seguindo o artifício de alguns de seus pares, nitidamente menos preparados.
Isso ficou claro quando, em meio à discussão como o colega Mumu, atribuiu-lhe uma fala que, definitivamente, não havia dito. Mumu afirmou, sim, que a verba destinada à Diretoria de Desenvolvimento Econômico, de R$ 140 mil, era menor do que ao subsídio oferecido aos estudantes universitários, que gira em torno de R$ 260 mil. Mumu nunca disse, como insistiu Robertinho, que a verba do transporte dos alunos deveria ser transferida, reduzida ou qualquer coisa neste sentido.
Claro que não faltaram papagaios para reforçar a mentira. Gente do tipo que um dia diz uma coisa e, no outro, tudo diferente. Robertinho precisa saber aproveitar melhor o seu talento, a fazer coro com quem é desqualificado. Caso contrário, seu potencial será apenas espasmo.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Jun 2007 | sob: Política
Demorei, mas voltei. O título acima resume um pouco o que foi a sessão de Câmara de ontem à noite. De certo que não chegou a ser uma comédia de erros shakespeariana, mas teve lá sua dramatização acima da média. Destaque para a performance de Robertinho Brandão e José Paifer “Mumu” Menk, com seus respectivos coadjuvantes: Nando César e Levi Rodrigues.
A cena toda foi montada nas coxias da antiga fábrica de tecidos. A trupe do Seu Gerúndio estava devidamente ensaiada e saiu-se muito bem na interpretação do enredo. O autor da peça, Dr. Rei, preparou o texto bem ao seu estilo, com direito a prefácio manchetado no jornal. Foi assim que ele tentou desmoralizar o “doutorzinho” que veio do ABC e criou o seu próprio cargo inconstitucional. Mas isso são outras histórias…
Vamos aos atos do grande espetáculo da noite. Lembram-se do que falei nos dois lados da história? Pois bem, um vocês já conhecem, pois foi manchete no jornal Tribuna das Monções, como letras garrafais acima do costume: “Vereadores não podem rejeitar LDO”.
Houve realmente um equívoco da diretoria da Câmara ao descrever que, depois de rejeitada, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) seria arquivada. Se a reportagem tivesse feito apenas uma ligação para a Câmara, constataria que o erro foi corrigido em menos de 24 após a emissão do documento, com protocolo e tudo do Executivo. Ou seja, os ofícios números 182 e 183, do dia 18 de junho, foram retificados com o de número 184, dia 19 subseqüente. Ou seja, já estava documentado que a LDO não seria “arquivada” e que continuaria na Ordem do Dia da próxima sessão.
A prefeitura, porém, não quis perder a oportunidade de criar uma celeuma - totalmente desnecessária, insisto - com o escorregão do legislativo. Mandou, dia 20, um ofício à Câmara para dizer tudo o que ela notadamente já se sabia. “A LDO não poderia ser arquivada”. O documento não teve nenhum efeito prático, a não ser justificar - ainda que forçadamente – a manchete factóide do fim de semana, para deleite do grupo governista.
Já falei aqui e repito quantas vezes foram necessárias: tenho um grande respeito pelo amigo José Neto, mas não dá para engolir uma história dessas. Um jornal cinqüentenário como a Tribuna não pode dar palanque a versões proselitistas. Espera-se, no mínimo, o outro lado da história. No mínimo!
Volto em breve com os atos do grande espetáculo legislativo x executivo de segundona à noite. Inté!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 25 Jun 2007 | sob: Política
Oi gente, boa semana! Obrigado pela audiência, que já passa de 200 acessos por dia. É muita coisa para um blog que trata apenas de assuntos locais de Porto Feliz. Com raras exceções, claro. Temos muitos leitores de fora, evidente, mas o blog, pelo jeito, se tornou referência de informação.
Vejam só, estou recebendo alguns e-mails - que podem ser da mesma pessoa - me cobrando uma posição sobre um suposto equívoco que a Câmara teria cometido na avaliação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária). Como estou fora da cidade desde quinta-feira, não consegui informações detalhadas. Apenas me adiantaram que “não é nada disso que estão falando…”. Genérico demais, né não?
Mas tudo bem. Assim que estiver devidamente informado sobre todos os lados da questão, passo pra vocês. Não vou precipitá-los com apenas uma versão da história. Com sabem, não é porque tenho uma opinião formada sobre determinados assuntos que deixo de mostrar os fatos por completo. Inté!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Jun 2007 | sob: Política
Como vocês já devem ter visto no site da Revista Viu!, acabou frustrada a tentativa do grupo governista de dar uma rasteira na presidência da Câmara, Maria Tereza de Moraes. O assessor jurídico Antonio Bazzo, a quem os parlamentares orquestrados com a causa depositavam suas últimas esperanças, acabou referendando o parecer do colega Eugênio Motta Neto. Disse, até, que o arquivamento da forma como foi feito era “regimental”. Mesmo assim, preferiu uma saída conciliadora ao sugerir que o requerimento fosse a plenário. Uma forma elegante de acabar de vez com essa história absurda.
Gostaria, sinceramente, que a ação dos nobres parlamentares fosse mesmo um suspiro ético. Está evidente que não é. Trata-se de uma manobra para dar continuidade à polêmica que atravancou por várias semanas as atividades da Câmara entre o final do ano passado e início do ano legislativo de 2007, quando os dois grupos disputavam a presidência da Casa.
Pelo jeito, Vartão de Lara, Nando César e os vereadores do PT não aceitaram a derrota e tentavam, agora, um novo artifício para tentar tirar Maria Tereza da presidência. Só isso justifica o jogo baixo evidentemente orquestrado com outros mecanismos ligados ao poder do executivo.
Se fosse diferente, poderiam os nobres parlamentares governistas a abrir uma CEI. Como já disse aqui e alhures, a instauração de uma Comissão de Inquérito é automática e, se mostrasse evidências, poderia levar à abertura de uma Comissão Processante (CIP) com a conseqüente possibilidade de cassação. Ou seja, outro caminho - o certo - para ser obter o mesmo objetivo.
Aí fica clara a diferença de intenções do papel desempenhado pelos vereadores da bancada do Seu Gerúndio. Agem como agentes do governo, não como guardiões da lei e representantes da população. O que poderia ser um suspiro ético, na verdade não passa de uma manobra política de estatura inferior à cintura.
Como se não bastasse, ainda usam um servidor comissionado em cargo de confiança para encabeçar a pantomima. O mesmo funcionário público que, ao ganhar o cargo, anunciou “apoio irrestrito ao PT”. É politicagem barata demais para uma cidade repleta de necessidades como Porto Feliz. Assim fica difícil de crescer. Lamentavelmente!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Jun 2007 | sob: Política
A polêmica em torno das apostilas COC continua rendendo debates acalorados na imprensa, em especial nos blog de jornalistas como Reinaldo Azevedo e Luis Nassif. Até a vereadora de São Paulo, Soninha, entrou na briga.
Como todos os leitores daqui sabem, a administração petista adotou (sem licitação, vale lembrar) o sistema em Porto Feliz e paga mais de R$ 900 mil ao ano pelas apostilas. É, sem dúvida, um bom gancho (como chamamos no jornalismo) para abordar o assunto aqui. Afinal, qual o custo/benefício em pagar por apostilas de conteúdo polêmico, se o Ministério da Educação oferece material didático com qualidade avaliada por custo zero?
Tenho minha opinião pessoal, como já deixei claro. Nunca omiti, porém, qualquer informação que fosse útil ao leitor formar o seu própria opinião.
A imprensa amiga, aquela que recebe verbas publicitárias do governo - só publica o que interessa aos interesses proselitistas do petismo. Infelizmente, não é só aqui não. Essa gente tem escola. Veja a seguir trecho de texto publicado pelo Reinaldo Azevedo.
“O tal material do COC, que está no início dessa polêmica, é, com efeito, muito ruim. Pior: quando a mãe de uma aluna escreveu um texto num site acusando o problema, tentaram usar a Justiça para calá-la, dado que Nassif, até agora, esconde. E nem isso faz com que Deus tenha mandado o dilúvio para destruir Sodoma e Gomorra ou que o neolítico tenha chegado ao fim com o advento das classes sociais.
Tenta-se, obviamente, tirar da pauta os erros e acusar a conspiração, no melhor estilo petista — aliás, diga-se, muitas das personagens envolvidas no episódio, a começar de Nassif, são versadas nos métodos do partido. Chaim Zaher, dono do Sistema COC, que é de Ribeirão Preto, pertence à grande legião de amigos do deputado e ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP). Era também muito próximo de Ralf Barquete, que aparece no rumoroso caso dos dólares de Cuba. Sugiro que vocês façam uma pesquisa na Internet a respeito. Há, parece, nisso tudo, muito de rancor.
Tenham a santa paciência! Alguém realmente imagina que, a partir de uma nota dada neste blog, o Grupo Abril iria mobilizar a revista VEJA para atacar um suposto concorrente de Ribeirão Preto no segmento de livros didáticos, quando, havia pouco, a parceria de tal grupo com escolas públicas tinha sido elogiada pela revista e pelo próprio blog? Acham o quê? Que o diretor das editoras me ligou, voz cavernosa, na calada da noite, com a ordem: “Vamos lá. Operação COC, Reinaldão!” No dia seguinte, cumprida a ordem, liguei para a VEJA: “Fase Um concluída”. É claro que ninguém acredita nisso. Nem Nassif. Ele é apenas apparatchik daqueles que têm a ambição de ser inimigos da VEJA. Em seu blog, ele ataca a revista; no dele, Zé Dirceu faz o mesmo com o Grupo Globo (ver próximo post). Ambos têm em comum pertencerem ao iG, onde também está Paulo Henrique Amorim” Leia íntegra aqui
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 20 Jun 2007 | sob: Política
O juiz Jorge Panserini, da primeira vara, recusou denúncia do promotor Sidney Sadow, formulada com base em representação do prefeito Cláudio Maffei, acusando este blogueiro de “calúnia”. O inquérito corria havia um ano e terminou assim, nas palavras do magistrado: “Não há evidência de má-fé ou sensacionalismo infundado por parte do acusado, constando-se a presença de simples animus narrandi, inerente à atividade jornalística”.
O Assunto - Maffei queria me processar porque publiquei uma nota em minha coluna da Revista Viu! comentando o fato de a população ter de pagar uma taxa de R$ 3,00 para falar com o prefeito. Vejam o que dizia a notinha “Pedágio” na íntegra: “Falar com o prefeito tornou-se uma tarefa onerosa, não apenas no sentido figurado. A chefia de gabinete estabeleceu, já faz alguns meses, que para falar com o prefeito é preciso pagar uma taxa administrativa de R$ 3,00. Tem muita gente reclamando que não tem condições. Outros dizem que o valor está superfaturado”.
Viram só o que uma notinha de informação despretensiosa pode gerar nas idiossincrasias de uma autoridade? Mobiliza a polícia, promotor e a até o juiz, todos tão atabalhoados com tantas tarefas para fazer. Há de se levar em conta que o autor é o prefeito de uma cidade de 50 mil habitantes, a quem se imagina também com outras preocupações de maior envergadura. Pelo jeito, não é o caso.
O assédio - Não é a primeira vez que Maffei tenta me processar, desde que chegou ao poder. Ele me persegue ensandecido. Em vão! Diz até nos jornais que está “me processando”, na tentativa de desqualificar as informações que publico e repercutem. Mais um dos artifícios de seu assédio jurídico.
É uma briga desigual, evidente. O prefeito Maffei desfruta de relações com o poder que lhe permitem empreitadas vazias como essa. Seria muito improvável tal postura se tivesse que bancar os advogados que redigem suas obras ficcionais, cujo objetivo é tentar me amedrontar e inibir a minha atuação jornalística independente.
Enquanto rasteja atrás de notinhas de rodapé, Maffei finge não ver a indignação da população sobre assuntos que lhe dizem respeito diretamente. É a sua forma de tentar desviar o foco.
A edição na qual publiquei a referida nota, por exemplo, trazia na capa o motorista Florival Mariano, aquele senhor que trabalha há mais de 15 anos na Prefeitura e revelou como o dinheiro pago à Oscip Ágere voltou às mãos do governo (“Eu fui buscar os cheques”, lembram-se?). Por coincidência – para quem acredita nelas – a promotoria também estará ouvindo Mariano por esses dias. Percebam, minha notinha de rodapé andou mais rápida do que o assunto de capa da mesma edição.
Pois é, ninguém me processou por isso. Nem caberia. Ninguém me processou também quando, na condição de editor da Revista Viu!, publiquei a VERGONHA que é uma administração pública criar um cargo de “procurador–por-nomeação” e chamar para ocupá-lo, sem concurso, um servidor que havia recebido pensão indevida por quatro longos anos, entre outras irregularidades. Vocês se lembram dessa capa também, né não? Todos viram e o Executivo, coniventemente, não tomou nenhuma providência. Sequer me processou por “calúnia”.
O que o incomoda, de verdade, é minha postura de jornalista independente. Gostaria ele, assim como todo o PT, que a imprensa caísse de joelhos aos seus pés. Sinto muito, prefeito, não nasci para isso! Pode continuar rastejando nas linhas de rodapé, pois não pretendo desistir do compromisso profissional de manter meus leitores bem informados sobre as verdades de seu governo. Sejam elas na capa ou à sua altura intelectual.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 19 Jun 2007 | sob: Política
A diretora de Saúde da cidade não tem medo de vespeiros. Já mexeu em vários desde que chegou e continua. Agora, promete trocar todos os médicos do Programa de Saúde da Família que não cumprirem 8 horas de trabalho por dia, como determina o contrato.
A medida gerou uma chiadeira danada e os médicos, pelo que soube, já colocaram os respectivos cargos à disposição. Ao todo, são oito médicos, a maioria conhecidos da população.
A diretora não deixou por menos e garante que tem outros médicos para substituí-los. Traria gente de fora da cidade.
Fiquei surpreso com a história, claro. Quer dizer que os médicos não cumprem horário de trabalho? E por que só agora a diretora tomou uma medida dessas?
Outra novidade: a diretora de Saúde está alugando o prédio do antigo hospital do Grilo. Ainda não confirmei a informação, mas pelo que soube pretende implantar no local a Vigilância Sanitária e o atendimento de Saúde Mental. Um baita prédio, cujo aluguel não deve sair por menos de R$ 4 mil ao mês, para apenas esses serviços?
Não é só isso não. Poderá ser, também, o PS da cidade. Essa seria uma ação que a diretora estaria preparando para dar um “xeque” na eterna disputa política com a Santa Casa. Será?
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 18 Jun 2007 | sob: Política
Um governo não pode apresentar-se como vítima da imprensa, não faz sentido, é brincadeira. A imprensa não prende, o governo prende; a imprensa não pode legislar, o governo pode. A imprensa não pode fechar um governo, no máximo pode combatê-lo, mas o governo pode suspender ou fechar um ou todos os veículos de informação com apenas uma assinatura.”
Alberto Dines, do Observatório da Imprensa (18/6/2007)
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 18 Jun 2007 | sob: Política
O leitor Zuza Pinheiro - você conhece, claro - me manda um comentário tão singelo, que dá até para ver a cara do autor. Chorei de peninha. Vejam, depois comento:
“Até que você poderia ser bem útil viu Mastrobuono. É uma pena que você se dirija à administração pública local apenas e tão somente para criticar. Não que não mereça críticas, pois a final todos nós erramos, inclusive você, mas é que tem muitas coisas boas das quais você faz questão de não tomar conhecimento. Em suma, você não é imparcial. Explique então como é que se pode ter diálogo com uma pessoa radicalmente parcial?”
Viram só. Eu até que poderia “ser útil” (a quem?), mas só crítico a administração (ah, entendi…). Tadinha dela, não? Como eu sou mau! E “faço questão de não tomar conhecimento das “coisas boas”, tá vendo? Pôxa, mas eu sou mau mesmo, hein!
Zuzinha tá chateado, gente, e reclama: “não dá para ter diálogo com uma pessoa radicalmente parcial”. Deixa pra lá. Vamos jogar bolinha de gude e não se fala mais nisso!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 18 Jun 2007 | sob: Política
Quando escrevo aqui Zé Mané, não me refiro a ninguém específico. Trata-se apenas de nominar uma generalização. Poderia ser João, Antônio ou apenas Zé… Assim mesmo, curto e carinhoso!
O que escrevo a seguir, porém, é um aviso a um Zé Mané específico, que se acha no direito de me fazer bravatas às pessoas próximas a mim. Não tem sequer coragem de vir diretamente. Então vai aí o recado:
Ô Zé Mané, se você tem alguma coisa a me dizer, faça-o pessoalmente. Não fique perdendo o tempo de meus amigos e das pessoas com as quais trabalho com suas bravatas baratas. Elas têm mais o que fazer.
E tem outra. Ninguém merece ser alvejado por seus bombardeios de perdigotos etílicos em eventos sociais. Deixe elas trabalharem em paz, rapaz. Ninguém está a fim de agüentar seus desaforos embriagados. Se você quer ficar me ameaçando, faça-o de cara limpa. Diretamente a mim!
Que culpa têm as pessoas se você é mesmo um porre, Zé Mané!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 18 Jun 2007 | sob: Política
“Se as baterias tivessem sido doadas pelos vereadores da oposição será que o Sr. Marcelo publicaria a notícia da mesma forma? Ou não?”, quem faz a pergunta é alguém que se apresenta como eli. Isso mesmo, só eli, uma abreviatura em minúsculas e sem sobrenome.
Pelo foco direto, pressupõe que é “alguém” da turma do Seu Gerúndio, que gosta de aparecer - e muito - nas horas de coisas boas, mas se omite e se esconde nos momentos de esclarecer ou dar respostas convincentes, claras e transparentes.
Não costumo dar atenção a anônimos, vocês já sabem. Mas, como estou bonzinho, vou dar uma palhinha.
Será que publicaria, senhor(a) eli? Vamos ver…Publiquei, agora mesmo, sua questão, porque me parece até pertinente, embora anônima. Não tenho problema nenhum com a controvérsia. Pelo contrário. Aprecio-a tanto que sobrevivo dela. Quando não a encontro, trato de criar uma. É a forma de me imunizar contra aquilo que Nelson Rodrigues chamou de “unanimidade burra”. Afinal, para que servem os jornalistas..? Mas vamos ao assunto.
Não me lembro de ter publicado, em toda minha vida, alguma coisa parecida com isso, independente de ser “situação” ou “oposição”. O fato de contestar o governo não quer dizer que esteja na oposição. Ou vice-versa. Meu papel nesse jogo é outro.
Já que quer insinuar que estou de algum lado, sugiro ao senhor(a) que investigue o meu histórico. Passeios pela memória sempre são recomendáveis para qualquer tipo de ignorância.
Lembro-me, por exemplo, de ter publicado, em matéria na Revista Viu!, as denúncias de um pedreiro contra um dos principais líderes da oposição, que na época era ninguém menos do que presidente da Câmara, vereador Valter Rodrigues “Saci”. Será que isso responde sua pergunta, senhor(a) eli?
Se quiser ir mais a fundo, vai encontrar outros nomes em meu histórico, entre os quais até o maior deles, o ex-prefeito Paulo Maluf. Percebe como corria por outro lado? Que culpa tenho eu se o “outro lado” resolveu se transformar na mesma coisa que sempre criticou?
Se está preocupado em me arrumar um “lado”, descanse em paz. Sei muito bem para onde direcionar o meu leme. Não sigo correntes proselitistas. Nem quando a maré banca todos os “peixes”! Gostos mesmo é de nadar contra a maré! No caso especifício do Seu Gerúndio, acredito que estou nadando contra a marcha à ré. Não percebeu ainda?
Por que você não aproveita, então, e pergunta agora por que a imprensa amiga não publica a matéria de Veja, como fez quando o enfoque era outro? Percebe a diferença entre o que é proselitismo e o que é jornalismo?
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 15 Jun 2007 | sob: Política
A imprensa tem um papel fundamental na questão da convivência social. Acredito que, quando se levanta uma questão do cotidiano local para os olhos da sociedade, está-se buscando alternativas para uma vida melhor.
A polêmica em torno do sistema de ensino COC, por exemplo, coloca Porto Feliz em condição de igualdade com a discussão que está nos grandes centros.
Tenho insistido nisso desde o início. O blog tem falado sobre todas as polêmicas envolvendo o COC, inclusive a matéria publicada pela Veja enaltecendo o modelo apostilado do grupo de Ribeirão Preto, em fevereiro.
O assunto, agora, também faz parte do blog do Luís Nassif e do Reinaldo Azevedo, entre outros grandes jornalistas do meio. Vejam só, estão no mesmo tema que a gente, cada um com sua visão! Ótimo! É isso mesmo!
Veja o que diz, por exemplo, essa professora universitária, cujo comentário foi postado no blog do Nassif. Volto depois, porque o que dona Ana diz já foi defendido no site da Viu! também, por Sérgio Antunes, há mais de dois anos. As vezes demora mesmo para cair a ficha…Vamos ao artigo. Depois eu volto:
“Garante a aprendizagem” ou garante o domínio de conteúdos cobrados na Prova Brasil, ou em vestibulares? Como é possível um material genérico dizer ‘claramente o que fazer em cada aula’, se, em uma mesma instituição de ensino, turmas diferentes de um mesmo período são diferentes entre si? Desculpe-me, mas isso me parece a filosofia ‘cabeça de planilha’ aplicada à educação. Uma coisa é adotar apostilas, como livros didáticos, como “guia geral”, outra bem diferente é adotar sistemas de ensino que vêm com aula-a-aula pré-determinados. Em minha opinião, o assunto está sendo, mais uma vez, desviado: não é possível ter boa educação sem bons professores. Isso inclui boas condições de trabalho, possibilidade de aprendizado contínuo para os mestres, aprimoramento da relação professor/aluno. Adotar ou não apostilas de grandes sistemas de ensino é questão absolutamente secundária, dado que caberá ao professor fazer bom uso do material didático que lhe for mais adequado.
“Franquias” podem dar certo em atividades passíveis de serem padronizadas. O ensino, seja ele em qual nível for, não pode. A padronização termina no nível da ementa do curso ( ou seja, o conteúdo a ser abordado naquele período). Os alunos são obviamente diferentes e cada turma tem uma dinâmica própria, uma forma própria de abordar os mesmos conceitos. Dessa riqueza de diferenças é possível extrair reflexão e aprendizado. Sou professora universitária, e, como disse no outro post, nem mesmo em duas turmas diferentes de mesmo período numa mesma instituição é possível padronizar o cronograma real. Como querer fazê-lo entre alunos oriundos, por exemplo, de regiões diferentes, com realidades diferentes e portanto possibilidades diferentes de reflexão?
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 15 Jun 2007 | sob: Política
Não disse que o “grande evento de entregas de baterias” era mais um factóide preparado especialmente para a imprensa amiga? Bingo! Na capa, velhinho. A ignorância é óbvia demais! Só os tolos não vêem!
Quem dá esse tipo de tratamento a um assunto como esse não tem compromisso com o jornalismo, muito menos no que ele representa para a cidade. Daqui, só lhes interessa o leite de pata das tetas governamentais.
Tenho pena das crianças que assistem a essa pornografia intelectual sem nenhuma perspectiva. Por isso que Porto Feliz está se tornando, cada vez mais, uma cidade dormitório. Os jovens pensantes - ou com pontecial para tal - têm duas opções: ou aceitam a paralisia cerebral ou caem fora.
O governo do Seu Gerúndio, já disse ou vou continuar repetindo, tinha tudo para acabar com essa relação provinciana e nefasta com a imprensa nativa. Não o fez porque não tem competência para, sozinho, se auto-afirmar como gestor eficaz e soberano.
Seu Gerúndio não aceita críticas porque não sabe conviver com a controvérsia, tão peculiar aos homens públicos. Sua vaidade é suscetível demais para aceitar que alguém, como eu, lhe diga na cara que está no caminho errado. Ele logo se destempera e apela.
Agora fica rastejando atrás de alguma notinha de rodapé para tentar me processar. Uma atitute, aliás, bem à sua altura intelectual. É uma pena! Quando resolver se levantar, pode me procurar. Como já disse, estou sempre aberto ao diálogo!