Você já deve ter ouvido falar que a água é o petróleo do terceiro milênio, dada as previsões de escassez futura e a sua importância para a humanidade. Que tal, agora, saber que nossa terra é rica em fontes subterrâneas e que, bem trabalhadas, podemos ficar tranqüilos para o futuro?

Pois bem, a boa notícia sofreu uma interferência na última semana que pode alterar significativamente essa quadro. A Câmara aprovou, na quarta-feira, o projeto de lei encaminhado pelo Saae, autorizando que o aqüífero Tubarão, que fica sob a nossa terra, seja explorado por uma empresa terceirizada. Isso mesmo, alguém vai explorar o nosso “petróleo do terceiro milênio” e depois venderá o produto ao Saae que, por sua vez, repassará os custos à população.

Não vou entrar nos detalhes de como esse processo vai se desenvolver, mesmo porque ele ainda não aconteceu. Quero falar, sim, sobre o que a meu ver parece uma estupidez mercantilista: entregar o que é seu a um terceiro para depois comprar de volta.

Como a exploração da água ainda é incipiente, continuemos com a metáfora do petróleo. Você, amigo leitor, conhece algum país no mundo que entregou suas terras para serem exploradas por empresas ou nações estrangeiras? O máximo que conhecemos é a Petrobrás na Bolívia, e veja a confusão que isso está dando.

O superintendente do Saae, Ródnei Bérgamo, adiantou-se a qualquer tipo de discussão com a comunidade e, em regime de urgência, convenceu a bancada governista e até mesmo alguns oposicionistas a aprovarem um projeto, no mínimo, polêmico, para não dizer outra coisa.

Sabe o que Bérgamo disse aos parlamentares para tentar convencê-los: que Porto Feliz precisa garantir água para atrair novas indústrias. E eles acreditaram, tadinhos.

Os vereadores Nei do Mercadinho e Levi Rodrigues foram os únicos a votarem contra. A presidente da mesa, Maria Tereza de Moraes, também não gostou, por uma boa razão: a Câmara não analisou com a devida atenção o que isso representa para o município.

Esse é o verdadeiro custo que a comunidade paga por ter uma Câmara despreparada para defender os interesses da população. Autoriza-se, sem muita discussão, a vender o que é nosso para, futuramente, comprar de volta, a preços que ninguém pode prever.

Por aí dá para perceber que são os verdadeiros tubarões!