Março 2007
Arquivo Mensal
Arquivo Mensal
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 31 Mar 2007 | sob: Política

Foi só a Fifa reconhecer o Palmeiras como campeão mundial de 1951 e os palmeirenses já começaram a revirar o baú das saudades. A foto acima é da família Calino Tuani e, pelo que consta, trata-se de uma raridade. Fui intimado a publicá-la, mesmo contra minha vontade, já que todo mundo sabe que sou corintiano.
Na verdade, como já falei antes, nunca me aventurei a praticar jornalismo esportivo porque sou reconhecidamente um doente. Vejo coisas que ninguém vê e prefiro o calor das arquibancadas ao raciocínio das tribunas de imprensa. Se é que lá existe isso.
Mesmo assim, prezo pela informação e pelo ineditismo das descobertas, razão pela qual reproduzo a foto dos amigos chafurdadores acima.
Único time paulista na disputa em 1951, o Verdão conseguiu seu principal título internacional depois de bater a Juventus/ITA por 1 a 0 na primeira partida da decisão e segurar um empate em 2 a 2 no confronto decisivo, na Copa Rio, diante de quase 101 mil torcedores no Maracanã. Sendo assim, o Palmeiras se tornará o primeiro time brasileiro a ter conquistado um título mundial. (leia mais aqui)
Em Tempo: O jornalista Rodrigo Bueno diz em sua coluna deste sábado na Folha de S. Paulo que o primeiro campeão mundial era mesmo um time alviverde: o Hibernian, que “em 13 de agosto de 1887, na condição de camepão da Escócia, bateu por 2 x 1 o Preston North End, campeão inglês.” Tá vendo! O blogueiro Reinaldo Azevedo também atribui o reconhecimento da Fifa ao MRCG (Método Romário de Contabilizar Gol), que ajudou até a elevar o PIB brasileiro. Tio Reinaldão é corintiano também. Rárárá. Mas tudo bem! Pelo menos agora os palmeirenses não vão querer contestar o nosso título de 2000, que, convenhamos, é muito mais fácil de acreditar.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 30 Mar 2007 | sob: Política
Ainda vai dar o que falar as considerações do Capitão Dias na rádio, quando chamou agentes do trânsito de … “vagabundos”. Seu Gerúndio foi questionado novamente na manhã desta sexta-feira. A população quer saber que posição ela vai tomar, já que o próprio prefeito admitiu que o capitão “é um bom profissional na área de segurança, mas tem problema de relacionamentos”. Se meu chefe falasse isso de mim, pegava o meu boné e puxava o carro.
Vejam só, um diretor de Defesa do Cidadão que tem “problema de relacionamento” com os próprios subordinados é, no mínimo, um paradoxo. Manda para o psicólogo. Mas não, o prefeito prefere ir à rádio, confirma que ele “exagerou” ao xingar funcionário públicos de “vagabundos” e tudo continua como antes…Daí fica divagando sobre “humanidades” do tipo: “todo mundo erra”, “ninguém é perfeito”, “todos têm os seus defeitos e virtudes”. Menos, vai, menos…
Mas se o prefeito não toma providências, os funcionários ofendidos tomam. Foi dada entrada ontem em uma notificação, solicitando que a Rádio Portofelicense fornceça as fitas dos programas de 15, 16 e 30 de março, além das gravações das sessões de Câmara do dia 26. O advogado que representa os agentes de trânsito, Eugênio Motta Neto (sempre ele) aguarda o material para entrar com uma ação na Justiça contra o capitão.
O assunto também já havia repercutido na Câmara, onde até vereadores da situação partiram para a artilharia contra os xingamentos do capitão. Um deles foi Vartão de Lara, ex-inimigo de Maffei, que foi ao ataque (acreditem!) e cobrou providência do executivo. O ex-GM Robertinho do PT também deu uns disparos. Da oposição, quem falou foi Gerão. Pelo jeito, esse tiroteio vai longe…
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 29 Mar 2007 | sob: Política
Leiam o trecho abaixo, do site Terra, depois eu volto.
“O rabino Henry Sobel, presidente da Congregação Israelita Paulista, foi preso na última sexta-feira, dia 23, acusado de furtar quatro gravatas em três lojas de grife em Palm Beach, no estado da Flórida, Estados Unidos.
De acordo com o site do escritório do Xerife do condado de Palm Beach, Sobel foi preso sob três acusações por furto às lojas Louis Vitton, Gucci e Giorgio Armani. Ele teria pego quatro gravatas. O endereço dado por Sobel no departamento de polícia, em São Paulo, é mesmo do rabino.
As acusações estão sob os números 2007016314, 2007016315 e 2007016316. De acordo com o site, ele foi preso às 18h45 (horário local) de sexta e liberado às 15h30 de sábado, dia 24.” Para ler matéria na íntegra, clique aqui

Pode parecer oportunismo de minha parte, mas essa história tenho de contar. Conheci o rabino Sobel desde que comecei no jornalismo, no final dos anos 80 (Tô ficando velho, hein!), e sempre tive um pé atrás com sua postura. Bem mais adiante, em 2001, ocorreu um fato que veio a evidenciar ainda mais as minhas impressões.
Havia agendado uma entrevista com rabino, para falarmos sobre educação. Informei-o que a conversa duraria por volta de 50 minutos a uma hora, e ele concordou. Tudo ia bem até os 10 primeiros minutos, quando o rabino descobriu que a entrevista não seria publicada em veículo nenhum, e serviria apenas como base de estudo institucional de uma empresa especilizada.
Sua fisionomia mudou repentinamente. Passou a me dar respostas curtas e tentou apressar-me. Quando percebeu que buscava respostas com conteúdos mais substanciosas, pediu desculpas e disse que não poderia continuar a entrevista. Alegou “dores” repentinas e, mesmo com minha insistência, recusou-se a continuar, até de forma um tanto áspera para um rabino.
Percebi, então, o quanto Sobel gosta dos flash da chamada “grande mídia”, que sempre insistiu em idolatrá-lo. Se é para aparecer na televisão ou no jornal, o rabino está disponível. Para contribuir com um estudo que serviria de referência a um instituto especializado em educação, aí doía.
Vejo agora o senhor rabino, o queridinho de muitos coleguinhas, ser acusado de roubar gravatas em um bairro chique do Palm Beach, na Flórida, EUA. Vai ser uma baita de uma matéria, do jeito que o rabino gosta! Com dor ou sem dor!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Mar 2007 | sob: Política

Desta vez a Prefeitura não teve culpa na decaptação. Foi o vandalismo mesmo que arrancou o busto do ex-prefeito Lauro Maurino, da Praça da Matriz. A imagem foi registrada pelo fotógrafo Paulo Henrique Baldini, no sábado, antes do show do Renato Teixeira. Em seguida, funcionários da prefeitura recolheram a “cabeça” do homenageado, que ainda não foi reconduziada ao seu devido lugar
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 28 Mar 2007 | sob: Política
Está correndo na cidade um abaixo-assinado contra o aumento das tarifas das águas do Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto). Pelo que soube o documento já tem mais de cinco mil assinaturas e a proposta e que chegue a 10 mil.
Na próxima sexta-feira, das 9 às 16h, uma equipe do PHS (Partido Humanista da Solidariedade) estará na Praça da Matriz coletando novas assinaturas de adesão ao protesto.
Uma das articuladoras do abaixo-assinado é ex-diretora da PortoPrev, Juçara Guarin dos Anjos. Ela diz que a conta de sua residência subiu mais de 100% e está empenhadíssima em fazer o executivo rever as taxas de reajuste. Percebeu por que as águas começaram a rolar?
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Mar 2007 | sob: Política

As fotos da nova Garota Viu! estão simplesmente… como vou dizer?…Sensacionais. Evelyn Fernandes, miss Monções 2006, posou para as lentes de Flávio Torres no Haras Duas Palmeiras e não deixou nenhuma dúvida sobre suas qualidades de modelo, carreira que pretende seguir no futuro. Tudo bem comportadinho, claro, afinal a gatinha só tem 16 anos e um futuro esplêndido pela frente.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 27 Mar 2007 | sob: Política
Olhem só o texto explicativo das regras do Concurso de fotografia, depois eu volto: “O 2º Concurso Fotográfico Semana das Águas é realizado em parceria pelo Saae e Diretoria de Educação e Cultura. Seu objetivo é divulgar e conscientizar o uso racional da água; valorizar e incentivar a prática fotográfica; e estimular a imaginação, o aprimoramento técnico e a reciclagem entre os grupos participantes e o público interessado”. O grifo é meu. Agora vejam a imagem que ganhou:

Qual a leitura que você faz da fotografia? Plasticamente é muito bonita, mas o conteúdo não tem nada a ver com o “objetivo de divulgar e conscientizar o uso racional da água”, concorda? Muito pelo contrário…
Há um outro aspecto que me chamou a atenção. O ganhador do prêmio de R$ 500, Marco Antonio Cavalcanti, é um fotógrafo profissional, trabalhou para grandes empresas de comunicação, entre elas O Globo, e tem longa experiência em trabalhos sobre Meio Ambiente. Veja o que diz outra parte dos objetivos do concurso: “valorizar e incentivar a prática fotográfica”.
Pergunto, então: qual o incentivo que um amador tem em competir com um profissional de larga experiência na área? Obviamente, nenhum. Pelo contrário. É desestimulante.
Não vou entrar no mérito da fotografia ganhadora, que, como já disse, é muito bonita plasticamente e cumpriu as regras estabelecidas. Na minha opinião, porém, o concurso deveria ter regras mais específicas e não genéricas, dividir por categorias o nível dos participantes e abrangência regional.
Isso, é claro, se o interesse for realmente acrescentar alguma coisa de útil ao conteúdo do concurso. Caso contrário, é jogar dinheiro fora, da mesma forma como se desperdiça a água.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 26 Mar 2007 | sob: Política
Sei lá se foram duas, três ou cinco mil pessoas na apresentação da atriz Elisabeth Savala, domingo, na praça da Matriz, como informa o site da Viu!. O que ficou evidente é que Porto Feliz gosta de teatro. E muito! Tudo bem que Elisabeth Savala é uma artista global, conhecida do público, o que lhe garante grande popularidade. Mas ficou provado que quando há opções de qualidade - e isso não se pode negar da atriz - a população da cidade prestigia. Até teatro, para surpresa de quem insiste em promover apenas sertanejos e montaria.
No sábado, a apresentação de Renato Teixeira também agradou. De certo que o público não foi tão intenso quanto no domingo, mas se manteve o nível. Renato é um artista talentoso, sobretudo. É disso que a Maniçoba carece: qualidade.
Foi, sem dúvida, um “banho de cultura” para a cidade. Mérito para o novo diretor, Carlos Alberto de Campos, e para a administração municipal. Quem sabe esse seja o prefácio de um novo tempo…Quem sabe…
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 23 Mar 2007 | sob: Política

Tenho freqüentado Itu com certa assiduidade, dada minhas atividades profissionais. Já faz um tempinho cruzei com o comerciante Décio Peixoto. Quando falei que editava uma revista em Porto Feliz, ele começou a relembrar alguns de seus colegas da cidade que serviram quartel juntos: soldado *Ulisses (Zé Paçoca), Orlandim (Plinio), Torres (Flávio) Israel (Moleza) e mais um batalhão de recrutas da turma de 66 (ano de nascimento), todos amigos em comum.
Depois, soldado Peixoto contou-me que dirigia um restaurante recém-inaugurado na estrada de Porto Feliz, o Queima do Alho, nome sugestivo daquelas paradas de boiadeiros para a merecida “bóia”.
Fiquei curioso, já que temos tão poucas opções gastronômicas na cidade. Só fui conhecer o local, porém, há duas semanas. Fica no km 114, do lado esquerdo de quem vai para Itu. A sinalização é timida e você ainda tem de andar mais uns 500 metros de estrada de chão. Mas vale a pena.
O restaurante foi montado em uma antiga fábrica de estopa, sob a coordenação do chef Sabugo, um especialista na gastronomia caipira que também tem laços com Porto Feliz. O charme do local fica por conta do fogão a lenha, que deixa os pratos quentinhos à Mercê dos clientes, e do amplo espaço verde ao redor. É um típico sítio do interior.
O melhor mesmo, como não poderia deixar de ser, são as opções da cozinha: Leitão à pururuca, aquele torresminho crocante, quiabo, feijão tropeiro, carnes assadas e muitas outras calorias de dar água na boca. Ao todo mais de 30 pratos quentes.
Os pratos sãos servidos pelo sistema self-service, a R$ 15,90 por pessoa, com direito a sobremesa, no melhor estilo do interior: pudim de leite, sagu etc. O restaurante abre aos sábados, domingos e feriados apenas para o almoço, das 11 às 16h. Informações pelo telefone: (11) 4022-5526. Aproveite o fim de semana, leve a família para passear e …bom apetite!

Publicado por Marcelo Mastrobuono em 23 Mar 2007 | sob: Política
Nada como ser da “família” petista. Exonerado da diretoria de Esporte e Turismo por não corresponder com aos anseios do comando da prefeitura, Edison “Xééé-xi” arrumou uma boquinha como assessor parlamentar do vereador Miguel Arcanjo, do PT, é claro.
O estudante de jornalismo leva na bagagem a experiência de três carnavais mal-sucedidos (com atrasos nos carros de som, desarticulação de blocos e escolas etc), corridas sabáticas para buscar cheques na chácara de empresário em Boituva e duas CEIs que ainda vão dar o que falar da administração. Quer currículo melhor para um assessor?
Na Câmara, o ex-diretor terá espaço para exercitar seu sonho de ser “Duda Mendonça” de Miguelito, que nutre o desejo de um dia ser prefeito de Porto Feliz. Já estou imaginando o que pode acontecer. Apertem os cintos e aguardem muitas emoções.
Bem, tem a questão da redução do salário. Como diretor, ganhava mais de R$ 2 mil. Na Câmara, vai ganhar pouco mais de 600. Xééé-xi não gostou muito, claro. Mas os amigos lhe confortaram: “melhor pingando do que secando”. Então tá!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 22 Mar 2007 | sob: Política
Este número vale registro: Acabamos de bater a casa das 10.000 visitas em pouco mais de quatro meses que o blog está no ar. É um baita resultado, considerando que os assuntos são essencialmente da cidade. Vale destacar, também, os acessos simultâneos, que chegaram a oito (veja registro no pé direito da página). Ótimo. A audiência mostra que a cidade é carente de informação e, sobretudo, opinião. Estamos aí! Obrigadão!!!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 21 Mar 2007 | sob: Política

No final da gestão de Erval Steiner, o então prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira, visitou a cidade para participar de uma reunião do diretório do PDT. Na ocasião, disse que Porto Feliz parecia o Iraque, em razão da quantidade de buracos na Avenida Monsenhor Seckler.
O assunto foi noticiado com exclusividade pela Revista Viu!. Erval retrucou e mandou Nogueira ir cuidar da cidade dele. A oposição ao então prefeito, por sua vez, foi ao delírio com a situação, em especial os petistas.
Agora a situação é outra, só com relação a quem está no governo: o Partido dos Trabalhadores. O problema, porém, continua. A Monsenhor Seckler foi recapeada logo nos primeiros meses da gestão petista, mas o asfaltamento mal cuidado em demais ruas da cidade persiste.
Matéria divulgada pelo site da Revista Viu! (veja aqui)mostra que a Avenida Getúlio Vargas já está quase igual à Monsenhor de dois anos atrás. É buraco para todo canto. E não é só lá não. Várias ruas centrais estão esburacadas e precisam ser recapeadas.
Mas quando esse serviço será feito? Bem, só Deus sabe. Na administração, só se fala no asfaltamento da Dr. Antoninho. É a tal história: para cobrir um santo, descobre-se outro. E os buracos continuam…
Seu Gerúndio gosta de justificar-se com a história de que “o cobertor é curto”. Diz isso como se fosse uma grande novidade em administração pública. Só alguém muito inexperiente mesmo para se apoiar em uma retórica desgastada como essa.
Surpreende-me como tem gente que insiste em comparar o governo Maffei com o de Erval, referindo-se a questão do asfaltamento e colocando-os como se fossem as únicas possibilidades da cidade. Lamentável que a discussão política da Maniçoba esteja reduzida a essa bipolarização raquítica.
Como já disse tempos atrás, analisar a capacidade administrativa de uma gestão pública só pelo asfaltamento de ruas é desprezar a massa encefálica da população. Está na hora de parar de olhar só para trás e para baixo e perceber que o buraco é bem mais embaixo.
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 20 Mar 2007 | sob: Política

Foi na sexta-feira, 16, dia de Gerundismo na rádio, mas vale o registro. O prefeito Maffei deu um “puxão de orelhas” público no Capitão Dias. Um ouvinte perguntou ao prefeito se ela concordava e achava correto o diretor da Defesa do Cidadão ter dito, um dia antes ao mesmo apresentador, enquanto respondia algumas perguntas, que um determinado funcionário era “vagabundo”.
O prefeito respondeu que não. Afirmou que, na posição dele, não deveria ter usado esse termo, e que, “apesar de ser muito útil para nós, ele (Capitão Dias) “tem um lado que é muito difícil, que é o do relacionamento com os subordinados”. Então tá…!
EM TEMPO: Informei em post anterior que o prefeito Cláudio Maffei quer criar cinco cargos de assessores especiais e 14 bombeiros. Faltou dizer que também quer criar um cargo de CORREGEDOR da Guarda Municipal. Cargo de confiança e remunerado, claro. Teremos, se a Câmara aprovar, CORREGEDOR da GCM e PROCURADOR Municipal por NOMEAÇÃO. Daqui a pouco não se espantem se Seu Gerúndio quiser NOMEAR o juiz da cidade!
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 20 Mar 2007 | sob: Política
Segue abaixo texto de Arnaldo Jabor, cineasta, escritor, colunista de O Globo e produtor de cinema:
“Domingo passado, participei de um seminário organizado pelo “Jornal da Globo”, sobre nossa vida de jornalistas, este “quarto poder” tão importante num pais onde a crise cresce como um maremoto. No domingo, tentei abrir a alma e dizer o que penso da função critica dos jornais e mídia eletrônica. Falei para jovens jornalistas e perguntei a eles : sabemos que empresas querem lucro, profissionais querem viver, comer, aparecer, sim, mas afinal o que nos move? Que grão de esperança ou romantismo treme em nossos textos? Amor à pátria, esperança de harmonia, combate ao crime e à mentira? O quê?
A imprensa democrática cumpre um papel imenso, nesse vazio reflexivo em que nos meteram há quatro séculos. Temos uma população mergulhada na ignorância e no a-criticismo. A grande maioria é fácil de enganar; vejam as multidões de vítimas de evangélicos corruptos e os milhões de votos do neo-cabresto moderno: os “bolsistas da família”.
Nunca me esqueci da formulação de Brecht, o “efeito de estranhamento”ou seja, “ver por trás do familiar o que existe de estranho, desumano”. Que fatos sinistros há embaixo dos fatos que nos parecem normais? Que doença se disfarça de saúde ? Isso sempre me moveu, desde o Cinema Novo até hoje. Disse a eles, portanto, que a imprensa deve ser “crítica”em primeiro lugar. E “crítica” não quer dizer “ataque” ou “denúncia” apenas , mas, avaliação, busca de entendimento, que pode ir da mais amarela bile de ódio até propostas de positividade. Disse também a eles: tentemos a difícil tarefa de pensar sem ideologia. Isso. Entender os fatos sem um pré-conceito. O pensamento ideológico distorce a realidade para fazê-la caber num “a priori”, numa certeza anterior ao fato. Dificílimo isso, pois somos todos seres “ideológicos”. Se alguma forma de ideologia quer ter (para alem de esquerda ou direita, essa velha dualidade) é procurar a presença do que é humanizante ou civilizatório, o que pode aumentar a qualidade da vida pessoal e do interesse publico. Como dizia Marco Aurélio (não o Garcia nem o de Mello, claro) mas o imperador: “O que é bom para a abelha tem de ser bom para a colméia”. Disse a eles que a denuncia pura no Brasil é muito fácil, porque há um excesso inacreditável de absurdos no dia a dia. Vivemos em um momento histórico em que tudo parece desabar, o que pode nos levar ao que os psiquiatras chamam de “delírio de ruína”. Disse-lhes do meu medo de que a denúncia mecânica, o trágico espetacular , o horror como rotina pode ser até mais lucrativo para quem denuncia do que para quem o sofre.
Acho que o catastrofismo beneficia o atraso e os reacionários, aqueles que vivem do erro nacional, dos buracos das instituições, da fraqueza de nossa formação. Falei que somos todos parte do “grande erro” e que devemos nos incluir no que criticamos. Há certos articulistas que se salvam do abismo, que falam como se não fizessem parte do país.
Vivemos um momento perigosíssimo, com as velhas doenças brasileiras se agravando em ritmo veloz, diante da impotência dos poderes públicos. Os fatos estão cada vez mais além das interpretações, os crimes ocorrem numa velocidade de jatos e as formas de combatê-los se arrastam. Os criminosos da violência ou da corrupção já perceberam essa lentidão impotente e estão curtindo a anomia progressiva com o descaro de se saberem impunes. Esta espantosa crise institucional pode ameaçar a democracia, tão mal entendida no país, como falou Sergio Buarque. Há o perigo de contaminação pela estupidez populista dos países liderados pelo fascista Chavez, já que nada se resolve. Tambem falei que ficar na dualidade antiga e burra de esquerda x direita não esgota a analise dos fatos. O que nos paralisa não é a malignidade de grupos, mas velhos vícios endógenos, velhos vícios ibéricos que nos incluem e que nos impedem de progredir.
Lembrei-lhes que nossas doenças são a corrupção endêmica, o burocratismo paralisante, o clientelismo cordial, o personalismo ridículo, o salvacionismo messiânico, o arcaísmo das leis, a ausência de noção de “republica”. O jornalismo tem de ser uma espécie de psicanálise de nossos vicios e não a mera procura de culpados.
Também disse que, no seio do romantismo revolucionário dos anos 60, havia uma “finalidade” a se atingir , uma utopia que substituía o presente e o “possível” pelo imaginário. Esse pensamento mágico destrói a administração da vida real em nome de um futuro que não chega nunca. Hoje, temos de aceitar a impossibilidade de uma harmonia final. Nunca teremos um pais perfeito, resolvido; nunca chegaremos “lá”.
Um dos “bons” (sic) legados da ditadura é que ela mostrou que o Brasil era muito mais complexo do que se pensava. O fracasso da esquerda em 64 e depois no suicídio da guerra urbana de 69 em diante mostraram o absurdo do voluntarismo burro da velha esquerda. Houve um real espasmo de democracia nos anos seguintes a 85, mesmo com as tragédias que começaram com a morte de Tancredo até a hiperinflação dos anos 80 até 94. Agora estamos em uma fase em que o perigo é o eterno pêndulo entre liberalismo e Estado centralizador. Temos uma atávica fixação no Estado salvador.
A complexidade lenta da democracia está a nos trazer saudades do simplismo velho de guerra. Na primeira fase da era-Lula, o petismo “corrupto-bolchevista” tentou tomar o Estado mas, espantosamente, fomos salvos pelo Jefferson, com sua legitimidade de corrupto confesso.
Agora, corremos o perigo do deslumbramento messiânico do Lula, achando que é um santo milagreiro.
O perigo atual é o regressismo à burrice de quatro séculos. Aos poucos, o rabo do lagarto do atraso se recompõe. Com um leve sabor de sacrilégio, disse-lhes que só um “choque de capitalismo” poderá destruir o estamento patrimonialista que nos anestesia. Não adianta anunciar catástrofes; é preciso ensinar a população a se defender do Estado vampírico, do “Leviatã anêmico”, com bem definiu Eduardo Gianetti da Fonseca. O resto – disse-lhes - é papo morto.”
Publicado por Marcelo Mastrobuono em 20 Mar 2007 | sob: Política
Seu Gerúndio esteve em São Paulo, na noite de segunda-feira. Foi à festa de aniversário de 61 anos de José Dirceu, o ex-ministro e deputado cassado, apontado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, como o “chefe da quadrilha do mensalão”. Foi uma bela recepção, no Bar Avenida, em Pinheiros. Uísque a rodo.
Pelo jeito o prefeito de Maniçoba quer se manter próximo de Dirceu, que saiu do governo para se tornar um “consultor de empresas” privadas de alta envergadura (leia aqui). Zé Dirceu nega todas as acusações, claro. É de praxe. Veja o caso de Paulo Maluf, Fernando Collor etc.